terça-feira, 14 de agosto de 2007

Filosofia

Ela observava. Havia quem dissesse que se cruzaram antes e, olha, era verdade. Mas tinha vergonha: a bailarina, naquela manhã de maio, de aparência um pouco pior devido à noite mal dormida de ansiedade, estava desesperada demais querendo ser compreendida. E, como sempre, ela se rendeu ao primeiro revelado como um pouco mais profundo que os outros e os esqueceu - tanto aqueles de fato superficiais, quanto quem poderia tê-la compreendido caso tivesse sido visto. Acontece que o frio os havia tornado transparentes.
Sofia não dançava. Ou pelo menos não admitia. Nem sequer era adepta daquela idéia maluca de o mundo ser um palco e a existência, uma improvisação teatral absurda na qual uns momentos de glória aqui e acolá dão o clímax e o sentido completo. Sofia era tão diferente! A bailarina ainda era muito perdida quando soube a razão, sentindo-se, inclusive, menor. Havia nessa diferença uma praticidade recheada de personalidade e boas ações. Era isso! Sofia não era poeta: era a ação sobre a qual se escreveria, sobre a qual se pensaria e seria, enfim, admirada e guardada como esperança. E tudo isso de uma forma mais presente que o mundo ao redor.
Ela observava. E já fazia tempo! Entre nada mais que monossílabos, "oi, tudo bem?!" e um desejo verdadeiro que de estivessem sim, foi desejando e desejando até Sofia virar também parte da música que dançava.

[Continua. Eu acho.]

6 comentários:

Nathalia disse...

e antes que me perguntem:
não, não estou apaixonada por uma mulher.

Ulysses disse...

Dale sofia!!!

novamente pensei em alguma fraze de efeito... 1 dia ela sai..

Cecilia . disse...

Que lindo.
Muito !

Otavio Cohen disse...

sofia, sofia... é tão bom te entender e é tudo oque eu quero.

Mirous disse...

Sofia! , você é uma sofista, isso sim.

~§~ disse...

vc é foda. No melhor dos sentidos ^_^
continue escrevendo! E me visite!