domingo, 13 de agosto de 2006

Soundtrack: Julie Delpy, "Je ta'ime tant"

VOCÊ É BAILARINO CONTEMPORÂNEO QUANDO....

Você dorme profundamente sempre que assiste Les Sylphides.
Você vive em crise existencial.
Você consegue montar uma coreografia com pontas em música eletrônica.
Você conseque dançar uma coreografia com pontas em música eletrônica.
Você acha que a aula de ballet clássico de hoje poderia ser de pilates.
Você acha que as bailarinas do Bolshoi são uns postes e nunca quis ter o físico delas.
Você quem limpa o chão de casa. Com seu corpo. Rastejando por ele.
Você acha um absurdo existirem posições de braço, porque o braço é seu e você coloca onde achar que deve.
Você acabou de ler um conto de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, levantou e aprendeu a contá-lo se contorcendo.
Seu olhar é a coisa mais intrigante desse mundo, prende qualquer um e fala mais que lavadeira.
Você é meio Nietzscheano.
Você dança ao som das buzinas do engarrafamento lá fora, do vento batendo nas folhas e até com o barulho da máquina de lavar.
E o silêncio também é música.
Isadora Duncan é deus.
Você consegue rebolar e sapatear ouvindo Mozart.
Você fez uma análise do comportamento de Odette/Odile, relacionou com a flexibilidade do rabo da lagartixa e montou um novo Lago dos Cisnes, que ficou muuuuuuito melhor que o existente.
Você tem um cd original do Dead Can Dance, Enigma ou Delerium.
Você já fez teatro, oficina circense, capoeira, sabe pilates, yoga... e manda bem em tudo!
Você anda com a postura ereta quando dá vontade, você pára em primeira posição en dehors hoje, mas amanhã você deve ficar na quinta.
Talvez na quarta.
Talvez você fique sentado o dia todo.
Você se sentiu limitado na primeira aula de ballet mas aprendeu a ser livre, mesmo acreditando que isso não é possível.
Você sabe saltar grand jeté com os pés em flex.
Você defende as citações da Martha Graham até a morte.
Você assiste STV na dança toda semana.
Você já leu a Enciclopédia da Dança duas vezes, livros sobre composição coreográfica, leu mil pontos de vista, tudo sobre a formação do balé brasileiro para usar na monografia da sua faculdade (de dança)
Você tem vergonha de falar "eu te amo", mas dança o "eu te amo" numa boa!
Você venderia sua mãe para não perder um espetáculo do Corpo.
Você vê complexidade até em olhar pra cima.
Sua panturrilha é foda!
Você sabe que não é nada sem a dança clássica, mas queria que isso não fosse verdade.

4 comentários:

lonely star disse...

todo mundo que dança conhece o famoso texto "You know you're a dancer when..." [http://www.geocities.com/pointe2me/youknow.html] e eu brinquei um pouquinho com ele ^^ so pra dar um tempo na minha vida amorosa bizarra!!!

Otavio Cohen disse...

na verdade eu fikei boiando em alguns itens mas entendi outros heheh
e dpois vc conta akela historia lah sobre ir para a França e virar a Amélie... naum vou acreditar hehehe.
bjs

Nilson Barcelli disse...

Interessante este seu post.
Mas de bailados eu não percebo nada.
Mas gosto de ver. O último que vi foi o lago dos cisnes por uma companhia russa.
Beijinhos.

Joaquim Amândio Santos disse...

que a sua atitude seja como o seu texto:

fraturante!