quarta-feira, 18 de abril de 2007

Dezesseis. Dezessete. Mais um. Mais outro. Dois.

Abril é lindo.

Todo dia 16 eu faço mais um ano como bailarina.

Todo dia 16 é mais um mês que conheci quem me dá inspiração para escrever posts como os dois últimos.

Todo dia 18 eu faço aniversário.

Todo dia 29 é dia da dança.

O que eu tenho pra dizer é que tenho orgulho de mim e que me amo.

Sabe, eu costumava ser um pedaço de gente que se perguntava demais e era apaixonada por tudo e tinha vergonha de sorrir, já que os dentes da frente eram separados. O que hoje me faz olhar pra trás e querer me encontrar criança, só pra dar um abraço, é o tanto de vida que cabia entre os intervalos das minhas perguntas, da minha paixão e da minha vergonha.

Agora eu sei. O que me tachava de incomum e até de lerda era a minha solidão, a solidão que eu assumo hoje.

A verdadeira, como Clarice sabe bem. Aquela que só quer o bem dos outros, a solidão cuja quietude é um não-saber imenso ... você fica tão grande que não sabe o que fazer consigo e fica ali. Parada. Achando tudo lindo. Achando lindo ou morrendo de dor. Os dois quando dá sorte ... pra se encontrar em algum momento e ir dançar tudo mais tarde. Ou escrever. Os dois quando você se encontra e se perde e te cabe.

Eu me perdi.

E por ter me perdido, a minha quietude é livre. Minha liberdade é quieta. O meu não-saber é puro eu.

O orgulho que tenho de mim está na vez que eu não contei pro meu pai do meu primeiro namorado, porque me dei conta do amor que sentia (pelo pai, é claro, eu tenho cara de quem ama quem interpreta silêncio como depressão?), que qualquer situação que poderia fazê-lo sentir um pouco menor, eu chutei do mundo dele.

Está no dia em que comecei a dançar ballet sem ninguém saber. Porque a força que eu adquiri, a cada dia em que eu rodopiava quando não devia e morria um pouco enquanto poderia estar vendo tv, fez o peso de eu não ter nascido para ser mais uma, uma alegria enorme.

Está em tudo que eu faço só pensando no meu sonho, enquanto eu vou catando e esbarrando em pessoas pelo caminho até me tornar frações de cada uma.

Gosto de mim porque sou Nathália e agora tenho dezessete. Eu mordo, abraço, choro de rir e minha vida é um grande musical amelístico, cheio de bolinha de sabão e chocolate, não só por eu ser devota do que eu fui , mas porque nunca deixei de ser.

6 comentários:

Auto Retrato: Nascida em versos disse...

Tmb adoro abril!!!
Faço niver neste mês!!

oo.. vou te add os meus blogs favoritos se vc me permitir...

bjus

Rebecca Loise disse...

seja sendo até não ser mais, Nathália! um viva aos dezessete! ê!

kleine kaugummi disse...

Eu gosto de ti pq és Nathália e tenho muito mais do que dezesete motivos pra gostar de ti.
Gosto de ti pq és e estás, bem eu que estou sempre farta dessas pessoas que nunca-são.
Gosto de ti pq vejo as mesmas bolas de sabãoq ue vejo aqui em casa.
Gosto de ti pq vc é bailarina e eu confesso que nunca gostei de bailarina. - só vc pode me ensinar que nem toda bailarina é ponteira , maquiagem e collant.-
Ah, eu gosto de ti, ponto.

Otavio Cohen disse...

nem me atrevo a poetizar o comentário, porque qualquer coisa que eu faça não será mais bonito do que o que você escreveu.

"nem ficou bom", você me disse...

pode ter certeza de que sim.

Camila disse...

Eu costumava gostar de abril. Mas a leitura constante de pensadores niilistas me fez ver a dupla articulação da frase 'mais um ano de vida' e agora eu só consigo ver como 'menos um ano de vida'. Agora eu não gosto de abril por que eu sinto que meu tempo tá acabando e ainda não fiz nada, e também por que em abril não é nem verão e nem inverno então eu nunca sei quando tá frio e calor.

=*******

Ni disse...

Posso dizer que chorei lendo e lerei outra vez e mais outra e que embora tenha lido várias vezes e esteja molhada de lagriminha agora, eu não consigo escrever aqui? Porque de tão lindo, nem tem mais nada pra ser escrito - só pra ser vivido, e isso tu faz muito bem.
Que linda, gente, que linda demais! :*