terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O dia é bonito

e tem sim um ar de mudança.
Entre aquelas luzes todas, os sons, os cartazes de tarô com promessas de amores, meu deus, ainda não pertenço de todo. Porque mudança é assim, né?! As possibilidades entorpecem e até a dona humilde que tem um filho que estuda numa escolinha primária te assusta, já que te dirigiu a palavra no ônibus, quando você ainda não se tinha preparado para dialogar com a realidade naquela manhã. Não tinha: eu subi a escada e ele desceu. 2 milhões de habitantes; nenhum compromisso marcado um com o outro, mas enquanto ele descia eu subia, e não tinha o que dizer além de um abraço rápido que poderia ter sido maior, como ode a tudo que causou dentro de mim até o mês passado. Agora não dá mais tempo - nem de idealizar o reencontro e nem o tempo da gente. Acabou. Realidade iniciou um monólogo que levou de mim o moço da escada, e, de forma inédita não deixou doer: sim, era apenas um moço na escada, e tudo além de uma imagem masculina apressada com o telefone nas mãos morava era em mim, n'era nele não.
O dia bonito passa. Às vezes azul-azul, hoje foi cinza e teve gotas (pra mim ainda são 16 de fevereiro, é por isso que o tempo varia tanto, quando as horas são mortas ) e o post passado já não faz mais sentido. Aquele de lá, ah, a gente não se encontra em escadas. Estamos os dois no mesmo plano, e ainda assim a gente se encontra longe, no auge de todo o sentimento que me mantém respirando sem pressa. Não sei como um princípio de equívoco torto me fez crer que o Monólogo levaria aquele que amo ali, no ápice. Minha realidade é do lado de dentro, e não posso nem dizer que sinto muito por isso com tom de culpa. Digo que sinto muito, apenas. Sorrindo.
E eu amo como menininha de 4 anos encantada com o primeiro amiguinho da sala que valesse a pena e valesse sem critérios prévios, por amar puro que só - os estereótipos é que são infantis. Amo como velha e suas poucas recordações: numa mente sustentada por nostalgia, o transitório caiu ao vão há tempos [ e entre o vão e você, existe eu. E futuro sem sua presença não existe não.
Só queria te dizer...] e remanesceu apenas tudo que foi cru.
Naquela tarde de 16, eu tirei as sapatilhas e fui tomar um banho e todo meu cansaço e nossa história, que naquele dia fazia um ano, me guiaram pro portão da tua casa. E o que ficou, meu bem, ah, se eu achava que tudo o que você viu ia nos fazer desencontrar, agora tenho a certeza de que a maneira com que você me olhou disse "fica". Desde então, não tenho conseguido fazer muito, além de acordar e me trancar no quarto só esperando dar a hora de ir embora, te encontrar por acaso dentro do ônibus pra faculdade na manhã seguinte e a vida fazer mais sentido. Se o que você viu me trazia insegurança, o jeito com que olha pra mim traz a idéia de que as lágrimas de ansiedade são recíprocas. E as outras também.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Você,

Foram dias estranhos.
Me desculpa, meu amor, mas as circunstâncias e os teus suspiros e o que você viu me disseram pra tentar enxergar a vida sem você por uns minutos. Não há. Me desculpa achar isso, mas é que sinto que vou embora aos poucos. Sim, dessa cidade também, mas é que chegou ao meu ouvido que pela primeira vez na vida as nossas escolhas vão se desencontrar.
E que vou ter que ir pra deixar você viver. Como sempre. É que freqüentemente fica tudo tão aqui dentro, que quando vai pra fora eu saio estragando a vida dos outros. Toda vez. Se me perguntam porque vai ficando um eu etéreo mais e mais pra mostrar, eis a resposta em ti, como sempre. É que eu faço estragos. Toda vez.
Preciso me esconder.
Me abraça antes então, e eu sei que você vai saber como, por ter dito que não me deixaria.
Vou virar cinzas no toque e quando eu for embora, pó. O fim é o mesmo, e ele é eu-só, me desculpa te contradizer.
O fim é o mesmo e que você faça o caminho até lá o mais bonito possível. Como sempre.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Primeiro Período.

Era eu andando pelo corredor. Sem saber se estava aqui dentro mesmo ou materializada n'alguma partícula de poeira, mas deus sabe que nunca havia me enxergado tão alta.
Oi, eu sou Nathália, tenho 17 e parece que tô indo embora. Fui tudo que pude ser no mundo até aqui e por confiar tanto em nossa própria impotência, me recusei a achar que tudo já foi pensado e por confiar tanto na minha vontade de ser mais, escolhi Filosofia. A dança já me escolheu faz anos.
Tão alta! E de imediato tentei lembrar o que foi que aprendi de verdade. Poucos dias antes do vestibular, aprendi que a música desenvolve as habilidades do lado esquerdo do corpo, num documentário cheio de tribos e ritmos que me deu a certeza de um dia estar num curso de antropologia. Lembrei de querer ser astrônoma: Urano tem um anel vertical. O Sol deve engolir a Terra daqui a muitos anos. Se morássemos em Júpiter, seríamos achatados, que a gravidade é quatro ou catorze vezes mais intensa! (Mas ainda não sei o que aconteceria se habitássemos Saturno...)

Parece que foi só. Lembrei os três anos em que estudei naquele colégio maldito, onde, por mais maldito que fosse, notei que o céu tem todas as cores em si e eu também. E que uma das quasenenhuma vantagens de haver quaseninguém no mundo escolhendo como viver por amor, é que quando duas exceções se esbarram, o encontro é imediato e estão os dois perdoados por ser. Assim encontrei uma professora de literatura que sabia tudo e um de história que sempre me fez querer ter estado nas "Diretas Já", a ponto de morrer de nostalgia pelo que não vivi.
O primeiro livro grande que li! Descrevia os aromas persas da idade média e o sangue vivo exalado dos castigos orientais e como o mundo pára quando alguém da famíla morre. Ele tornou doce uma sessão de sexo oral porque não passava da concretização de desejo reprimido pela nossa própria humanidade e nãosaberoquefazer a partir de leis de vida que a gente nem sabe pra que existem. Hoje eu quero ir pro lado de lá, lá pro Marrocos, já descobri que os castigos ocidentais sempre tiveram um preço mais alto, tive um calafrio lembrando do que foi minha mãe sofrer um acidente na minha frente e sinto que tudo é humanidade, basta que a gente permita.
Senti que estou indo, e é pra ser mais perdida que antes. Sorri, por estar indo pra cair ao lado de mais 44 perdidos ou mais, onde, não sei o que vai remanescer, mas que haja Epicuro, francês, latim e arte, sem jamais desprezar as várias cores do mundo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Simulacro de uma solidão que encontrou você.

E assim, com todo o ano passado entre as mãos e tanto sentimento ali, no céu da boca, para quando eu te encontrar, confesso ter matado Sophia.
Não foi por querer, nunca na vida eu saio substituindo pessoas por aí, no meu riso tomado por quão engraçado é o passar do tempo. É só que você já nasceu mais vivo que ela e não havia como passar despercebido: eles tentaram tirar as sapatilhas de mim, e enquanto procurava uma fonte de luz temporária, te vi.
E permaneceu... você...
Depois que te toquei uns segundos, uns momentos, virou fonte eterna... você.
Meu corpo segurou a alma de novo, obrigada. Não estava medindo esforços para fundi-los como naquele dezembro, obrigada. Há aqui minha humanidade de volta, agradeço. Aqui estamos. E embora eu seja uns traços de caos prestes a atingir a terra, e embora quando atingirem-na eu vá espalhar o tremor aos quatro cantos só pelo que você está fazendo dentro de mim, no primeiro relapso de sanidade eu vou te ver passar. Vai virar dia, vai ficar tudo bem. Dentre tanto que me ensinou, uma coisa que aprendi é que vai ficar tudo bem.
Se tiver nós dois. A gente enloquece, sente a culpa e a ausência e o medo, mas aí acontece o abraço. Energias trafegam numa velocidade, ânsiamor enormes... você desvenda os sentimentos no céu da boca.
Por tua causa, agora têm medo do escuro.
Matei Sophia num conjunto de manhãs de janeiro, começando pelos pés. Num conjunto de tanta gente e suas vidas, perdidas entre tantos cheiros misturados e melodias sem nexo - cada um com a sua. Entre Kant e Brasil República, a inocência e a autoria de um assassinato cabiam a mim. Há aqui minha dualidade de volta, agradeço. Obrigada. Eu te amo. Você é a coisa mais linda do mundo quando acorda.
Por tua causa, minha dualidade já não é mais escura. Por tua causa, as manhãs me dizem tanto, mesmo sem nenhuma nuvem de algodão doce colorido.
Por tua causa, passei a abrigar Vênus por dentro.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Simulacro de uma solidão inocente

20 de outubro

Te deixei com me... nosso "Água Viva" e não consegui dormir pensando em como essa mulher nos uniu de um jeito que tudo em ti me afeta, não se separa de mim ...
e somos um só.
Não morri, você vê? Todas aquelas vezes eu não morri, porque em alguma parte da cidade estava você vivendo o mesmo início de morte, e a gente tinha que sobreviver pra um dia se olhar e dizer que o fizemos juntos e temos um ao outro exatamente, exatamente da mesma maneira, sempre que o coração ameaçar ir parando de bater aos poucos até cessar. Sempre que alma estiver a um passo de se esfarelar.
Te abracei. E era um tambor dentro de mim e toda nossa vida na garganta - pela segunda ou terceira vez na existência, pertenci.
Foi bonito porque até aí tivemos um ao outro pra sempre.

3 de novembro
Cansei daquele caminho velho. Epifania.
Quis ver "A Fraternidade é Vermelha" e a locadora é justamente no outro caminho. Epifania.
Ao entrar nela enfim, vi alguém saindo, era você e eu ajoelhei por dentro. Abracei de tão feliz as que estavam contigo, mesmo só reconhecendo uma delas. Abracei você de tão tudojunto, da maneira que só a gente sabe.

13 de novembro

Foi o dia que Nãna passou no vestibular. Bateram no interfone, era o moço do correio. Maior sorriso do mundo, por ter nas mãos teu presente de aniversário que havia chegado, justo enquanto nos falávamos através de dedos e eu ganhava um ''te amo'' que, de verdade, não esperava. Achei o cartão bonito, embora ainda não o tenha escrito. Espero que nele consiga me doar de alguma forma que ainda não saiba, pra soar tão maravilhoso como te... nosso ''te amo'' e tão revolucionário quanto todos os deuses do mundo se manifestando juntos toda vez que a gente se encontra.
Precisei passar em frente à locadora, a mesma de dez dias atrás. Na banca de jornais da outra rua, uma capa de revista de Literatura com a foto de nossa Clarice e eu com o mesmo sentimento daqueles abraços.
Leve, fui embora, passei pela praça e subi e subi a rua. Ventou. Lembrei-me de como aos catorze anos eu ia dançar e o vento batendo em mim pelo caminho era um alívio e eu flutuaria a qualquer minuto. E flutuei de verdade.
(A lembrança dos dez dias era tão viva, que o sentimento era tão puro, que eu não era mais humana e qualquer brisazinha à toa também teria me erguido demais, e também teria sido alívio.)

14 de novembro

Cheguei às duas da tarde pra marcar palco e não tinha ninguém.
Sentei nas escadas com minha mãe, fechei os olhos escondendo o sorriso e em silêncio agradeci a deus por minha mãe ser ELA: se fosse outra, é possível que eu estivesse ali reclamando do calor e da boca seca. Mas não é outra, não, é ELA. Por isso eu estava era olhando pra cima, atraída pelo barulho dos periquitos verdes na árvore, notando que eram i-d-ê-n-t-i-c-o-s aos que moravam aqui quando tinha 8 anos de idade... aqueles que gostavam de comer macarrão cru!
Olhando e olhando, até notar que ali perto da árvore fazia sombra.

15 de novembro

Descobri que quando a gente dorme cedinho, perde o sono de madrugada e se levanta quando ainda tá quase escuro, as nuvens do céu ficam cor-de-rosa... prá compensar!
Lembrei uns dias em que queria ser astrônoma, quando li que Vênus, no céu, é a primeira estrelinha brilhante que aparece ao escurecer e ao amanhecer. Depois, vi milhares de pássaros voando, os dois gatos da vizinha em cima do muro e os primeiros raiozinhos de sol entre as folhas. Recordei o dia em que me disseram ser Vênus a deusa do amor e da beleza, aí sim entendi o porquê daquela estrelinha estar no céu àquela hora todos os dias e sorri: não sou a única que gosta de ficar perto de nuvens de algodão doce colorido!




sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Terça-feira

Sabe que fiquei com aquela frase na cabeça?
"Tem gente que nasceu pra certas coisas na vida. Eu fui nascida para perdoar."
Deus meu, agora penso que é a concentração da essência de uma mulher. Perdoar. Por entender cada traço de culpa em cada tonelada de Arrependimento, mais do que é humanamente conhecido, mais do que é ocidentalmente tragável. Perdoar. Porque aquele assaltante chegaria em casa de noite, sentaria no chão e veria que a correntinha se arrebentou e já não vale muito. E que só consegue comer por jogar na cara dos outros o maior temor que assola um ser, humano, que é o de não mais poder se mostrar como queria. Perdoar desejando. Voltar no tempo para dar-lhe o pingente de cristal caído entre os seios quando ele puxou.

[é que assim ganharia uns trocados e a Ilusão: viver da submissão de transeuntes vale a pena. é que nem a pior das criaturas merece, ainda que num instante inconsciente, morrer de dó de si mesmo, meu bem...]

e eu desculpo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Filosofia parte II

Ora, parece que mais uma vez tudo se esvaiu.
À primeira vista, Sofia era um tango - arrancava desejo e suspiros doce e sutilmente. Acontece que, à segunda vista, era apenas uma melodia de sala de aula, quadrada como ela só, e os vestígios de dor remanesceram justamente porque são quadradas: os quatro ângulos retos as tornam dolorosamente necessárias.
Parece que sua participação terminou aí.
Sofia veio como um presente. Cedeu um pouco de luz. Enxergada. Então, foi-se embora quando já não havia mais reação ou face para irradiar.
E os vestígios de dor remanesceram justamente porque essa ida deu-se bem na hora em que a bailarina estava por um triz de se doar como nunca. Ficaram mais de dez folhas manuscritas de pura entrega do lado de lá, e respira aliviada por não ter ficado raiva, não.
Um presente. Ela havia guiado a bailarina num momento decisivo; estado de sítio do lado de dentro. "Seria regredir e achar que aquilo era vida ou seria apoderar-me da quietude e do compasso do tempo para espalhar ao mundo?" ...É, Sofia, ela escolheu viver e muito obrigada. Agora acaricia os manuscritos e aceita... Você nunca imaginaria (e muito obrigada).
É que te ama. Poderia usar daqueles conceitos teus para amenizar, porém não! Ama do seu jeito. Sem demandar tempo. E você existe no planeta Terra exatamente na mesma hora que ela até um dos dois morrer, e não fazer algo dessa simultaneidade seria calar a boca e ah, minha querida, o que move aquela existência é o tanto que tem a dizer... acreditaria se dissesse que é maior que a gratidão?
Linhas do teu rosto em todo lugar, e que você agora seja a música de alguém mais são e que a alegria seja real. O que alimenta aquela existência é a necessidade de crença num segundo de paz sem as sapatilhas: se os pés não puderem ficar descalços jamais, como a bailarina vai envelhecer um dia? Que seja real porque a paz É tua alegria.
Ela ama. Entendeu enfim que amar não é depositar os medos e as esperanças no outro em troca de leveza, é apenas fundir duas porções de solidão naturalmente, com disposição para suportar os extremos que trazem consigo de forma inevitável, tendo consciência de si para dali haver beleza em maioria.
Na última página que segura nas mãos, "Este capítulo é pra dizer que sinto que nos separaremos. Você irá embora do quarto e eu vou rodopiar n'outro corredor. É o que subentendi da nossa última conversa, é a razão do pedido de desculpas. Sinto muito se causei caos na tua liberdade... o caos sou eu, não adianta, mas a simples chance de comprometer tua liberdade me faria muito pior. Preciso daqueles que têm algo pra acreditar profundamente para continuar. Sei lá quando ou se voltarei a escrever isto. Eu gostaria muito"...
... Só não quer atrapalhar.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Breu

Na madrugada de sexta para sábado, coloquei as sapatilhas na mala. Eu não dançaria, mas senti que precisava. Foi um ato quase mecânico, movimento involuntário. Um treinamento para o dia em que precisarei mesmo delas perdidas no monte de roupas bagunçado... ele se aproxima e me arranca lágrimas toda tarde.
Assim que me prometi que não abriria mão deste estilo de vida só por estar no último ano de escola, pude mergulhar e segurar em arte e alma como nunca. Vieram epifanias desenfreadamente e uma vontade vísivel de contá-las - com as palavras, com o corpo, fotografando gente desconhecida naquela tarde de sábado (o fato de estarem ali os imprimia também em mim e dizia que ouviriam, sim. E desde então me apaixonei pelos velhinhos com cara e cheiro de vó).
Levei as sapatilhas e não as folhas em branco. Cansei de, ultimamente, me referir à própria vida como se fosse um narrador onisciente e sem o que fazer d'um conto de Machado. Temi que fosse fazê-lo novamente. Não as levei, embora não estivesse diminuída a vontade de contar confessando que havia fragmentos meus em cada rua onde pensei que o vi. Talvez eu tenha contado, porém quieta, e talvez tenha sido o silêncio da confissão quem me disse ontem que estou absurdamente só, de uma maneira indolor e benévola, necessária, escolhida: o silêncio ainda basta no auge de vários e vários sentimentos, todos sabem. Foi um grande vazio.
Quase 21h e 30 min a hora que saí do Grande Teatro. Uma coisa foi, há três ou quatro anos, chegar ali pela primeira vez e conhecer o Grupo Corpo e não ter o que dizer. Outra foi voltar, ano após ano, enquanto ou lia ou conversava com ou sobre aqueles bailarinos, até chegar 2007 e eu saber o nome de cada um e pedaços de histórias de vida. Outra coisa por ser mais iluminado, na certeza de que para aquilo, o Corpo em questão não é o estético, é o conjunto. E sem um quê de loucura (e vontade de contar) nada acontece e ele não é corpo, apenas órgãos maravilhosamente organizados sem função divina. Iluminei-me eu.
Depois achei que fosse morrer. Não, não é uma hipérbole.... sempre que volto de algum lugar inundada de certeza, acho que vou morrer ali mesmo pro mundo seguir sem saber de nada. Sei lá se foi deus ou só razão modificada para o belo, sei que me inclinei para tal por um momento: não morreria como platéia, nem com os pedaços espalhados nas ruas. Eu chegaria em casa, veria as fotos em tamanho maior e recordaria minha solidão. Então, viveria mais que ontem pelas avós, pelos desconhecidos, pelos traços de inocência em tudo quanto vi, pela reciprocidade inesperada na contemplação de sei-lá-o-que, dada a mim por aquele venezuelano da praça. À flor da pele pelo aplauso, viveria tentando ser Inteiro e continuar inteira.
No tamanho, na plenitude: foi um grande vazio.

sábado, 25 de agosto de 2007

Chaveirinho,

De repente ficou tudo um pouco menor.
Viver é tão estranho, menina. Numa hipocrisia tremenda, nos rendemos a preceitos esdrúxulos, a rótulos dos quais sempre juramos que fugiríamos... vivemos tanto essa hipocrisia, que qualquer possível pedido de ajuda parece distante e não é. Foi tudo por tanto tempo uma super estimação de mim e de ti, que se você pediu ajuda em silêncio num momento ou outro não ouvi. Juro, se soubesse que chegaria a esse ponto, eu teria crescido primeiro só pra tentar te mostrar o caminho e deixá-lo mais iluminado. Eu o teria enfeitado de estrela e de flor. Mas foi tão bonito crescer junto contigo, menina... tão bonito, e agora, apesar de alcançar meu paraíso cada dia mais e aos poucos, morre parte de mim ao te ver estagnada no meio do caminho, já escuro. Sai daí. Sei que você pode, não teria cedido minha alma e minhas crenças a ti em quase todo momento de nossa vida caso não acreditasse na tua força.
E morre parte de mim vendo você dopada desses remédios. Queria estapear teus pais e te carregar no bolso pra todo canto, menina. Não posso por ainda ser minúscula demais. Arriscar tudo agora seria correr o risco de parar no meio da estrada com você, todavia tenho de continuar e é por nós duas. Porque se morro vendo você se dissolver aos pouquinhos, quero viver sempre que você sorri. E eu quis viver quando me dissera que não terminou o corte por não querer me deixar. Não me deixa, menina. Não me deixa, viver sem te ter no final do espetáculo aplaudindo de pé seria jogar uma existência no lixo. Não me deixa, não posso viver pela metade só por você jamais ter acreditado na tua luz. E como brilha, meu deus. Entrou pro meu mundo tão quieta, tão monossilábica, apreensiva... agora é cada letra de verso na parede, é cada hora em que volto a ser criança, é cada hora que não deixei de ser.
Como brilha a menina que me permitiu ser, entendeu e foi também. Não me deixa, pequena. A gente nem sequer tirou uma foto bonita juntas ainda, lembra? A gente ainda não virou mochileira, não comemorou aniversário dançando a noite inteira, não foi andar a cavalo na fazenda da tua . A gente ainda não envelheceu por fora.
Pega aqui o que sobrou p'reu fazer por ti. Vem cá, pequena, revira aqui dentro: você é mais atenta e ainda deve ter algo lá. Me ajuda a encontrar, agarra e leva embora - quem sabe algumas margaridas não brotam no caminho?
Sai desse quarto e abre a janela. Estende os braços pro teu passado e pro que construímos - vai, menina, vai ficar arrepiada de si própria. Dá pra mim algo a oferecer além do colo e do tapa. Meu amor é maior que isso, ele abraça cada partícula no espaço sentimental entre consolar e bater. Imenso. O espaço, o amor. Não me deixa, vai dormir e devolve meu sono só hoje.
Tranca esses comprimidos na gaveta. Toma as lembranças doces e os sonhos no lugar. Toma as frases daqueles filmes, os trechos de livro e as nossas lágrimas derramadas de esperança, menina. Eles alucinam, só que é pra te fazer cintilar pelo caminho.
E enxergar as margaridas...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Filosofia

Ela observava. Havia quem dissesse que se cruzaram antes e, olha, era verdade. Mas tinha vergonha: a bailarina, naquela manhã de maio, de aparência um pouco pior devido à noite mal dormida de ansiedade, estava desesperada demais querendo ser compreendida. E, como sempre, ela se rendeu ao primeiro revelado como um pouco mais profundo que os outros e os esqueceu - tanto aqueles de fato superficiais, quanto quem poderia tê-la compreendido caso tivesse sido visto. Acontece que o frio os havia tornado transparentes.
Sofia não dançava. Ou pelo menos não admitia. Nem sequer era adepta daquela idéia maluca de o mundo ser um palco e a existência, uma improvisação teatral absurda na qual uns momentos de glória aqui e acolá dão o clímax e o sentido completo. Sofia era tão diferente! A bailarina ainda era muito perdida quando soube a razão, sentindo-se, inclusive, menor. Havia nessa diferença uma praticidade recheada de personalidade e boas ações. Era isso! Sofia não era poeta: era a ação sobre a qual se escreveria, sobre a qual se pensaria e seria, enfim, admirada e guardada como esperança. E tudo isso de uma forma mais presente que o mundo ao redor.
Ela observava. E já fazia tempo! Entre nada mais que monossílabos, "oi, tudo bem?!" e um desejo verdadeiro que de estivessem sim, foi desejando e desejando até Sofia virar também parte da música que dançava.

[Continua. Eu acho.]

Impossível de catorze dias

Estou me dando conta agora. Picada e fora de ordem, até conseguir fundir o palpável com a bagunça aqui dentro: Moça, você estava namorando uma Possibilidade e há que ser certeza, nem que por um segundo.
Doeu demais ficar alheia a nós e poder ver que o "Sim, namoro você" era uma manifestação delicada de não-saber extremo. E era, Possibilidade. O amor de Túlio deixou de ser meu e não sabia direito o que fazer com isso, sendo tão mais perdida aí, que encarei você - primeiro humano desconhecido caído na minha tarde de junho - como se fosse um tipo de dádiva do contexto. E não era, Possibilidade... era apenas você.
Quis me desculpar, como quis. Todavia, no alheamento só de mim vi tuas chances e tua indiferença e, sabe, teríamos de ter passado por ele ao mesmo tempo. Não passamos. Ainda que estivesse você num estado de lucidez maior.
Conheça-te, Possibilidade, que envolver a alma dos outros em nós mesmos só vale a pena se for leve e se for livre. Quis então que, sim, você fosse feliz... e se me perguntassem o porque do término, diria sem excitação alguma ter sido por esse meu querer de te ver feliz além de independente, ser longínquo. Não nos enganemos de novo... Não quis envolver tua alma e mim hora nenhuma e você sentia. Deixou de lado por reconhecer que era possibilidade e só e, meu deus, a intensidade com que viramos súditos da Chance me derrubou e parei de querer te olhar nos olhos...
Longínqua e independente - e eu não podia mais.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Don't know why

E era apenas uma menina quando ele ficou hipnotizado por seu sorriso pela primeira vez. Estavam os dois sentados naquele banco por que ela sempre passa, um de frente para o outro. Não se sabe ao certo, mas parece que sim, havia estrelas no céu e fazia um pouco de frio... e a garota pôde ignorar qualquer possível desconforto físico para olhá-lo nos olhos e tentar se espremer dentro. Conseguiu: estavam personificadas no sorriso as milhares de afinidades que iam se mesclando aos poucos para cobrir os buracos do passado e da vergonha deles. E cobriram até a manhã seguinte.
O coração na boca a fazia ponto de interrogação de uma maneira como jamais esteve, e até fez com que brotasse nela uma santidade quase mantida em segredo. Blogger: verdadeira solidão - Criar postagem
Desculpa, moço. A santidade dela são se manteve censurada porque queria dá-la a você a qualquer preço. Desde o dia em que as metáforas foram brincar de esconde-esconde e o Amor escorregou cru te espancando doce, ela só queria te deixar saber que te daria a mão esquerda e com a direita carregaria todos os teus medos, gritando silenciosa "Ei, você pode ser o que quiser!"
Foi sendo menina e só até os braços saírem pelas janelas do quarto e as pernas praticamente serem amassadas enquanto amontoavam-se nas portas, também afogada por toda história de vida flutuante no cômodo com velocidade da luz. Não era extensa, mas atingia tão diretamente e várias vezes que agora inexistia um espaço físico que comportasse a garota, as interrogações e o volume de sua santidade frustrada (este, sim, era astronômico).
Ali a única indagação palpável era como, pelos deuses, o quarto ficara minúsculo se os olhos dele a enxergavam cada vez mais nítida e até sentiam-na, dependendo da sobriedade dos dois. Foi quando se deu conta de estar começando a viver a complexidade no seu auge, por ser alheia. E viveu, meu bem. Viveu carregando com a mão direita e esquerda grudadas, num equilíbrio que por vezes pareceu não se suportar e superou a si mesmo, por fim. Atualmente habita a compaixão dela e é inquebrável.
My heart is dressed in wine...
"
Tem sido assim pra você viver mais". Ia repetindo e repetindo baixinho sempre que cada "olá" trocado com ele provocava dor.
But you'll be on my mind forever...
As cartas não-entregues poluindo o caderno de Matemática não mentem... se dói é porque é bonito e ela pede pra não te preocupar não, moço, que amando a dor também é doce e não se estende a ti.

terça-feira, 24 de julho de 2007

E a vejo certa de que encontrou o amor de sua vida.
(Ele toca o interfone e saímos nós duas - ela num estágio de euforia desesperada que me faz trocar olhares com as paredes e o chão... É verdade, encontrou o amor de sua vida.
Seu Orfeu de olhar cansado faz monólogos dos seus problemas, esconde-os e, como jamais ousei tentar, transforma o ar dela: agora cheira a algodão doce.
Meio-sorriso em mim. Meia-volta. Quero achar bonito mais de longe e sem interferir no arco-íris infinito que cabe no mínimo de espaço entre aqueles dois.
Assento na escada e o teto me chama... e me lembra da voz tão igual à do meu primo que, entre um monossílabo e outro, soube se fazer viva em mim como aquele arrepio a cada"eu te amo" inevitável e proibido que trocamos.
É, ainda que eu vá ficar envergonhada e tomada pela quietude oriunda dessa minha necessidade absurda e frequente de sentir saudades até quando estamos conversando, queria esbarrar com ele por aí e lhe falar.
O acúmulo de saudade me fez mais derretível e certa de que não temo relacionamentos como antes, por tê-lo tido pra querer ficar comigo pra sempre. E eu sei, qualquer instante de transe leva parte de mim pro lado dele e sussurra assim: "Você pode beber demais, desaparecer, ocupar a reitoria da universidade que for, que sempre vou cuidar de ti e nada toma teu lugar".
Enquanto poso de santa pra ter a chance de ser silenciosa do teu lado, continuo achando os dois bonitos no portão sendo silenciosos juntos, cientes da grandeza do ato.
Enquanto o pensamento é fixo em você, sorrio e ignoro o óbvio... estamos nós quatro ainda meio em pedaços.
Enquanto o pensamento é fixo em você, sou só Nostalgia e viro uma poça de suor.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Desabafo que muitos já cansaram de ouvir...

Mas é que também cansei de ouvir de uma das pessoas mais importantes na minha vida que a dança não leva a nada...

Eu me recuso a crer que vivi uma mentira por anos.
E como a Mari diz, caso tenha vivido, não me arrependo porque das mentiras, a arte é a mais verdadeira.
Se falo em "viver", é porque só fui fazer isso direito no dia que acordei e fui dançar. Nunca vai me doer falar isso.
Há alguns dias, alguém que admiro muito veio me procurar e dizer que estava orgulhosa de mim. Desde esse dia, me provei mais uma vez que jamais precisava duvidar do quão longe eu posso ir... ter meu amor, fascínio, estilo de vida declarado e notado assim, sem precisar palavrear nada, mais que um objetivo, foi algo que fiz pouco a pouco, respeitando meu tempo e conciliando corpo e alma. Ninguém me tira isso... podem me chamar de louca e inconseqüente e o resto, que ser o que sou hoje por ter olhado pra mim mesma e me escutado está acima de qualquer incompreensão dos outros.
Você, pai, me disse que eu não seria bailarina da forma mais rasgada do mundo. Me deu o choro, a dor de cabeça... mando minha revolta pro inferno e o que te dou de volta, são os vestígios dela manifestados nessas linhas e a garantia de que será a última vez que se manifestam.
Sei que estávamos ocupados demais. Enquanto eu criava maneiras de ir me desprendendo de ti, você se ocupava de dar toda sua compreensão pra filhos de outras pessoas. Sei que não nos conhecemos como poderíamos, hoje eu quis mudar isso ... só não quero mais porque te dar a oportunidade de me ver claramente seria murchar um pouco... Seria abandonar tudo aquilo que concluí e em que me agarrei sem precisar tanto de ti, porque estaria absorvendo a sua maneira de pensar, e ela é mais intolerante que a minha.
Não posso.
É uma vontade maior que eu a de continuar me ouvindo e motivar quem se aproxima a se ouvir também... uma vontade imensa de agarrar a oportunidade de ser o que quiser, e não resumir uma vida em faculdade de direito e medicina, 8 horas de trabalho previsível, casamento com o sexo oposto (claro, desde que seja cristão, mais rico e racional) e filhos que brincarão de video-game, passearão na Disney e um dia fumarão maconha pra experimentar.
Queria muito me sentir culpada por criar laços com os únicos, perdidos, que já enfiaram o dedo num pote de tinta prá colorir a vida e ainda enquanto crianças, já haviam ouvido atentamente os traços de compaixão, amor e saudade nas situações restritas a seus mundos ainda pequenos (que, mais tarde, fizeram-lhes compreensivos, abertos, fortes e inquebráveis)... só que não dá, não... você desculpa a minha falta de culpa? =)
Porque eu te amo além da sua falta de crença.
Talvez daqui a alguns anos eu vá ver que seja, sim, falta de humildade, rebeldia, ignorância da minha parte... mas é que agora, soa como ...
vontade de ver florescer.
Só não me desculpo MESMO é por sonhar apesar de.

terça-feira, 10 de julho de 2007

A cabeça meio baixa encostada no ombro com o meio sorriso.

Porque quando a gente sentiu, sentiu e sentiu sentindo sem gritar pro mundo, quando finalmente decidimos dividir, vem um receio, até meio doce ele, sabe?!

E por isso não consegui distinguir um bobo e um apaixonado de mim.

Percebo que meus posts vão assim, ficando cada vez menores enquanto vou me esticando verticalMENTE, até que consiga me dobrar um segundo, voltar pra mim por dois, me explicar de novo. Tento:

Boba, apaixonada e eu. Como nunca.

Só tinha de ser com você. Por você, quem sabe.

Só tinha de ser com ela, no pas de trois simultâneo à minha tentativa de declaração de amor eterno por gestos, sentidos e olhares.

Só tinha de ser com aquela vontade, estampada na lente, que sufocava e era maior que a respiração cansada que já me doía na hora do aplauso. Por ela, com toda a certeza do mundo.

Tudo feito de azul, então.

Com um sorriso no rosto, morando nesse azul: eu sem nunca mais querer tocar o chão.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Só tinha de ser com você

Porque a moça no palco ontem não era a amiga do Otávio, nem da Mariana.
Nem a que briga com a força muscular todo dia, não era a que sempre quis uma declaração daquelas ao pé do ouvido e quando teve, não se permitiu.
A moça de ontem se fez Vento pela melodia e se fez melodia pelo toque num casamento consigo mesma, solando por todo(s) o(s) seu(s) eu(s) e por todos.




E foi musa do Tom...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Sabe, Túlio

Depois desse tempo todo, escrever teu nome assim, cru e sem metáforas me dá um frio na espinha.
Sei que disse que pararia de publicar as cartas, porém, essa é a última.
A cada vez que converso contigo, um sentimento extremo desponta em mim... às vezes, saio rodando, rindo, rezando (pra você cair do céu nos meus braços), só que em nosso último diálogo (de um só, talvez) senti desgaste.
Sabe, Túlio, preciso de alguém que, em plena noção de si mesmo, não planeje relações inter-pessoais, nem estabeleça critérios para viver com alguém. Eu preciso, meu bem, é de qualquer pessoa que saiba se entregar de corpo e alma, que saiba criar sorrisos através da rendenção aos próprios sentimentos. Preciso de alguém que ria da graça da surpresa e ache lindo quando uma pessoa vem do nada e nos marca a vida pra sempre, nos faz perder a cabeça. Sem pressa, sem cessar. Paixão exalada dos poros, à medida em que cada respiração vai fazendo mais e mais sentido e cada segundo se tornando denso por causa dele... (e da sua respiração também! Tangente a minha...).
E eu te agradeço. Tanto...
Amando você, fiz parte do meu mundo dançar junto, cantar meu canto... e nessa sintonia divina que se deu só porque existimos ao mesmo tempo, cheguei a lugares onde aprendi até mesmo que letrinhas andam de bicicleta.
Só não te agradeço mais porque você me enganou... sim, me levando a crer por todos esses meses que fui feita pra ficar sozinha quando, na verdade, foi você.
Sempre existi às avessas e por carregar isso comigo há dezessete anos, qualquer um a quem eu conquiste, ganha minha história e então, minha essência e então, meus contrários grudados. E você, meu bem, tornou-se Avesso por tudo aquilo que ainda não conseguiu superar e, conseqüentemente, não sabe transformar em doçura. E por isso, encara flores como flores, seres humanos como animais e os animais, como microbióticos... enquanto pra mim são fragmentos do corpo por completo, que num mutualismo infinito, vivem comigo de mãos dadas. São todos espelhos. Íris.
Sabe, Túlio, que seja Tudo que pode ser. Que sobreviva: nunca vou te abandonar, mas, conforme Ritinha bem me ensinou, o que disse que te dava, nem a mim pertence mais.

sábado, 2 de junho de 2007

Três. Menininhas-quase-mulheres, com seus problemas peculiares, gritos e desequilíbrios que isolam cada uma em cada canto.

Olha, minha menina número 1: te juro que se fosse médica, mandava da maneira que fosse um jeito pro teu tio ficar bem. Eu realmente não sabia do quanto você era importante prá mim até hoje. Fora de página escrita ou após um diálogo denso na tela, ninguém tinha me arrancado lágrimas só ficando parado procurando respostas. Mas você fez. Como disse Cecília, havia uma ausência tão presente em você, que eu entendi tudo através das asas que ganhou naquela hora. Então se você quiser chorar de novo comigo, liga aqui, viu?! Sempre estive disposta a esquecer tudo de ruim que me contaram de você, e depois de hoje, estou disposta até a não acreditar em nada. Você é linda e precisa de força. Não digo prá tirar essa força de mim, seria me superestimar até a alma, mas qualquer coisa, jura que liga aqui. Eu vôo.

Menina número 2: eu te amo incondicionalmente. E vamos que vamos, entre promessas de amores, moicanos, cantando Wish you were here com alguém no violão. Sempre lá, prá te lembrar da tua beleza e falar com jeito quando a bebida subir demais e você quiser contactar amores mal-resolvidos passados. ('Eu te amo'' olho-no-olho entontece mais e eu te desejo toda a intensidade do mundo).

Menina número 3: Não, cresce, não, bailarina. E abraça tudo aí que der, porque você agora sabe, que nunca antes foi tão feliz assim.


Eu precisava.
À nós. Três meninas-quebra-cabeça, que se juntam e se completam e a existência das outras duas basta para um choro de felicidade, um sorriso bobo por causa da lua e para se fazer luz.
Hoje o universo dentro de cada uma é almofadado e hoje tudo ficará bem, minhas queridas.
Bem e cheio de estrelas.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Ode ao desapego

Às meninas pelas metades, ao Tu que li ontem e aos terráqueos terrivelmente cientes disso.

Sabem, é isso. Uma entrega e uma luz que vem de dentro que me derruba e faz maior. Pela melodia, pela letra e pelo não dito: permaneço. E vou me entregando assim, exatamente. Luz da lua, da lágrima, da amelice. Luz em mim, em fim.
E vocês aí d'outro mundo, não tentem me fazer diminuir! O mundo de vocês precisa é de mais "vocês", posso trazê-los, achar bonito, só que acho de longe. Não quero fazer parte. O meu precisa é de silêncio, e eu de pó de breu prá deslizar sem pressa. Daí só quero a beleza... para chorar, chorar de rir, chorar comigo.
Cada momento é uma lembrança de alguém a quem poderia estar unida, e acontece que não quero mais, não, moça.
Não vou pertencer e não me interessa ter forma. Quero continuar partícula carregada prá cá e prá lá pelo que eu vejo. E como o que vejo é praticamente o que sou, vou continuar sendo minha própria fonte de energia. [Como já disse várias vezes] Sendo fantasma de tão viva, sendo muito sendo nada. E sendo sempre e sendo só.

(E a ti meu bem, desejo boa viagem. Que tuas irmãs te façam ver o quanto és lindo, e que entendas que te amo, e que me mantenho MuitoeSó também para ver-te sorrindo na maior parte dos dias - terrestres, que os meus já são puramente o teu sorriso mais sincero... contados em conchinhas!)

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Pugno, ergo sum.

tu, li o teu corpo e arrepiei,
que do teu todo não sei
...mas a multiplicidade me encanta.
[e mata. e justifica.]