20 de outubro
cobri que quando a gente dorme cedinho, perde o sono de madrugada e se levanta quando ainda tá quase escuro, as nuvens do céu ficam cor-de-rosa... prá compensar!assim como quem não quer nada,
tive o cuidado de esquecer
no banco as minhas asas dobradas.
20 de outubro
cobri que quando a gente dorme cedinho, perde o sono de madrugada e se levanta quando ainda tá quase escuro, as nuvens do céu ficam cor-de-rosa... prá compensar!Postado por Nathália. às 6:28 PM 3 comentários
Sabe que fiquei com aquela frase na cabeça?
"Tem gente que nasceu pra certas coisas na vida. Eu fui nascida para perdoar."
Deus meu, agora penso que é a concentração da essência de uma mulher. Perdoar. Por entender cada traço de culpa em cada tonelada de Arrependimento, mais do que é humanamente conhecido, mais do que é ocidentalmente tragável. Perdoar. Porque aquele assaltante chegaria em casa de noite, sentaria no chão e veria que a correntinha se arrebentou e já não vale muito. E que só consegue comer por jogar na cara dos outros o maior temor que assola um ser, humano, que é o de não mais poder se mostrar como queria. Perdoar desejando. Voltar no tempo para dar-lhe o pingente de cristal caído entre os seios quando ele puxou.
[é que assim ganharia uns trocados e a Ilusão: viver da submissão de transeuntes vale a pena. é que nem a pior das criaturas merece, ainda que num instante inconsciente, morrer de dó de si mesmo, meu bem...]
e eu desculpo.
Postado por Nathália. às 12:53 AM 8 comentários
Ora, parece que mais uma vez tudo se esvaiu.
À primeira vista, Sofia era um tango - arrancava desejo e suspiros doce e sutilmente. Acontece que, à segunda vista, era apenas uma melodia de sala de aula, quadrada como ela só, e os vestígios de dor remanesceram justamente porque são quadradas: os quatro ângulos retos as tornam dolorosamente necessárias.
Parece que sua participação terminou aí.
Sofia veio como um presente. Cedeu um pouco de luz. Enxergada. Então, foi-se embora quando já não havia mais reação ou face para irradiar.
E os vestígios de dor remanesceram justamente porque essa ida deu-se bem na hora em que a bailarina estava por um triz de se doar como nunca. Ficaram mais de dez folhas manuscritas de pura entrega do lado de lá, e respira aliviada por não ter ficado raiva, não.
Um presente. Ela havia guiado a bailarina num momento decisivo; estado de sítio do lado de dentro. "Seria regredir e achar que aquilo era vida ou seria apoderar-me da quietude e do compasso do tempo para espalhar ao mundo?" ...É, Sofia, ela escolheu viver e muito obrigada. Agora acaricia os manuscritos e aceita... Você nunca imaginaria (e muito obrigada).
É que te ama. Poderia usar daqueles conceitos teus para amenizar, porém não! Ama do seu jeito. Sem demandar tempo. E você existe no planeta Terra exatamente na mesma hora que ela até um dos dois morrer, e não fazer algo dessa simultaneidade seria calar a boca e ah, minha querida, o que move aquela existência é o tanto que tem a dizer... acreditaria se dissesse que é maior que a gratidão?
Linhas do teu rosto em todo lugar, e que você agora seja a música de alguém mais são e que a alegria seja real. O que alimenta aquela existência é a necessidade de crença num segundo de paz sem as sapatilhas: se os pés não puderem ficar descalços jamais, como a bailarina vai envelhecer um dia? Que seja real porque a paz É tua alegria.
Ela ama. Entendeu enfim que amar não é depositar os medos e as esperanças no outro em troca de leveza, é apenas fundir duas porções de solidão naturalmente, com disposição para suportar os extremos que trazem consigo de forma inevitável, tendo consciência de si para dali haver beleza em maioria.
Na última página que segura nas mãos, "Este capítulo é pra dizer que sinto que nos separaremos. Você irá embora do quarto e eu vou rodopiar n'outro corredor. É o que subentendi da nossa última conversa, é a razão do pedido de desculpas. Sinto muito se causei caos na tua liberdade... o caos sou eu, não adianta, mas a simples chance de comprometer tua liberdade me faria muito pior. Preciso daqueles que têm algo pra acreditar profundamente para continuar. Sei lá quando ou se voltarei a escrever isto. Eu gostaria muito"...
... Só não quer atrapalhar.
Postado por Nathália. às 8:20 PM 2 comentários
Na madrugada de sexta para sábado, coloquei as sapatilhas na mala. Eu não dançaria, mas senti que precisava. Foi um ato quase mecânico, movimento involuntário. Um treinamento para o dia em que precisarei mesmo delas perdidas no monte de roupas bagunçado... ele se aproxima e me arranca lágrimas toda tarde.
Assim que me prometi que não abriria mão deste estilo de vida só por estar no último ano de escola, pude mergulhar e segurar em arte e alma como nunca. Vieram epifanias desenfreadamente e uma vontade vísivel de contá-las - com as palavras, com o corpo, fotografando gente desconhecida naquela tarde de sábado (o fato de estarem ali os imprimia também em mim e dizia que ouviriam, sim. E desde então me apaixonei pelos velhinhos com cara e cheiro de vó).
Levei as sapatilhas e não as folhas em branco. Cansei de, ultimamente, me referir à própria vida como se fosse um narrador onisciente e sem o que fazer d'um conto de Machado. Temi que fosse fazê-lo novamente. Não as levei, embora não estivesse diminuída a vontade de contar confessando que havia fragmentos meus em cada rua onde pensei que o vi. Talvez eu tenha contado, porém quieta, e talvez tenha sido o silêncio da confissão quem me disse ontem que estou absurdamente só, de uma maneira indolor e benévola, necessária, escolhida: o silêncio ainda basta no auge de vários e vários sentimentos, todos sabem. Foi um grande vazio.
Quase 21h e 30 min a hora que saí do Grande Teatro. Uma coisa foi, há três ou quatro anos, chegar ali pela primeira vez e conhecer o Grupo Corpo e não ter o que dizer. Outra foi voltar, ano após ano, enquanto ou lia ou conversava com ou sobre aqueles bailarinos, até chegar 2007 e eu saber o nome de cada um e pedaços de histórias de vida. Outra coisa por ser mais iluminado, na certeza de que para aquilo, o Corpo em questão não é o estético, é o conjunto. E sem um quê de loucura (e vontade de contar) nada acontece e ele não é corpo, apenas órgãos maravilhosamente organizados sem função divina. Iluminei-me eu.
Depois achei que fosse morrer. Não, não é uma hipérbole.... sempre que volto de algum lugar inundada de certeza, acho que vou morrer ali mesmo pro mundo seguir sem saber de nada. Sei lá se foi deus ou só razão modificada para o belo, sei que me inclinei para tal por um momento: não morreria como platéia, nem com os pedaços espalhados nas ruas. Eu chegaria em casa, veria as fotos em tamanho maior e recordaria minha solidão. Então, viveria mais que ontem pelas avós, pelos desconhecidos, pelos traços de inocência em tudo quanto vi, pela reciprocidade inesperada na contemplação de sei-lá-o-que, dada a mim por aquele venezuelano da praça. À flor da pele pelo aplauso, viveria tentando ser Inteiro e continuar inteira.
No tamanho, na plenitude: foi um grande vazio.
Postado por Nathália. às 12:50 PM 1 comentários
De repente ficou tudo um pouco menor.
Viver é tão estranho, menina. Numa hipocrisia tremenda, nos rendemos a preceitos esdrúxulos, a rótulos dos quais sempre juramos que fugiríamos... vivemos tanto essa hipocrisia, que qualquer possível pedido de ajuda parece distante e não é. Foi tudo por tanto tempo uma super estimação de mim e de ti, que se você pediu ajuda em silêncio num momento ou outro não ouvi. Juro, se soubesse que chegaria a esse ponto, eu teria crescido primeiro só pra tentar te mostrar o caminho e deixá-lo mais iluminado. Eu o teria enfeitado de estrela e de flor. Mas foi tão bonito crescer junto contigo, menina... tão bonito, e agora, apesar de alcançar meu paraíso cada dia mais e aos poucos, morre parte de mim ao te ver estagnada no meio do caminho, já escuro. Sai daí. Sei que você pode, não teria cedido minha alma e minhas crenças a ti em quase todo momento de nossa vida caso não acreditasse na tua força.
E morre parte de mim vendo você dopada desses remédios. Queria estapear teus pais e te carregar no bolso pra todo canto, menina. Não posso por ainda ser minúscula demais. Arriscar tudo agora seria correr o risco de parar no meio da estrada com você, todavia tenho de continuar e é por nós duas. Porque se morro vendo você se dissolver aos pouquinhos, quero viver sempre que você sorri. E eu quis viver quando me dissera que não terminou o corte por não querer me deixar. Não me deixa, menina. Não me deixa, viver sem te ter no final do espetáculo aplaudindo de pé seria jogar uma existência no lixo. Não me deixa, não posso viver pela metade só por você jamais ter acreditado na tua luz. E como brilha, meu deus. Entrou pro meu mundo tão quieta, tão monossilábica, apreensiva... agora é cada letra de verso na parede, é cada hora em que volto a ser criança, é cada hora que não deixei de ser.
Como brilha a menina que me permitiu ser, entendeu e foi também. Não me deixa, pequena. A gente nem sequer tirou uma foto bonita juntas ainda, lembra? A gente ainda não virou mochileira, não comemorou aniversário dançando a noite inteira, não foi andar a cavalo na fazenda da tua vó. A gente ainda não envelheceu por fora.
Pega aqui o que sobrou p'reu fazer por ti. Vem cá, pequena, revira aqui dentro: você é mais atenta e ainda deve ter algo lá. Me ajuda a encontrar, agarra e leva embora - quem sabe algumas margaridas não brotam no caminho?
Sai desse quarto e abre a janela. Estende os braços pro teu passado e pro que construímos - vai, menina, vai ficar arrepiada de si própria. Dá pra mim algo a oferecer além do colo e do tapa. Meu amor é maior que isso, ele abraça cada partícula no espaço sentimental entre consolar e bater. Imenso. O espaço, o amor. Não me deixa, vai dormir e devolve meu sono só hoje.
Tranca esses comprimidos na gaveta. Toma as lembranças doces e os sonhos no lugar. Toma as frases daqueles filmes, os trechos de livro e as nossas lágrimas derramadas de esperança, menina. Eles alucinam, só que é pra te fazer cintilar pelo caminho.
E enxergar as margaridas...
Postado por Nathália. às 6:30 PM 3 comentários
Ela observava. Havia quem dissesse que se cruzaram antes e, olha, era verdade. Mas tinha vergonha: a bailarina, naquela manhã de maio, de aparência um pouco pior devido à noite mal dormida de ansiedade, estava desesperada demais querendo ser compreendida. E, como sempre, ela se rendeu ao primeiro revelado como um pouco mais profundo que os outros e os esqueceu - tanto aqueles de fato superficiais, quanto quem poderia tê-la compreendido caso tivesse sido visto. Acontece que o frio os havia tornado transparentes.
Sofia não dançava. Ou pelo menos não admitia. Nem sequer era adepta daquela idéia maluca de o mundo ser um palco e a existência, uma improvisação teatral absurda na qual uns momentos de glória aqui e acolá dão o clímax e o sentido completo. Sofia era tão diferente! A bailarina ainda era muito perdida quando soube a razão, sentindo-se, inclusive, menor. Havia nessa diferença uma praticidade recheada de personalidade e boas ações. Era isso! Sofia não era poeta: era a ação sobre a qual se escreveria, sobre a qual se pensaria e seria, enfim, admirada e guardada como esperança. E tudo isso de uma forma mais presente que o mundo ao redor.
Ela observava. E já fazia tempo! Entre nada mais que monossílabos, "oi, tudo bem?!" e um desejo verdadeiro que de estivessem sim, foi desejando e desejando até Sofia virar também parte da música que dançava.
[Continua. Eu acho.]
Postado por Nathália. às 2:24 PM 6 comentários
Estou me dando conta agora. Picada e fora de ordem, até conseguir fundir o palpável com a bagunça aqui dentro: Moça, você estava namorando uma Possibilidade e há que ser certeza, nem que por um segundo.
Doeu demais ficar alheia a nós e poder ver que o "Sim, namoro você" era uma manifestação delicada de não-saber extremo. E era, Possibilidade. O amor de Túlio deixou de ser meu e não sabia direito o que fazer com isso, sendo tão mais perdida aí, que encarei você - primeiro humano desconhecido caído na minha tarde de junho - como se fosse um tipo de dádiva do contexto. E não era, Possibilidade... era apenas você.
Quis me desculpar, como quis. Todavia, no alheamento só de mim vi tuas chances e tua indiferença e, sabe, teríamos de ter passado por ele ao mesmo tempo. Não passamos. Ainda que estivesse você num estado de lucidez maior.
Conheça-te, Possibilidade, que envolver a alma dos outros em nós mesmos só vale a pena se for leve e se for livre. Quis então que, sim, você fosse feliz... e se me perguntassem o porque do término, diria sem excitação alguma ter sido por esse meu querer de te ver feliz além de independente, ser longínquo. Não nos enganemos de novo... Não quis envolver tua alma e mim hora nenhuma e você sentia. Deixou de lado por reconhecer que era possibilidade e só e, meu deus, a intensidade com que viramos súditos da Chance me derrubou e parei de querer te olhar nos olhos...
Longínqua e independente - e eu não podia mais.
Postado por Nathália. às 2:14 PM 1 comentários
E era apenas uma menina quando ele ficou hipnotizado por seu sorriso pela primeira vez. Estavam os dois sentados naquele banco por que ela sempre passa, um de frente para o outro. Não se sabe ao certo, mas parece que sim, havia estrelas no céu e fazia um pouco de frio... e a garota pôde ignorar qualquer possível desconforto físico para olhá-lo nos olhos e tentar se espremer dentro. Conseguiu: estavam personificadas no sorriso as milhares de afinidades que iam se mesclando aos poucos para cobrir os buracos do passado e da vergonha deles. E cobriram até a manhã seguinte.
O coração na boca a fazia ponto de interrogação de uma maneira como jamais esteve, e até fez com que brotasse nela uma santidade quase mantida em segredo. Blogger: verdadeira solidão - Criar postagem
Desculpa, moço. A santidade dela são se manteve censurada porque queria dá-la a você a qualquer preço. Desde o dia em que as metáforas foram brincar de esconde-esconde e o Amor escorregou cru te espancando doce, ela só queria te deixar saber que te daria a mão esquerda e com a direita carregaria todos os teus medos, gritando silenciosa "Ei, você pode ser o que quiser!"
Foi sendo menina e só até os braços saírem pelas janelas do quarto e as pernas praticamente serem amassadas enquanto amontoavam-se nas portas, também afogada por toda história de vida flutuante no cômodo com velocidade da luz. Não era extensa, mas atingia tão diretamente e várias vezes que agora inexistia um espaço físico que comportasse a garota, as interrogações e o volume de sua santidade frustrada (este, sim, era astronômico).
Ali a única indagação palpável era como, pelos deuses, o quarto ficara minúsculo se os olhos dele a enxergavam cada vez mais nítida e até sentiam-na, dependendo da sobriedade dos dois. Foi quando se deu conta de estar começando a viver a complexidade no seu auge, por ser alheia. E viveu, meu bem. Viveu carregando com a mão direita e esquerda grudadas, num equilíbrio que por vezes pareceu não se suportar e superou a si mesmo, por fim. Atualmente habita a compaixão dela e é inquebrável.
My heart is dressed in wine...
"Tem sido assim pra você viver mais". Ia repetindo e repetindo baixinho sempre que cada "olá" trocado com ele provocava dor.
But you'll be on my mind forever...
As cartas não-entregues poluindo o caderno de Matemática não mentem... se dói é porque é bonito e ela pede pra não te preocupar não, moço, que amando a dor também é doce e não se estende a ti.
Postado por Nathália. às 8:22 PM 3 comentários
E a vejo certa de que encontrou o amor de sua vida.
(Ele toca o interfone e saímos nós duas - ela num estágio de euforia desesperada que me faz trocar olhares com as paredes e o chão... É verdade, encontrou o amor de sua vida.
Seu Orfeu de olhar cansado faz monólogos dos seus problemas, esconde-os e, como jamais ousei tentar, transforma o ar dela: agora cheira a algodão doce.
Meio-sorriso em mim. Meia-volta. Quero achar bonito mais de longe e sem interferir no arco-íris infinito que cabe no mínimo de espaço entre aqueles dois.
Assento na escada e o teto me chama... e me lembra da voz tão igual à do meu primo que, entre um monossílabo e outro, soube se fazer viva em mim como aquele arrepio a cada"eu te amo" inevitável e proibido que trocamos.
É, ainda que eu vá ficar envergonhada e tomada pela quietude oriunda dessa minha necessidade absurda e frequente de sentir saudades até quando estamos conversando, queria esbarrar com ele por aí e lhe falar.
O acúmulo de saudade me fez mais derretível e certa de que não temo relacionamentos como antes, por tê-lo tido pra querer ficar comigo pra sempre. E eu sei, qualquer instante de transe leva parte de mim pro lado dele e sussurra assim: "Você pode beber demais, desaparecer, ocupar a reitoria da universidade que for, que sempre vou cuidar de ti e nada toma teu lugar".
Enquanto poso de santa pra ter a chance de ser silenciosa do teu lado, continuo achando os dois bonitos no portão sendo silenciosos juntos, cientes da grandeza do ato.
Enquanto o pensamento é fixo em você, sorrio e ignoro o óbvio... estamos nós quatro ainda meio em pedaços.
Enquanto o pensamento é fixo em você, sou só Nostalgia e viro uma poça de suor.
Postado por Nathália. às 9:36 PM 1 comentários
Mas é que também cansei de ouvir de uma das pessoas mais importantes na minha vida que a dança não leva a nada...
Eu me recuso a crer que vivi uma mentira por anos.
E como a Mari diz, caso tenha vivido, não me arrependo porque das mentiras, a arte é a mais verdadeira.
Se falo em "viver", é porque só fui fazer isso direito no dia que acordei e fui dançar. Nunca vai me doer falar isso.
Há alguns dias, alguém que admiro muito veio me procurar e dizer que estava orgulhosa de mim. Desde esse dia, me provei mais uma vez que jamais precisava duvidar do quão longe eu posso ir... ter meu amor, fascínio, estilo de vida declarado e notado assim, sem precisar palavrear nada, mais que um objetivo, foi algo que fiz pouco a pouco, respeitando meu tempo e conciliando corpo e alma. Ninguém me tira isso... podem me chamar de louca e inconseqüente e o resto, que ser o que sou hoje por ter olhado pra mim mesma e me escutado está acima de qualquer incompreensão dos outros.
Você, pai, me disse que eu não seria bailarina da forma mais rasgada do mundo. Me deu o choro, a dor de cabeça... mando minha revolta pro inferno e o que te dou de volta, são os vestígios dela manifestados nessas linhas e a garantia de que será a última vez que se manifestam.
Sei que estávamos ocupados demais. Enquanto eu criava maneiras de ir me desprendendo de ti, você se ocupava de dar toda sua compreensão pra filhos de outras pessoas. Sei que não nos conhecemos como poderíamos, hoje eu quis mudar isso ... só não quero mais porque te dar a oportunidade de me ver claramente seria murchar um pouco... Seria abandonar tudo aquilo que concluí e em que me agarrei sem precisar tanto de ti, porque estaria absorvendo a sua maneira de pensar, e ela é mais intolerante que a minha.
Não posso.
É uma vontade maior que eu a de continuar me ouvindo e motivar quem se aproxima a se ouvir também... uma vontade imensa de agarrar a oportunidade de ser o que quiser, e não resumir uma vida em faculdade de direito e medicina, 8 horas de trabalho previsível, casamento com o sexo oposto (claro, desde que seja cristão, mais rico e racional) e filhos que brincarão de video-game, passearão na Disney e um dia fumarão maconha pra experimentar.
Queria muito me sentir culpada por criar laços com os únicos, perdidos, que já enfiaram o dedo num pote de tinta prá colorir a vida e ainda enquanto crianças, já haviam ouvido atentamente os traços de compaixão, amor e saudade nas situações restritas a seus mundos ainda pequenos (que, mais tarde, fizeram-lhes compreensivos, abertos, fortes e inquebráveis)... só que não dá, não... você desculpa a minha falta de culpa? =)
Porque eu te amo além da sua falta de crença.
Talvez daqui a alguns anos eu vá ver que seja, sim, falta de humildade, rebeldia, ignorância da minha parte... mas é que agora, soa como ...
vontade de ver florescer.
Só não me desculpo MESMO é por sonhar apesar de.
Postado por Nathália. às 5:56 PM 2 comentários
A cabeça meio baixa encostada no ombro com o meio sorriso.
Porque quando a gente sentiu, sentiu e sentiu sentindo sem gritar pro mundo, quando finalmente decidimos dividir, vem um receio, até meio doce ele, sabe?!
E por isso não consegui distinguir um bobo e um apaixonado de mim.
Percebo que meus posts vão assim, ficando cada vez menores enquanto vou me esticando verticalMENTE, até que consiga me dobrar um segundo, voltar pra mim por dois, me explicar de novo. Tento:
Boba, apaixonada e eu. Como nunca.
Só tinha de ser com você. Por você, quem sabe.
Só tinha de ser com ela, no pas de trois simultâneo à minha tentativa de declaração de amor eterno por gestos, sentidos e olhares.
Só tinha de ser com aquela vontade, estampada na lente, que sufocava e era maior que a respiração cansada que já me doía na hora do aplauso. Por ela, com toda a certeza do mundo.
Tudo feito de azul, então.
Com um sorriso no rosto, morando nesse azul: eu sem nunca mais querer tocar o chão.
Postado por Nathália. às 8:41 PM 4 comentários
Porque a moça no palco ontem não era a amiga do Otávio, nem da Mariana.
Nem a que briga com a força muscular todo dia, não era a que sempre quis uma declaração daquelas ao pé do ouvido e quando teve, não se permitiu.
A moça de ontem se fez Vento pela melodia e se fez melodia pelo toque num casamento consigo mesma, solando por todo(s) o(s) seu(s) eu(s) e por todos.
E foi musa do Tom...
Postado por Nathália. às 12:46 PM 2 comentários
Depois desse tempo todo, escrever teu nome assim, cru e sem metáforas me dá um frio na espinha.
Sei que disse que pararia de publicar as cartas, porém, essa é a última.
A cada vez que converso contigo, um sentimento extremo desponta em mim... às vezes, saio rodando, rindo, rezando (pra você cair do céu nos meus braços), só que em nosso último diálogo (de um só, talvez) senti desgaste.
Sabe, Túlio, preciso de alguém que, em plena noção de si mesmo, não planeje relações inter-pessoais, nem estabeleça critérios para viver com alguém. Eu preciso, meu bem, é de qualquer pessoa que saiba se entregar de corpo e alma, que saiba criar sorrisos através da rendenção aos próprios sentimentos. Preciso de alguém que ria da graça da surpresa e ache lindo quando uma pessoa vem do nada e nos marca a vida pra sempre, nos faz perder a cabeça. Sem pressa, sem cessar. Paixão exalada dos poros, à medida em que cada respiração vai fazendo mais e mais sentido e cada segundo se tornando denso por causa dele... (e da sua respiração também! Tangente a minha...).
E eu te agradeço. Tanto...
Amando você, fiz parte do meu mundo dançar junto, cantar meu canto... e nessa sintonia divina que se deu só porque existimos ao mesmo tempo, cheguei a lugares onde aprendi até mesmo que letrinhas andam de bicicleta.
Só não te agradeço mais porque você me enganou... sim, me levando a crer por todos esses meses que fui feita pra ficar sozinha quando, na verdade, foi você.
Sempre existi às avessas e por carregar isso comigo há dezessete anos, qualquer um a quem eu conquiste, ganha minha história e então, minha essência e então, meus contrários grudados. E você, meu bem, tornou-se Avesso por tudo aquilo que ainda não conseguiu superar e, conseqüentemente, não sabe transformar em doçura. E por isso, encara flores como flores, seres humanos como animais e os animais, como microbióticos... enquanto pra mim são fragmentos do corpo por completo, que num mutualismo infinito, vivem comigo de mãos dadas. São todos espelhos. Íris.
Sabe, Túlio, que seja Tudo que pode ser. Que só sobreviva: nunca vou te abandonar, mas, conforme Ritinha bem me ensinou, o que disse que te dava, nem a mim pertence mais.
Postado por Nathália. às 12:52 PM 5 comentários
Três. Menininhas-quase-mulheres, com seus problemas peculiares, gritos e desequilíbrios que isolam cada uma em cada canto.
Olha, minha menina número 1: te juro que se fosse médica, mandava da maneira que fosse um jeito pro teu tio ficar bem. Eu realmente não sabia do quanto você era importante prá mim até hoje. Fora de página escrita ou após um diálogo denso na tela, ninguém tinha me arrancado lágrimas só ficando parado procurando respostas. Mas você fez. Como disse Cecília, havia uma ausência tão presente em você, que eu entendi tudo através das asas que ganhou naquela hora. Então se você quiser chorar de novo comigo, liga aqui, viu?! Sempre estive disposta a esquecer tudo de ruim que me contaram de você, e depois de hoje, estou disposta até a não acreditar em nada. Você é linda e precisa de força. Não digo prá tirar essa força de mim, seria me superestimar até a alma, mas qualquer coisa, jura que liga aqui. Eu vôo.
Menina número 2: eu te amo incondicionalmente. E vamos que vamos, entre promessas de amores, moicanos, cantando Wish you were here com alguém no violão. Sempre lá, prá te lembrar da tua beleza e falar com jeito quando a bebida subir demais e você quiser contactar amores mal-resolvidos passados. ('Eu te amo'' olho-no-olho entontece mais e eu te desejo toda a intensidade do mundo).
Menina número 3: Não, cresce, não, bailarina. E abraça tudo aí que der, porque você agora sabe, que nunca antes foi tão feliz assim.
Eu precisava.
À nós. Três meninas-quebra-cabeça, que se juntam e se completam e a existência das outras duas basta para um choro de felicidade, um sorriso bobo por causa da lua e para se fazer luz.
Hoje o universo dentro de cada uma é almofadado e hoje tudo ficará bem, minhas queridas.
Bem e cheio de estrelas.
Postado por Nathália. às 11:47 PM 3 comentários
Às meninas pelas metades, ao Tu que li ontem e aos terráqueos terrivelmente cientes disso.
Sabem, é isso. Uma entrega e uma luz que vem de dentro que me derruba e faz maior. Pela melodia, pela letra e pelo não dito: permaneço. E vou me entregando assim, exatamente. Luz da lua, da lágrima, da amelice. Luz em mim, em fim.
E vocês aí d'outro mundo, não tentem me fazer diminuir! O mundo de vocês precisa é de mais "vocês", posso trazê-los, achar bonito, só que acho de longe. Não quero fazer parte. O meu precisa é de silêncio, e eu de pó de breu prá deslizar sem pressa. Daí só quero a beleza... para chorar, chorar de rir, chorar comigo.
Cada momento é uma lembrança de alguém a quem poderia estar unida, e acontece que não quero mais, não, moça.
Não vou pertencer e não me interessa ter forma. Quero continuar partícula carregada prá cá e prá lá pelo que eu vejo. E como o que vejo é praticamente o que sou, vou continuar sendo minha própria fonte de energia. [Como já disse várias vezes] Sendo fantasma de tão viva, sendo muito sendo nada. E sendo sempre e sendo só.
(E a ti meu bem, desejo boa viagem. Que tuas irmãs te façam ver o quanto és lindo, e que entendas que te amo, e que me mantenho MuitoeSó também para ver-te sorrindo na maior parte dos dias - terrestres, que os meus já são puramente o teu sorriso mais sincero... contados em conchinhas!)
Postado por Nathália. às 1:03 PM 2 comentários
tu, li o teu corpo e arrepiei,
que do teu todo não sei
...mas a multiplicidade me encanta.
[e mata. e justifica.]
Postado por Nathália. às 3:35 PM 2 comentários
Entrei lá cheia de Sabina Spielrein e saí cheia de saudade.
Entre várias palavras, espontaneamente bem cuidadas, foi tão lindo que nos abraçamos verbalmente e um quis ver o outro... me perguntei porque só fica tão claro quando ele bebe um pouco e quando eu dormi bem na noite passada. E já que sono também é entorpecente, quis muito saber porque os dois precisam de estar bêbados para pertencer.
Confessei que por vezes, queria ser uma pedra, mas ele não gostou, prefere os cometas.
Perdidos em confissões abstratas e é claro que me rendi:
Hoje quis ser o mar. Por ser um mundo que ele teme, mas que tocaria com os pés se estivesse mais perto.
Postado por Nathália. às 7:11 PM 5 comentários
Como minha alma está também nas tuas palavras, quando são lançadas e colidem comigo é alma².
Espaço insuficiente para tanto eu!
Aí ocorre uma explosão: lágrimas salgadas e meus lábios franzidos em queda livre até outra gravidade maior abraçar.
Postado por Nathália. às 4:05 PM 3 comentários
... Mas sobre o tempo gelado que faz sol.
É lindo demais.
Gosto de acordar com a cara amassada, com sono e com a luz do sol bem amarela e bem nos olhos. Gosto de precisar de um moletom apesar da luz, porque sempre disseram que sol e frio não se gostavam, daí vejo que não é verdade, prá sorrir pensando em todas as vezes que defendi os "opostos que andam junto" (era assim o texto?!).
Aliás, essa semana me rendeu um fato engraçado por causa desse post antigo.
Creio que já comentei com alguéns, mas agora admito a todos que, quando tenho que escrever por obrigação, encontram-se trechos de postagens antigas espalhadas. Não é pelo fato de minha inspiração ter hora, mas é que é tão estranho ler para quem não sente, que tento me simplificar com o que já existe. Com o que já existe em mim.
A proposta era remontar poeticamente um desses textos clichês, cujo autor não se sabe e é mais fácil falar que é de Shakespeare... lidos por pessoas que se emocionam com eles no momento, até o último ponto final, quando elas saem da sala para continuar sendo o mesmo tédio de antes.
Não montei nada. Quebrei. Quebrei cada verso a partir desse ponto de vista sobre os leitores de shakespearesgratuitos, finalizando a quebra com frações dos meus limites, meios, opostos que andam junto.
A graça?!
Involuntariamente, insultei mais da metade da sala de aula no meu quebrar (e mais da metade desse mundo, meu deus), entretanto, ganhei mil aplausos e parabéns pela criaç... reafirmação da alma.
Foi aí.
Aí que eu me desprendi.
Não vivo mais o que já morreu... não vivo mais as pessoas como um todo. Vivo as desconhecidas, e só quando há paz em mim, por ter me apaixonado pelo frio que vai chegar, ou pelo mar de julho, ou pela flor cor-de-rosa nova do jardim. Vivo-as quando há espera ou amor maior que eu pelo que já existe e não é humano.
E na tristeza, só vivo quando, já com as sapatilhas nos pés, começo a tocar o chão com elas e sentir as bolhas e ainda assim continuo a tocar, até tirar e ver que os dedos sangram. Vivo por saber que dessa dor não morro. E a escolhi. É, aí eu vivo: é a única coisa que realmente tenho prá perder e não vou. Por sentir que os pés não suportam só as duas pernas, o tronco, a cabeça, os cílios alongados com máscara: suportam também o peso da dor que não se dança.
Aí eu fico aqui. Encantada com o frio que abraçou o sol e com o último texto da Menina ao Meio, embaixo do cobertor de pijamas aguardando julho prá ver o mar.
De pijamas, com os pés cheios de band-aids e esparadrapos... por essa semana eu ter vivido mais que suportava realmente.
Postado por Nathália. às 8:22 PM 4 comentários
"(...) aos montes.
... Em troca, prometo parar de publicar o que te escrevo. Desde quando falei que te daria Eu. Se antes não era de todo verdade, porque qualquer alma um pouco mais doce entendia e me alcançava as palavras, agora é.
Aqui, ó: meus verbos, segundas, terceiras pessoas, reticências, subjuntivos.
Um dia, talvez lhe entregue mesmo. Nesse mesmo dia, vou começar a rezar para que tais palavras te ajudem a se entregar aos quatro ventos, conforme condiz com teu merecimento. E condiz, sim viu?!"
... Agora virou diálogo de um só.
Postado por Nathália. às 7:59 PM 4 comentários