quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

De súbito, a cidade se revelou.
Enquanto a natureza acabava de chorar comigo (é que choveu por dias... e dias... e dias... ) foram se dissolvendo os prédios. Que arrastavam os carros. Que arrastavam o Cinza. Que arrastava as Nuvens. E aí, Azul.
Dessa vez não foi só a calmaria momentânea que me serviu de combustível: há exato um ano sentia que faria uma escolha e como tudo até então havia sido tão natural e dado, eu não sabia bem que escolher era renunciar. Sabia que era belo, no máximo, ignorando que as coisas belas também doem nos outros. Por si mesmas.
Chovia consecutivamente, incessantemente. Desmancharam-se ruas, morreram gentes e só sobraram o que sentiam... e isso já era o anúncio. De que finalmente consegui conciliar o tempo de mim com o tempo do mundo e dado que agora o céu é límpido - ainda bem que alma é regenerável -, sou eu quem anuncio com orgulho: eu sou um corpo que finalmente ocupa sua própria época. Frenética, líquida... mas inquietude também cabe nesse corpo.
No exato agora eu sinto que farei escolhas pronta para renunciar.
E renuncio à idéia de plenitude requer tanto quanto dizem.

4 comentários:

Ni disse...

"No exato agora eu sinto que farei escolhas pronta para renunciar.
E renuncio à idéia de muitos de que é preciso muito para se ser pleno."


Te amo muito por isso, minha outra metade de plenitude. E voa...

Gabibis disse...

Oi Bailarina. Também preciso de plenitude e queria crescer meus textos como você. Mas não consigo. Acho que sou assim mesmo, um pouco mais pra dentro. Pq em mim guardo um mundo inteiro. Logo logo aprendo a dividir. Vou aprendendo, escolhendo. Todos os dias.

Um beijo, Bailarina.

ricardo aquino disse...

Para ser pleno
esqueça as roupas,
esqueça os conjuntos de mesa,
esqueça os acessórios motivos,
esqueças as formalidades
pra ser pleno
é preciso olhar longe
olhar perto
como fazes belamente!


com distinção e leveza

Otavio Cohen disse...

já tinha esquecido como é bom te ler.
eu amo vc!