Isso é a coisa mais desconcertante do mundo. E de algum jeito eu sabia, sabia que quando tivesse de novo algo a dizer seria pra você. Nem que fosse só com sutilezas...
Desconcerta porque em outros tempos eu escreveria assim, à mão mesmo, páginas aos montes, até que ela ficasse vermelha. Entregaria pessoalmente, só pra você, num jeito de te dedicar o Vermelho em mim, afirmando por esse gesto que é só sua a compreensão do que a gente viveu até aqui. Como se o que a gente viveu fosse apenas nosso e ponto: .
Desconcerta e liberta afirmar que não. E escrevo pra quem quiser saber...
Flor, eu via a gente se refletindo uma na outra num acordo puro e aquilo envolvia até meu jeito de falar com os outros, quando falava sorrindo. Se eu te disse naquele domingo que precisava sempre recorrer ao passado pra qualquer manifestação de Alívio conseguir viver no agora, Flor, eu via a gente construindo um quebra-cabeças perfeito e as últimas peças estão quase encaixadas.
Não, não sinto, de forma alguma, que nossa história vá terminar: acordo puro, mútuo e tão lírico, que insinua eternidade sempre que você sobe o elevador do prédio, chegando ou indo. O que nossa história me fala, então, é que me guiei até você pra falar dos ciclos e construir pontes entre mim, você e aqueles dois. Pra te ceder um pouco de paz...
Agora eu entendo que você não foi embora antes pelo mesmo motivo. Eu acordava sempre sozinha e desacreditando, lembra?! É possível que não, porque você não me permitia desacreditar. Nossa história não termina e a gente é fração da mesma coisa.
E deixamos, juntas, de ser promessa pra ser Início (de qualquer coisa, sussurro por aí. E você é tão abrigo que dá para transcender - da promessa morta ao Início de qualquer coisa, desde que inquieta e musicada.)
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Pequena,
Postado por Nathália. às 8:41 PM 2 comentários
sábado, 28 de junho de 2008
se não suporto mais gente que se esconde
vejo.
toco.
acho.
amo.
Vejo.
fim.
Postado por Nathália. às 11:32 AM 3 comentários
domingo, 15 de junho de 2008
Novidade
É que o mundo é um pouco maior que aparentava ser. E eu, mais criança.
Todo um medo em mim que me faz só observar. Fazer parte ... fazer parte ainda dói.
Querer fazer parte me quebra as pernas; como cabe tanta ousadia em alguém que nada fez? Nada além da vontade.
O contato com a possibilidade agora desconcerta; minha profundidade, fragmentos.
E eu. Cinzas?
Postado por Nathália. às 10:42 AM 1 comentários
terça-feira, 13 de maio de 2008
Tomada de humanidade,
digo que somos sim, na realidade, todos tão desamparados quanto eu me senti naquele dia.
[ e aí eu dou as mãos pr'alguém e seguro forte, assim, nem que seja uns segundos. as lágrimas saem pouquinho a pouquinho e um alívio instantâneo invade: é que estar tomada de humanidade também é cultivar esperança. distribuo por aí, em forma de suor e palavra...]
Postado por Nathália. às 4:19 PM 2 comentários
sábado, 3 de maio de 2008
É que eu só estou tentando ser mais, compreende?!
Um dia eu acordei e, que cause espantoounão, minha vontade ainda era maior que a dor. Ainda.
Continuo.
Postado por Nathália. às 11:18 AM 7 comentários
sábado, 5 de abril de 2008
Uma moça de all star porque é legal, um menino de all star porque ele gosta. Cotidiano filosófico - cresço.
- E você, tá lendo é o quê?
(Como se não tivesse sido uma maneira de interrupção de fluxo de tudo que sentia - e era tudo, era tudo... - virei pra ela a capa d' O Lustre)
- Adoro Clarice.
(Ela afirma. Não-fluxo.)
- Acabo um livro dela e já começo o outro.
(Ela não precisava saber disso...)
- Eu também.
(Será? Vivo um livro e o ciclo se expande no seguinte. Hesíodo! A ring composition dos gregos - tempo na palavra e tudo é circulo - sou eu de lis-no-peito: as primeiras palavras brotam de novo e maior. Retornam, retornam quando a essência pede, grudadas. Palavras para que o mundo se revele. E entrelinhas. Aqui basta. )
- Lihápoucopertodocoraçãoselvagemeeu... silêncio.
(E se todos os teus risos histéricos fossem de verdade, e as suas palavras... se você me fosse real e se tua curiosidade fosse sentida até que latejasse, eu me enxergaria nos teus gestos enquanto fala e ah, flores-de-lis nos seriam como aureolas e um tridente.)
Vim aqui para não pertencer do jeito mais completo. Que o completo chege, que o "ser alheio a" já é.
Dor de leve.
- É, aqui não tem "A República" mais. Vamos ter que ir ao outro prédio.
(Outro prédio. Placa indicativa da biblioteca a nossa frente)
- Ih, mas onde é aquilo, hein?!
- Sei lá.
(Círculo de novo, descidas de escadas, visita involuntária e acidental ao Centro de Extensão da faculdade, mesmo lugar.)
- Mas tava aqui o tempo todo! A placa!
(Adentramos.)
- Acho que o livro deve tar por aqui.
- Por ali, não?!
(Enquanto não era em nenhum dos dois e eu esquecia a bolsa lá fora e ele não percebia)
Para PERTENCER do jeito mais intenso! Nos teus gestos, nos perdemos juntos... eu. A sutileza abraça a gente na próxima obra, no próximo encontro, quer ver?!
- Como vai a sua vida?
Abraço.
(Em cada visita à biblioteca - são mais quase quatro anos e vamos estar juntos, eu sempre soube - nos perderemos entre as prateleiras. Passarão os anos. Aristóteles, Kant, Heidegger ou nenhum. Nós dissolvidos em prateleiras. E se eu te dissesse o sorriso meu quando tem você à porta da sala? E quando vai embora mais cedo com aquela liberdade-ou-até-arrogância universitária que nos deixa levantar e sair antes de Heráclito acabar de unir seus opostos... parte de mim é submissa a ela e vai, vai junto.)
Vim aqui porque até o Muito é questionável. Olha isso...
(Eu amarraria teus cadarços...)
Postado por Nathália. às 8:39 AM 7 comentários
quinta-feira, 27 de março de 2008
desabafoporqueeuprecisavadizerassim: caos.
Precisava mudar minha vida. Mudei. Tudo me diz que a busca agora é outra, e é, mas ela se dissolveu pela cidade e se estou assim, perdida como nunca, é talvez por não tê-la encontrado nos lugares por onde passo e talvez isso seja por ela estar deveras evidente – tudo engana.
É que o que vejo nesses lugares é deslumbre – atravessar as avenidas é cumplicidade. Nunca sei a que horas devo ir através dos carros, e quando todo mundo vai, eu vou também e não morro. A pilha de carros com farol ligado no começo da noite, vista de cima, parece uma fileira de vaga-lumes e não uma pilha de gente que não queria estar ali. Estou encantada pela desordem, e me tornando mais e mais desordem, porque eu não sei o que faço da hora em que eu saio da aula até a noite, quando eu vou dançar. Supostamente, teria que ler Parmênides, na prática, morro um pouco até que prenda o cabelo e o mundo sinta que rodopio para não dissolver e para reconstituir o que se esvaiu até então. Meu conceito de tempo se perdeu tanto.
Pra mim sempre foi ciclo e quando vi que para eles também era, eu me rendi. Todavia, preciso da linearidade para não me atrasar – busca de conciliar o tempo do mundo com o meu, que também era o tempo antigo. E eu escorro pelos ponteiros.
Minha vida lá, cíclica até o absurdo, terminou com plena consciência do que eu era, do meu papel no mundo e que aquilo tudo era ARte. Intervenções artísticas em mim. Eu pegava a dança aqui de dentro e fazia fotografia, agia dentro do ritmo e tudo me entendia, porque esse tudo guardava uma complexidade sutil, que eu não sabia qual era, mas sabia que descobriria mais tarde. Era um ciclo onde isso bastava. E eu escorria pelo mistério.
Complexidade sutil jogada na cara, num apartamento no centro de Belo Horizonte, escancarada no devir. Ele não comporta minha professora de ballet que achava qualquer sacrifício que eu fazia bonito, ele não queria comportar a música que ouvi ontem no corredor – a mesma que ela dava no plié e port de brás – pra eu não ver que, sim: parte da minha alma mora dentro do piano de lá. Não comporta porque lágrimas são difíceis, sabemos todos. E, já que a vida é movimento para todos os seres, que ele, o Devir, viaje eternamente de dentro de mim pra lá, de lá pr’aqui dentro pra eu poder entender mais uma vez que está tudo junto, e que, vista na desordem, em todos os tempos do mundo, na arte acima de qualquer coisa, no piano de lá, transposta para o piano de cá, a alma é onipresente. E a mudança, minha desordem eterna.
Postado por Nathália. às 5:42 PM 4 comentários
domingo, 16 de março de 2008
Quando a gente ficou tão simples?
É que antes tudo ficaria no ar. A possibilidade de encontro seria suficiente, e agora eu ligo até pra minha própria aparência para caminhar.
Ali, na sala de aula, reparei que em todo dia ensolarado a luz penetra, assim, por cima da janela e eu nunca vi mais brilhante, e naquele dia comecei a ficar com dúvidas se o que estava ali perto de mim, iluminando tudo, era deus ou você. Talvez estejam até se fundindo absurdamente, e juro que aí ou vou me perder pra sempre ou me acho enquanto devota do mundo. E vai ser por tua causa. Eu vou me perder. Quanto mais mediação, menos sagrado é um contexto, e eu vou me perder porque vou recusá-la, numa escolha intuitiva em que as perguntas, as respostas, as pessoas e o tempo vão andar juntos, se apoiar em si mesmos e voar e...
(Fiquei tão simples que não sei mais como contar...)
É ali, na sala 3049, que ganha uma tonalidade entre branco, amarelo e a cor-de-eu-espalhado-pelas-paredes quando você chega: você me invade em forma de luz toda manhã.
Postado por Nathália. às 12:33 PM 5 comentários
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
O dia é bonito
e tem sim um ar de mudança.
Entre aquelas luzes todas, os sons, os cartazes de tarô com promessas de amores, meu deus, ainda não pertenço de todo. Porque mudança é assim, né?! As possibilidades entorpecem e até a dona humilde que tem um filho que estuda numa escolinha primária te assusta, já que te dirigiu a palavra no ônibus, quando você ainda não se tinha preparado para dialogar com a realidade naquela manhã. Não tinha: eu subi a escada e ele desceu. 2 milhões de habitantes; nenhum compromisso marcado um com o outro, mas enquanto ele descia eu subia, e não tinha o que dizer além de um abraço rápido que poderia ter sido maior, como ode a tudo que causou dentro de mim até o mês passado. Agora não dá mais tempo - nem de idealizar o reencontro e nem o tempo da gente. Acabou. Realidade iniciou um monólogo que levou de mim o moço da escada, e, de forma inédita não deixou doer: sim, era apenas um moço na escada, e tudo além de uma imagem masculina apressada com o telefone nas mãos morava era em mim, n'era nele não.
O dia bonito passa. Às vezes azul-azul, hoje foi cinza e teve gotas (pra mim ainda são 16 de fevereiro, é por isso que o tempo varia tanto, quando as horas são mortas ) e o post passado já não faz mais sentido. Aquele de lá, ah, a gente não se encontra em escadas. Estamos os dois no mesmo plano, e ainda assim a gente se encontra longe, no auge de todo o sentimento que me mantém respirando sem pressa. Não sei como um princípio de equívoco torto me fez crer que o Monólogo levaria aquele que amo ali, no ápice. Minha realidade é do lado de dentro, e não posso nem dizer que sinto muito por isso com tom de culpa. Digo que sinto muito, apenas. Sorrindo.
E eu amo como menininha de 4 anos encantada com o primeiro amiguinho da sala que valesse a pena e valesse sem critérios prévios, por amar puro que só - os estereótipos é que são infantis. Amo como velha e suas poucas recordações: numa mente sustentada por nostalgia, o transitório caiu ao vão há tempos [ e entre o vão e você, existe eu. E futuro sem sua presença não existe não.
Só queria te dizer...] e remanesceu apenas tudo que foi cru. 

Naquela tarde de 16, eu tirei as sapatilhas e fui tomar um banho e todo meu cansaço e nossa história, que naquele dia fazia um ano, me guiaram pro portão da tua casa. E o que ficou, meu bem, ah, se eu achava que tudo o que você viu ia nos fazer desencontrar, agora tenho a certeza de que a maneira com que você me olhou disse "fica". Desde então, não tenho conseguido fazer muito, além de acordar e me trancar no quarto só esperando dar a hora de ir embora, te encontrar por acaso dentro do ônibus pra faculdade na manhã seguinte e a vida fazer mais sentido. Se o que você viu me trazia insegurança, o jeito com que olha pra mim traz a idéia de que as lágrimas de ansiedade são recíprocas. E as outras também.
Postado por Nathália. às 7:16 PM 3 comentários
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Você,
Foram dias estranhos.
Me desculpa, meu amor, mas as circunstâncias e os teus suspiros e o que você viu me disseram pra tentar enxergar a vida sem você por uns minutos. Não há. Me desculpa achar isso, mas é que sinto que vou embora aos poucos. Sim, dessa cidade também, mas é que chegou ao meu ouvido que pela primeira vez na vida as nossas escolhas vão se desencontrar.
E que vou ter que ir pra deixar você viver. Como sempre. É que freqüentemente fica tudo tão aqui dentro, que quando vai pra fora eu saio estragando a vida dos outros. Toda vez. Se me perguntam porque vai ficando um eu etéreo mais e mais pra mostrar, eis a resposta em ti, como sempre. É que eu faço estragos. Toda vez.
Preciso me esconder.
Me abraça antes então, e eu sei que você vai saber como, por ter dito que não me deixaria.
Vou virar cinzas no toque e quando eu for embora, pó. O fim é o mesmo, e ele é eu-só, me desculpa te contradizer.
O fim é o mesmo e que você faça o caminho até lá o mais bonito possível. Como sempre.
Postado por Nathália. às 7:01 PM 8 comentários
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Primeiro Período.
Era eu andando pelo corredor. Sem saber se estava aqui dentro mesmo ou materializada n'alguma partícula de poeira, mas deus sabe que nunca havia me enxergado tão alta.
Oi, eu sou Nathália, tenho 17 e parece que tô indo embora. Fui tudo que pude ser no mundo até aqui e por confiar tanto em nossa própria impotência, me recusei a achar que tudo já foi pensado e por confiar tanto na minha vontade de ser mais, escolhi Filosofia. A dança já me escolheu faz anos.
Tão alta! E de imediato tentei lembrar o que foi que aprendi de verdade. Poucos dias antes do vestibular, aprendi que a música desenvolve as habilidades do lado esquerdo do corpo, num documentário cheio de tribos e ritmos que me deu a certeza de um dia estar num curso de antropologia. Lembrei de querer ser astrônoma: Urano tem um anel vertical. O Sol deve engolir a Terra daqui a muitos anos. Se morássemos em Júpiter, seríamos achatados, que a gravidade é quatro ou catorze vezes mais intensa! (Mas ainda não sei o que aconteceria se habitássemos Saturno...)
Parece que foi só. Lembrei os três anos em que estudei naquele colégio maldito, onde, por mais maldito que fosse, notei que o céu tem todas as cores em si e eu também. E que uma das quasenenhuma vantagens de haver quaseninguém no mundo escolhendo como viver por amor, é que quando duas exceções se esbarram, o encontro é imediato e estão os dois perdoados por ser. Assim encontrei uma professora de literatura que sabia tudo e um de história que sempre me fez querer ter estado nas "Diretas Já", a ponto de morrer de nostalgia pelo que não vivi.
O primeiro livro grande que li! Descrevia os aromas persas da idade média e o sangue vivo exalado dos castigos orientais e como o mundo pára quando alguém da famíla morre. Ele tornou doce uma sessão de sexo oral porque não passava da concretização de desejo reprimido pela nossa própria humanidade e nãosaberoquefazer a partir de leis de vida que a gente nem sabe pra que existem. Hoje eu quero ir pro lado de lá, lá pro Marrocos, já descobri que os castigos ocidentais sempre tiveram um preço mais alto, tive um calafrio lembrando do que foi minha mãe sofrer um acidente na minha frente e sinto que tudo é humanidade, basta que a gente permita.
Senti que estou indo, e é pra ser mais perdida que antes. Sorri, por estar indo pra cair ao lado de mais 44 perdidos ou mais, onde, não sei o que vai remanescer, mas que haja Epicuro, francês, latim e arte, sem jamais desprezar as várias cores do mundo.
Postado por Nathália. às 10:43 PM 4 comentários
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Simulacro de uma solidão que encontrou você.
E assim, com todo o ano passado entre as mãos e tanto sentimento ali, no céu da boca, para quando eu te encontrar, confesso ter matado Sophia.
Não foi por querer, nunca na vida eu saio substituindo pessoas por aí, no meu riso tomado por quão engraçado é o passar do tempo. É só que você já nasceu mais vivo que ela e não havia como passar despercebido: eles tentaram tirar as sapatilhas de mim, e enquanto procurava uma fonte de luz temporária, te vi.
E permaneceu... você...
Depois que te toquei uns segundos, uns momentos, virou fonte eterna... você.
Meu corpo segurou a alma de novo, obrigada. Não estava medindo esforços para fundi-los como naquele dezembro, obrigada. Há aqui minha humanidade de volta, agradeço. Aqui estamos. E embora eu seja uns traços de caos prestes a atingir a terra, e embora quando atingirem-na eu vá espalhar o tremor aos quatro cantos só pelo que você está fazendo dentro de mim, no primeiro relapso de sanidade eu vou te ver passar. Vai virar dia, vai ficar tudo bem. Dentre tanto que me ensinou, uma coisa que aprendi é que vai ficar tudo bem.
Se tiver nós dois. A gente enloquece, sente a culpa e a ausência e o medo, mas aí acontece o abraço. Energias trafegam numa velocidade, ânsiamor enormes... você desvenda os sentimentos no céu da boca.
Por tua causa, agora têm medo do escuro.
Matei Sophia num conjunto de manhãs de janeiro, começando pelos pés. Num conjunto de tanta gente e suas vidas, perdidas entre tantos cheiros misturados e melodias sem nexo - cada um com a sua. Entre Kant e Brasil República, a inocência e a autoria de um assassinato cabiam a mim. Há aqui minha dualidade de volta, agradeço. Obrigada. Eu te amo. Você é a coisa mais linda do mundo quando acorda.
Por tua causa, minha dualidade já não é mais escura. Por tua causa, as manhãs me dizem tanto, mesmo sem nenhuma nuvem de algodão doce colorido.
Por tua causa, passei a abrigar Vênus por dentro.
Postado por Nathália. às 6:38 PM 5 comentários
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Simulacro de uma solidão inocente
20 de outubro
cobri que quando a gente dorme cedinho, perde o sono de madrugada e se levanta quando ainda tá quase escuro, as nuvens do céu ficam cor-de-rosa... prá compensar!Postado por Nathália. às 6:28 PM 3 comentários
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Terça-feira
Sabe que fiquei com aquela frase na cabeça?
"Tem gente que nasceu pra certas coisas na vida. Eu fui nascida para perdoar."
Deus meu, agora penso que é a concentração da essência de uma mulher. Perdoar. Por entender cada traço de culpa em cada tonelada de Arrependimento, mais do que é humanamente conhecido, mais do que é ocidentalmente tragável. Perdoar. Porque aquele assaltante chegaria em casa de noite, sentaria no chão e veria que a correntinha se arrebentou e já não vale muito. E que só consegue comer por jogar na cara dos outros o maior temor que assola um ser, humano, que é o de não mais poder se mostrar como queria. Perdoar desejando. Voltar no tempo para dar-lhe o pingente de cristal caído entre os seios quando ele puxou.
[é que assim ganharia uns trocados e a Ilusão: viver da submissão de transeuntes vale a pena. é que nem a pior das criaturas merece, ainda que num instante inconsciente, morrer de dó de si mesmo, meu bem...]
e eu desculpo.
Postado por Nathália. às 12:53 AM 8 comentários
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Filosofia parte II
Ora, parece que mais uma vez tudo se esvaiu.
À primeira vista, Sofia era um tango - arrancava desejo e suspiros doce e sutilmente. Acontece que, à segunda vista, era apenas uma melodia de sala de aula, quadrada como ela só, e os vestígios de dor remanesceram justamente porque são quadradas: os quatro ângulos retos as tornam dolorosamente necessárias.
Parece que sua participação terminou aí.
Sofia veio como um presente. Cedeu um pouco de luz. Enxergada. Então, foi-se embora quando já não havia mais reação ou face para irradiar.
E os vestígios de dor remanesceram justamente porque essa ida deu-se bem na hora em que a bailarina estava por um triz de se doar como nunca. Ficaram mais de dez folhas manuscritas de pura entrega do lado de lá, e respira aliviada por não ter ficado raiva, não.
Um presente. Ela havia guiado a bailarina num momento decisivo; estado de sítio do lado de dentro. "Seria regredir e achar que aquilo era vida ou seria apoderar-me da quietude e do compasso do tempo para espalhar ao mundo?" ...É, Sofia, ela escolheu viver e muito obrigada. Agora acaricia os manuscritos e aceita... Você nunca imaginaria (e muito obrigada).
É que te ama. Poderia usar daqueles conceitos teus para amenizar, porém não! Ama do seu jeito. Sem demandar tempo. E você existe no planeta Terra exatamente na mesma hora que ela até um dos dois morrer, e não fazer algo dessa simultaneidade seria calar a boca e ah, minha querida, o que move aquela existência é o tanto que tem a dizer... acreditaria se dissesse que é maior que a gratidão?
Linhas do teu rosto em todo lugar, e que você agora seja a música de alguém mais são e que a alegria seja real. O que alimenta aquela existência é a necessidade de crença num segundo de paz sem as sapatilhas: se os pés não puderem ficar descalços jamais, como a bailarina vai envelhecer um dia? Que seja real porque a paz É tua alegria.
Ela ama. Entendeu enfim que amar não é depositar os medos e as esperanças no outro em troca de leveza, é apenas fundir duas porções de solidão naturalmente, com disposição para suportar os extremos que trazem consigo de forma inevitável, tendo consciência de si para dali haver beleza em maioria.
Na última página que segura nas mãos, "Este capítulo é pra dizer que sinto que nos separaremos. Você irá embora do quarto e eu vou rodopiar n'outro corredor. É o que subentendi da nossa última conversa, é a razão do pedido de desculpas. Sinto muito se causei caos na tua liberdade... o caos sou eu, não adianta, mas a simples chance de comprometer tua liberdade me faria muito pior. Preciso daqueles que têm algo pra acreditar profundamente para continuar. Sei lá quando ou se voltarei a escrever isto. Eu gostaria muito"...
... Só não quer atrapalhar.
Postado por Nathália. às 8:20 PM 2 comentários
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Breu
Na madrugada de sexta para sábado, coloquei as sapatilhas na mala. Eu não dançaria, mas senti que precisava. Foi um ato quase mecânico, movimento involuntário. Um treinamento para o dia em que precisarei mesmo delas perdidas no monte de roupas bagunçado... ele se aproxima e me arranca lágrimas toda tarde.
Assim que me prometi que não abriria mão deste estilo de vida só por estar no último ano de escola, pude mergulhar e segurar em arte e alma como nunca. Vieram epifanias desenfreadamente e uma vontade vísivel de contá-las - com as palavras, com o corpo, fotografando gente desconhecida naquela tarde de sábado (o fato de estarem ali os imprimia também em mim e dizia que ouviriam, sim. E desde então me apaixonei pelos velhinhos com cara e cheiro de vó).
Levei as sapatilhas e não as folhas em branco. Cansei de, ultimamente, me referir à própria vida como se fosse um narrador onisciente e sem o que fazer d'um conto de Machado. Temi que fosse fazê-lo novamente. Não as levei, embora não estivesse diminuída a vontade de contar confessando que havia fragmentos meus em cada rua onde pensei que o vi. Talvez eu tenha contado, porém quieta, e talvez tenha sido o silêncio da confissão quem me disse ontem que estou absurdamente só, de uma maneira indolor e benévola, necessária, escolhida: o silêncio ainda basta no auge de vários e vários sentimentos, todos sabem. Foi um grande vazio.
Quase 21h e 30 min a hora que saí do Grande Teatro. Uma coisa foi, há três ou quatro anos, chegar ali pela primeira vez e conhecer o Grupo Corpo e não ter o que dizer. Outra foi voltar, ano após ano, enquanto ou lia ou conversava com ou sobre aqueles bailarinos, até chegar 2007 e eu saber o nome de cada um e pedaços de histórias de vida. Outra coisa por ser mais iluminado, na certeza de que para aquilo, o Corpo em questão não é o estético, é o conjunto. E sem um quê de loucura (e vontade de contar) nada acontece e ele não é corpo, apenas órgãos maravilhosamente organizados sem função divina. Iluminei-me eu.
Depois achei que fosse morrer. Não, não é uma hipérbole.... sempre que volto de algum lugar inundada de certeza, acho que vou morrer ali mesmo pro mundo seguir sem saber de nada. Sei lá se foi deus ou só razão modificada para o belo, sei que me inclinei para tal por um momento: não morreria como platéia, nem com os pedaços espalhados nas ruas. Eu chegaria em casa, veria as fotos em tamanho maior e recordaria minha solidão. Então, viveria mais que ontem pelas avós, pelos desconhecidos, pelos traços de inocência em tudo quanto vi, pela reciprocidade inesperada na contemplação de sei-lá-o-que, dada a mim por aquele venezuelano da praça. À flor da pele pelo aplauso, viveria tentando ser Inteiro e continuar inteira.
No tamanho, na plenitude: foi um grande vazio.
Postado por Nathália. às 12:50 PM 1 comentários
sábado, 25 de agosto de 2007
Chaveirinho,
De repente ficou tudo um pouco menor.
Viver é tão estranho, menina. Numa hipocrisia tremenda, nos rendemos a preceitos esdrúxulos, a rótulos dos quais sempre juramos que fugiríamos... vivemos tanto essa hipocrisia, que qualquer possível pedido de ajuda parece distante e não é. Foi tudo por tanto tempo uma super estimação de mim e de ti, que se você pediu ajuda em silêncio num momento ou outro não ouvi. Juro, se soubesse que chegaria a esse ponto, eu teria crescido primeiro só pra tentar te mostrar o caminho e deixá-lo mais iluminado. Eu o teria enfeitado de estrela e de flor. Mas foi tão bonito crescer junto contigo, menina... tão bonito, e agora, apesar de alcançar meu paraíso cada dia mais e aos poucos, morre parte de mim ao te ver estagnada no meio do caminho, já escuro. Sai daí. Sei que você pode, não teria cedido minha alma e minhas crenças a ti em quase todo momento de nossa vida caso não acreditasse na tua força.
E morre parte de mim vendo você dopada desses remédios. Queria estapear teus pais e te carregar no bolso pra todo canto, menina. Não posso por ainda ser minúscula demais. Arriscar tudo agora seria correr o risco de parar no meio da estrada com você, todavia tenho de continuar e é por nós duas. Porque se morro vendo você se dissolver aos pouquinhos, quero viver sempre que você sorri. E eu quis viver quando me dissera que não terminou o corte por não querer me deixar. Não me deixa, menina. Não me deixa, viver sem te ter no final do espetáculo aplaudindo de pé seria jogar uma existência no lixo. Não me deixa, não posso viver pela metade só por você jamais ter acreditado na tua luz. E como brilha, meu deus. Entrou pro meu mundo tão quieta, tão monossilábica, apreensiva... agora é cada letra de verso na parede, é cada hora em que volto a ser criança, é cada hora que não deixei de ser.
Como brilha a menina que me permitiu ser, entendeu e foi também. Não me deixa, pequena. A gente nem sequer tirou uma foto bonita juntas ainda, lembra? A gente ainda não virou mochileira, não comemorou aniversário dançando a noite inteira, não foi andar a cavalo na fazenda da tua vó. A gente ainda não envelheceu por fora.
Pega aqui o que sobrou p'reu fazer por ti. Vem cá, pequena, revira aqui dentro: você é mais atenta e ainda deve ter algo lá. Me ajuda a encontrar, agarra e leva embora - quem sabe algumas margaridas não brotam no caminho?
Sai desse quarto e abre a janela. Estende os braços pro teu passado e pro que construímos - vai, menina, vai ficar arrepiada de si própria. Dá pra mim algo a oferecer além do colo e do tapa. Meu amor é maior que isso, ele abraça cada partícula no espaço sentimental entre consolar e bater. Imenso. O espaço, o amor. Não me deixa, vai dormir e devolve meu sono só hoje.
Tranca esses comprimidos na gaveta. Toma as lembranças doces e os sonhos no lugar. Toma as frases daqueles filmes, os trechos de livro e as nossas lágrimas derramadas de esperança, menina. Eles alucinam, só que é pra te fazer cintilar pelo caminho.
E enxergar as margaridas...
Postado por Nathália. às 6:30 PM 3 comentários
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Filosofia
Ela observava. Havia quem dissesse que se cruzaram antes e, olha, era verdade. Mas tinha vergonha: a bailarina, naquela manhã de maio, de aparência um pouco pior devido à noite mal dormida de ansiedade, estava desesperada demais querendo ser compreendida. E, como sempre, ela se rendeu ao primeiro revelado como um pouco mais profundo que os outros e os esqueceu - tanto aqueles de fato superficiais, quanto quem poderia tê-la compreendido caso tivesse sido visto. Acontece que o frio os havia tornado transparentes.
Sofia não dançava. Ou pelo menos não admitia. Nem sequer era adepta daquela idéia maluca de o mundo ser um palco e a existência, uma improvisação teatral absurda na qual uns momentos de glória aqui e acolá dão o clímax e o sentido completo. Sofia era tão diferente! A bailarina ainda era muito perdida quando soube a razão, sentindo-se, inclusive, menor. Havia nessa diferença uma praticidade recheada de personalidade e boas ações. Era isso! Sofia não era poeta: era a ação sobre a qual se escreveria, sobre a qual se pensaria e seria, enfim, admirada e guardada como esperança. E tudo isso de uma forma mais presente que o mundo ao redor.
Ela observava. E já fazia tempo! Entre nada mais que monossílabos, "oi, tudo bem?!" e um desejo verdadeiro que de estivessem sim, foi desejando e desejando até Sofia virar também parte da música que dançava.
[Continua. Eu acho.]
Postado por Nathália. às 2:24 PM 6 comentários
Impossível de catorze dias
Estou me dando conta agora. Picada e fora de ordem, até conseguir fundir o palpável com a bagunça aqui dentro: Moça, você estava namorando uma Possibilidade e há que ser certeza, nem que por um segundo.
Doeu demais ficar alheia a nós e poder ver que o "Sim, namoro você" era uma manifestação delicada de não-saber extremo. E era, Possibilidade. O amor de Túlio deixou de ser meu e não sabia direito o que fazer com isso, sendo tão mais perdida aí, que encarei você - primeiro humano desconhecido caído na minha tarde de junho - como se fosse um tipo de dádiva do contexto. E não era, Possibilidade... era apenas você.
Quis me desculpar, como quis. Todavia, no alheamento só de mim vi tuas chances e tua indiferença e, sabe, teríamos de ter passado por ele ao mesmo tempo. Não passamos. Ainda que estivesse você num estado de lucidez maior.
Conheça-te, Possibilidade, que envolver a alma dos outros em nós mesmos só vale a pena se for leve e se for livre. Quis então que, sim, você fosse feliz... e se me perguntassem o porque do término, diria sem excitação alguma ter sido por esse meu querer de te ver feliz além de independente, ser longínquo. Não nos enganemos de novo... Não quis envolver tua alma e mim hora nenhuma e você sentia. Deixou de lado por reconhecer que era possibilidade e só e, meu deus, a intensidade com que viramos súditos da Chance me derrubou e parei de querer te olhar nos olhos...
Longínqua e independente - e eu não podia mais.
Postado por Nathália. às 2:14 PM 1 comentários
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Don't know why
E era apenas uma menina quando ele ficou hipnotizado por seu sorriso pela primeira vez. Estavam os dois sentados naquele banco por que ela sempre passa, um de frente para o outro. Não se sabe ao certo, mas parece que sim, havia estrelas no céu e fazia um pouco de frio... e a garota pôde ignorar qualquer possível desconforto físico para olhá-lo nos olhos e tentar se espremer dentro. Conseguiu: estavam personificadas no sorriso as milhares de afinidades que iam se mesclando aos poucos para cobrir os buracos do passado e da vergonha deles. E cobriram até a manhã seguinte.
O coração na boca a fazia ponto de interrogação de uma maneira como jamais esteve, e até fez com que brotasse nela uma santidade quase mantida em segredo. Blogger: verdadeira solidão - Criar postagem
Desculpa, moço. A santidade dela são se manteve censurada porque queria dá-la a você a qualquer preço. Desde o dia em que as metáforas foram brincar de esconde-esconde e o Amor escorregou cru te espancando doce, ela só queria te deixar saber que te daria a mão esquerda e com a direita carregaria todos os teus medos, gritando silenciosa "Ei, você pode ser o que quiser!"
Foi sendo menina e só até os braços saírem pelas janelas do quarto e as pernas praticamente serem amassadas enquanto amontoavam-se nas portas, também afogada por toda história de vida flutuante no cômodo com velocidade da luz. Não era extensa, mas atingia tão diretamente e várias vezes que agora inexistia um espaço físico que comportasse a garota, as interrogações e o volume de sua santidade frustrada (este, sim, era astronômico).
Ali a única indagação palpável era como, pelos deuses, o quarto ficara minúsculo se os olhos dele a enxergavam cada vez mais nítida e até sentiam-na, dependendo da sobriedade dos dois. Foi quando se deu conta de estar começando a viver a complexidade no seu auge, por ser alheia. E viveu, meu bem. Viveu carregando com a mão direita e esquerda grudadas, num equilíbrio que por vezes pareceu não se suportar e superou a si mesmo, por fim. Atualmente habita a compaixão dela e é inquebrável.
My heart is dressed in wine...
"Tem sido assim pra você viver mais". Ia repetindo e repetindo baixinho sempre que cada "olá" trocado com ele provocava dor.
But you'll be on my mind forever...
As cartas não-entregues poluindo o caderno de Matemática não mentem... se dói é porque é bonito e ela pede pra não te preocupar não, moço, que amando a dor também é doce e não se estende a ti.
Postado por Nathália. às 8:22 PM 3 comentários
