quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Da série "divagações na aula de matemática"



Contra quem usa frases pseudo-filosóficas no nick do msn

É. Aquelas mesmo, tipo "a felicidade é o caminho, logo, não há caminho para felicidade". Ou pior. Aposto que você tem umas cinco eqüidnas na lista que fazem isso.
O ato de aderir a elas em si não é insuportável. Caso fosse eu poderia me isolar do mundo e ser feliz. O que é ridículo é que os wannabes de Buda ignoram tais frases quando se deveria usá-las para a vida ficar cor-de-rosa e pokemons poderem saltitar alegremente duas vezes por dia. O que é ridículo e me mata é o fato de eu não saber deletar essas pessoas... da minha vida.
Os futuros autores de Minutos de Sabedoria têm uma resposta fofinha para cada conflito que exige que mandemos alguém para a puta que pariu, pregando a virtude da paciência. Acontece que quando são levadas aos seus limites agem como se tivessem o mal da vaca-louca.
Eles te julgam. Condenam. Te enviam textos plagiados de Shakespeare por algum autor contemporâneo e acham que Paulo Coelho é literatura. E como essas não fossem razões suficientes para criarmos um mundo paralelo, oh meu deus do céu, eles não sabem o que é mente aberta embora isso conste nos slides Power Point que te mandaram por e-mail ontem!!!!!!!!!
Sonhos? Realistas. Metas? Dinheiro. Tentativas de ser único? Frustradas. Auto-descrição? De personalidade. Descrição de alguem com Q.I acima de 30? Clichê. Opiniões? Clichê. Estilo de vida? Clichê. Amor? Clichê. CLICHÊ, CLICHÊ, CLICHÊ! AAAAAAAAAAAieeeee!
Então, queridos, saibam que frases pseudo-filosóficas são para gente burra. As que fazem sentido pela beleza são para legítimos sonhadores que sabem que falar uma coisa e fazer outra também é coisa de gente burra.
Logo, parem com esta porra. Ou se matem.
Obrigada.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Soundtrack: Depeche Mode, "Precious"

Things get damaged,
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle...


Sabe o que é passar segundos, minutos, horas e dias e meses e agora anos precisando ver uma pessoa?
TOCAR quem te entenda sem ser só com palavras lançadas para o cosmo e para ninguém, até que sejam encontradas por alguém que acha tudo fácil demais e as responda de uma maneira qualquer.
Tocar. Tocar, mesmo.
Agora há, finalmente, alguma chance de esse encontro acontecer e aquela tão pessoa tão desejada não tem certeza da reciprocidade da minha vontade de vê-la por causa de um passado.
Eu realmente não me importo com o que sua namorada acharia. E realmente não me importo caso a história se invertesse e se fosse ela quem encontrasse uma paixão antiga. Se eu me apaixonei por você algum dia foi porque você deixou. Já ouvi em alguma dessas linhas lançadas para o cosmo, mas que não encontraram alguém que acha tudo fácil demais e sim a mim, que sempre existe aquele momento em que você se permite entregar ou sair fora. Se eu escolhi a primeira opção foi porque tive razões, se elas existiram foi você quem me deu, nunca fui idiota.
Nunca fui tanto que não temo passado nenhum... até mesmo porque o que o marcou não existe mais. O que é existe é amor puro. Aquele altruísta e que quer sua felicidade de que eu sempre falo.
Aquele eterno...

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

A saga de Nathalia em busca de um lugar na platéia do Grupo Corpo


O pior de tudo... estes são fatos verídicos!!!!!!!!!!!!!

O Grupo Corpo é minha companhia de dança preferida desde que vi a obra Lecuona ano passado. Nunca havia encontrado nenhuma outra com uma movimentação com que eu me identificasse por completo... até aquele dia.
Prometi pra mim mesma desde aquele ano que jamais perderia algum espetáculo deles. Pena que para cumprir, foi difícil, viu..
Primeiro:
Anunciada a tournee pelo Brasil que começaria no dia 8 de setembro, antes do meio do ano. Agilizei em juntar a turma e combinar de ir. Combinamos.
Uma semana antes do grande dia: nossa motorista desistiu.
No dia seguinte tento organizar uma excursão com alguns bailarinos de onde eu danço. Minha professora de ballet diz que vai organizar.
Ela esquece.
Conto para minha amiga que se comove (?) com a minha história e diz que a mãe dela nos levaria e que ela compraria ingressos no dia seguinte.
Não comprou. E a mãe dela não ia levar ninguém.
Meu amigo tira onda dizendo que ele vai poder ir ver o espetáculo sem pagar nada e eu não, porque ele tinha "contatos".
Dou a idéia novamente para minha professora. Ela gosta.
E não faz nada DE NOVO!
Conto toda a história para a Juliana, que rapidamente se anima e convence a mãe dela de ir também e nos levar (reparou que se eu tivesse procurado ela logo no início eu não precisaria de passar por nada disso que eu escrevi aí em cima?)
Juliana deposita dinheiro do ingresso para o tio dela poder comprá-los pra gente.
Ingressos esgotados para todos dias.
Tudo estava perdido quando... Palácio das Artes abre seção extra na terça-feira!
Consegui o melhor lugar do Teatro.
Meu amigo me conta que não pode ir de graça e só conseguiu ingressos pelo dobro do preço que eu paguei.
Adivinha quem tirou onda aquele dia? *sorriso muito sádico*
Ele diz que vai de táxi.
Terça, dia do espetáculo: a mãe da Ju desiste de ir.
Terça a tarde: rezei e convenci a todos que eu poderia ir a Belo Horizonte a noite de ônibus.
Resultado: vamos no ônibus das 18h.
Chego a rodoviária e ela não estava lá.
Acontece que minha amiga Ju mora em outra cidade próxima, e no caminho ela pegou estrada em obras e dois caminhões imeeeeeensos a sua frente.
Perdemos o ônibus.
Ela chega a rodoviária e eu quase tendo um colapso nervoso.
A moça que trabalha lá disse que o próximo ônibus era às 19h e que não poderia trocar as nossas passagens pelo ônibus de 18h30min porque era de outra empresa.
Eu faço minha cara de piedade e começo a chorar (poxa, é o GRUPO CORPO!).
A moça troca as passagens finalmente.
No meio do conflito, quem aparece lá do nada? MEU AMIGO!!!!!!!!!!!!
Eu saio correndo em direção dele e ele me deu um abraço e me levantou e me rodou e foi igual cena de filme.
Somos 3 adolescentes saltitantes.
Na hora de entrar no ônibus, o motorista não aceita nossas passagens trocadas.
Torramos a paciência dele até ele ir lá falar com um outro cara que nos deixou ir, sim.
Já na estrada, até mesmo depois da cidade da minha amiga, quem sobre no tal ônibus??? o Cláudio!!!! Ele dançou comigo por anos e foi o mágico do meu espetáculo no ano passado! Não sei de onde ele surgiu até agora!
Ele vira e diz que se a gente tivesse ficado para o ônibus da 19h (e lembrando que isso implicaria em: trocar as passagens sem preocupações, não ter problemas com motoristas de ônibus, eu não passar vergonha com a mocinha da rodovíaria) a gente chegaria mais rápido, porque o caminho era diferente.
¬¬'.
20 minutos antes do espetáculo: "Três criaturas eufóricas vs. Tráfico da Avenida Afonso Pena Em Plena Capital do Estado" correndo desesperadamente para entrar na grande fundação Clóvis Salgado.
15 minutos antes: WE DID IT!!! \o/
10: nossos ingressos eram para a fila A, nós a encontramos e um infeliz disse que aquela era a fila B. Pior: eu conhecia esse cara da minha antiga escola... sim, numa outra cidade com MILHÕES de habitantes num espaço com MILHARES de lugares, eu vou me sentar ao lado de um jovem do meu passado que não sabe como o alfabeto funciona.
5: descobrimos que a fila B era a A, olhamos torto para o rapaz e nos sentamos.

Aí começou... o espetáculo e o post de hoje!!!

Companhia: Grupo Corpo
Espetáculos: Missa do Orfanato e Onqotô

A coreografia "Missa do Orfanato" é uma remontagem da peça original criada há dezessete anos, cuja trilha é a obra de Mozart escrita por ele aos doze anos.
É um espetáculo denso.... "bailarinos ritualizam o desamparo, o temor, o afligimento e a solidão inerentes à natureza inapelavelmente terrena e transitória da espécie humana".
Claro, são totalmente perceptíveis as peculiaridades do Rodrigo Pederneiras ainda assim e a surpresa vem exatamente daí: é preciso um GÊNIO para se fazer uma movimentação contemporânea dentro de uma musicalidade que, normalmente, não pediria isso e conseguir coerência e beleza.
A interpretação da Danielle Ramalho estava IMPECÁVEL...
Após Missa eu já estava extasiada. Sem saber o que iria me aparecer depois do intervalo...
O espetáculo Onqotô é a criação mais nova da companhia. A trilha foi feita pelo famoso cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso... e é simplesmente uma das obras mais lindas que eu já vi.
A abertura é um sapateado com todo o elenco e no cenário, criativo, maravilhoso como sempre, dava para ver as sombras deles atrás... o efeito foi MÁGICO. Havia momentos em que parecia que os bailarinos estavam surgindo do nada (obs: eles devem conhecer o Cláudio e esse surgimento não iria se distanciar muito da temática caso fosse real, haha).
Os questionamentos que todo mundo se faz em algum momento, sobre a grandiosidade (ou a falta dela) de cada um de nós diante do Universo.. estão todos ali, em cada gesto mínimo, e em cada olhar que fosse...
Uma parte surreal foi quando um bailarino, nu, sentado fazia movimentos com as costas e por mais simples que isso soe era impossível desvendar aquilo. Enxergava-se um mundo numa parte de corpo... não tem explicação.
E os dois duos, um masculino e feminino e outro feminino, que desafiavam a lei da gravidade, força, com a expressão mais sutil que existe...





Primeiro ingresso que guardei na minha caixa a la Amélie Poulain ;)

domingo, 10 de setembro de 2006

Eu quero uma piscina de bolinhas, uma cama elástica, o Matthew MacFadyen, ser a Pocahontas do primeiro filme da Disney, ter a voz de uma diva norte-americana, pegar um trem para Viena e encontrar o amor da minha vida, morar na Inglaterra do século XIX, passar uma tarde na praça de frente ao Teatro Guaíra olhando o tempo, um estoque vitalício de milkshake de ovomaltine e brigadeiro, conhecer o Baryshnikov, ficar trancada numa loja de brinquedos, falar a língua dos elfos, fazer um milhão de origamis, estar em dois lugares ao mesmo tempo e que crentes parassem de tentar me converter.
Obrigada.

domingo, 3 de setembro de 2006

Soundtrack: Björk, "All is full of love"

Já vi sentido naquele cara que disse que as transformações do mundo físico não passam de um processo mental e que nada se transforma de fato.
Não sei se o Universo começa de novo mesmo. Duvido da teoria do tempo linear mas não entendo o tempo cíclico também.
Ignorei tudo que a Física disse.
Sempre questionei sobre o tempo. Sempre soube que eu não cabia num intervalo determinado. E nunca ousei imaginar do que esse determinação me aproxima.
É claro, claro que acabei me agarrando ao subjetivismo de novo e negando uma realidade. E por isso nunca defini o tempo.
Só que... quando sua maior preocupação no momento é que tom de rosa colocar no cabelo e você acaba de saber que uma amiga, com seus mesmos 16 anos, está grávida...
Então o tempo é traiçoeiro.

domingo, 27 de agosto de 2006

Glory Box by Portishead.

tirei o vídeo daqui porque o youtube tirou primeiro, haha

I'm so tired of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play

For I've been a tempteress too long

Yes
Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman

From this time unchained
We're all looking at a different picture
Through this new frame of mind
A thousand flowers could bloom
Move over and give us some room, yeah

Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman

So don't you stop being a man
Just take a little look from outside when you can
Sow a little tenderness
No matter if you cry

Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman
It's all I wanna be, it's all, a woman

For this is the beginning of forever and ever

It's time to move over
So I wanna be

I'm so tired of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play

For I've been a tempteress too long...

domingo, 20 de agosto de 2006

Soundtrack: Kath Bloom, “Come here”

Sabe, é tão engraçado quando você acha coisas velhas e de valor sentimental por acaso.
Não, não é engraçado. Você chora e pensa.
Só então ri: se naquele seu rascunho de post escrito quando você tinha treze anos havia a conclusão de que você filosofa demais, seu “eu mocinha” ia ficar completamente pasmo se te visse agora, encontrando-se a si mesma em Nietzsche, Platão, Schopenhauer e na Celine de Antes do Amanhecer.
Você vê quase quatro páginas de caderno de matemática tentando contar porque você é o que é e por um instante acha patético. E logo vê que é aquilo ali, mesmo... que você existe na cena final de Dirty Dancing e porque se matava de dançar o clipe da Jennifer Lopez quando tinha nove anos. Você vê o convite a todos os leitores para irem te ver dançar no festival dia 14 de dezembro de 2003 (quando apresentaram O Quebra Nozes e você passou mal de chorar ouvindo Tchaikovsky da cochia) realizado pela escola de dança que era um sonho, e que agora nem te cabe mais. Você vê as expressões que inventou usadas no texto, que outrora fizeram seus amigos gargalharem e você vê o nome deles lá, mas nem sabe quantos da lista ainda lembram do seu.
Ainda é dependente da programação de fim de ano da Directv.
Ainda é solitára como a Lucy de “Enquanto você dormia” só que ainda não impediu nem uma pessoazinha de ser atropelada por um trem.

domingo, 13 de agosto de 2006

Soundtrack: Julie Delpy, "Je ta'ime tant"

VOCÊ É BAILARINO CONTEMPORÂNEO QUANDO....

Você dorme profundamente sempre que assiste Les Sylphides.
Você vive em crise existencial.
Você consegue montar uma coreografia com pontas em música eletrônica.
Você conseque dançar uma coreografia com pontas em música eletrônica.
Você acha que a aula de ballet clássico de hoje poderia ser de pilates.
Você acha que as bailarinas do Bolshoi são uns postes e nunca quis ter o físico delas.
Você quem limpa o chão de casa. Com seu corpo. Rastejando por ele.
Você acha um absurdo existirem posições de braço, porque o braço é seu e você coloca onde achar que deve.
Você acabou de ler um conto de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, levantou e aprendeu a contá-lo se contorcendo.
Seu olhar é a coisa mais intrigante desse mundo, prende qualquer um e fala mais que lavadeira.
Você é meio Nietzscheano.
Você dança ao som das buzinas do engarrafamento lá fora, do vento batendo nas folhas e até com o barulho da máquina de lavar.
E o silêncio também é música.
Isadora Duncan é deus.
Você consegue rebolar e sapatear ouvindo Mozart.
Você fez uma análise do comportamento de Odette/Odile, relacionou com a flexibilidade do rabo da lagartixa e montou um novo Lago dos Cisnes, que ficou muuuuuuito melhor que o existente.
Você tem um cd original do Dead Can Dance, Enigma ou Delerium.
Você já fez teatro, oficina circense, capoeira, sabe pilates, yoga... e manda bem em tudo!
Você anda com a postura ereta quando dá vontade, você pára em primeira posição en dehors hoje, mas amanhã você deve ficar na quinta.
Talvez na quarta.
Talvez você fique sentado o dia todo.
Você se sentiu limitado na primeira aula de ballet mas aprendeu a ser livre, mesmo acreditando que isso não é possível.
Você sabe saltar grand jeté com os pés em flex.
Você defende as citações da Martha Graham até a morte.
Você assiste STV na dança toda semana.
Você já leu a Enciclopédia da Dança duas vezes, livros sobre composição coreográfica, leu mil pontos de vista, tudo sobre a formação do balé brasileiro para usar na monografia da sua faculdade (de dança)
Você tem vergonha de falar "eu te amo", mas dança o "eu te amo" numa boa!
Você venderia sua mãe para não perder um espetáculo do Corpo.
Você vê complexidade até em olhar pra cima.
Sua panturrilha é foda!
Você sabe que não é nada sem a dança clássica, mas queria que isso não fosse verdade.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Soundtrack: Elis Regina, "Só tinha de ser com você"

É tão estranho, estúpido quando você está vivendo aqueles dias de "é... preciso de um namorado" e pensa no passado e vê o quanto foi idiota.
Você vê que se pudesse ter tido alguma pista sobre si mesma aos 14 anos (além do seu amor pela dança, claro) teria vivido um grande amor. Agora que cresceu um pouquinho, enxerga que seus princípios eram fictícios. E as razões para o término disso tudo não eram razões. O único conforto é saber que talvez ele fosse um filho da puta mesmo.
Aí você volta para o ano de 2006 e vê a pessoa que é dona do seu amor mais puro e mais verdadeiro e personagem principal da época mais maravilhosa de sua vida cogitando se a namorada está grávida ou não... e não existe um sentimento complexo, completo, necessário entre aqueles dois e isso dói. Dói porque trai os princípios fictícios que você nem tem mais e as razões que não eram razões. Trai quem você foi no passado. E no passado, você foi a pessoa mais importante da vida de quem tem seu amor mais puro e verdadeiro até hoje.
Você não se entregou ao saudosismo dessa vez e foi se apaixonar de novo. Aí? Aí quando já estava quase concreto, descobre que o "novo ele" além de ter namorada, é bissexual e está quase traindo a moça com um cara chamado João.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Soundtrack: Depeche Mode, "Home"

Até a tristeza é mais bonita por lá.
Eles sabem disso tão bem que ignoram sua miséria (ou talvez só aceitem) para sorrir e ser feliz... a beleza? A beleza existe porque eles sabem que sorririam e seriam felizes exatamente daquele modo em qualquer lugar, em qualquer situação.
Saudade das pegadas que eu deixei na areia molhada e do olhar que ele me deu um dia (e eu não sei nem o nome... onde mora... nada), o qual me fez sentir a moça mais linda desse mundo.
De chegar a noite e ver o porteiro ouvindo jogo de futebol no rádio e acordar com os raios de sol atravessando a porta. Da água gelada e do vento bagunçando o cabelo e das conchas na beira do mar. Das lentes de óculos embaçadas. Das baleias. Da água gelada da piscina e das ondas.
Mas principalmente das pegadas.






E daquele olhar...

sábado, 8 de julho de 2006

Soundtrack: Trilha sonora do espetáculo "Nazareth", Zé Miguel Wisnik

Mais do que arte para sorrir e transceder minha Dualidade? Não.
Mais que nunca. Hoje som de piano seca lágrima. Alivia dor.
Os elos de Anéis e toda a entrega em Lecuona:
então o Mundo é Perfumado...

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Post deletado devido à besteira enorme que eu fiz ao sentir tudo aquilo quando ainda tinha o que eu acredito e a mim mesma.

domingo, 28 de maio de 2006

Words are very unnecessary.
Mas é o único meio de ficar perto de você.
E o o único para qual me entrego. E tento expressar nessas mesmas palavras intocáveis como você me machuca e minha gratidão por mim mesma por conseguir ser livre ainda assim.
Livre.
E é sentimento e é desejo e é entrega e quiçá, um pouco de tudo.
Só sei que me consome e te idolatra.

sábado, 27 de maio de 2006

Soundtrack: Amara Portuondo, "Que emocion"

Foi tão injusto quanto o dia em que uma moça com retiré torto passou de nível na dança primeiro que eu.
É tão engraçado a forma como eu achava que sentir raiva era para pessoas incompletas e imaturas. Mais engraçado ainda a necessidade que eu tinha de me apaixonar por alguém quando eu pensava assim.
Agora, parece que quando o amor é próprio, a gente é livre para sentir raiva sem culpa e sem medo de tudo o que desejamos de mal ao outro vir nos afrontar.
E a gente é livre porque não passamos cada dia da vida torcendo para o fracasso alheio, mas apenas quando nos vem à cabeça tudo de mal que nos foi feito, oculto. A maneira como entraram na nossa vida, mudaram tudo aquilo em que acreditávamos e a maneira como foram embora pra sempre.
E quiseram tirar nossa própria identidade. A mesma que desde a pré-adolescência, buscávamos em canções confusas, modas alternativas, na vontade de ser exclusivo, de ter uma opinião própria, de convencer, no ato da auto-afirmação.
Aquela mesma busca que resultou em lágrimas e divagações e explosões dentro de nós, que nos obrigou a crescer da noite pro dia sozinhos, porque ninguém compreendia.
Toda aquela dor e experiência quiseram nos tomar. Torná-las em vão.
É, sejam livres. Não se apaixonem.
Não pelos outros.
Outros que afirmarão te amar, mas na maioria das vezes por dó e não por causa da consciência de que essa frase te fará saltitar e sua felicidade é a causa principal da deles. Outros que comentarão cada defeito seu com algum amigo e dirão estar se cansando da sua pessoa aos poucos. Outros que levarão essa situação até ela se tornar insustentável e te dirão adeus da maneira mais fria possível (ou nem isso...) e tomarão raiva da sua cara.
E não, aqueles textos de auto-ajuda que dizem que as decepções vão te fazer amadurecer e criarão novos jeitos de ver o tal do "amor", na verdade te farão entristecer com a realidade, porque esse jeito aí é único e se consolidou enquanto te liam contos de fadas.
A verdade é que toda a beleza e todo o lirismo estão no sonhar. E todo o sentido consiste na IDÉIA de que entre seis bilhões de pessoas tem um serzinho que vai gostar tanto de você, que aprenderá a conviver com cada peculiaridade sua e será fiel, que te levará a todos os lugares maravilhosos que você sonhava enquanto assistia à algum romance com roteiro medíocre quando era adolescente. Alguém que lê seus pensamentos e cujo sorriso compensa cada passo para trás que você deu.
Mais engraçado que minhas filosofias equivocadas é quando você descobre que esse serzinho é você mesmo.
E muito, muito mais cômico ainda é como você se contradiz. Ao mesmo tempo que tem plena consciência de tudo que foi escrito aqui, alguém que sente atração por você e é correspondido cai na sua vida e você se torna o mesmo idiota sentimental de anos atrás. Afinal, a crença de que os que buscam a solidão demoram pra se cruzar, mas acabam se dando bem quando se encontram por estarem presas a um "eu" bem claro, sempre existiu.
É tudo culpa das novelas da Globo.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Soundtrack: Alpha, "Sometime later"

Era uma vez uma menina cheia de vida e intensa.
Que via poesia em tudo, dançava com músicas intocáveis, invisíveis, inexistentes. Cantava se imaginando diva enquanto girava pelos corredores afora.
Num certo dia, a menina começou a se sentir pressionada porque por um único, um único e mísero instante, ela caiu em si.
Passaram pela sua cabeça todas as situações pelas quais ela passaria dali para frente. Passaram todas as frases ainda não ditas e todas as dificuldades ainda desconhecidas. Passou que ela estava encarando a vida como um amontado de horas mortas, frias, sem sentido. Passou o fato de que ela não poderia se consolar com mil barras de chocolate porque o [até então] sonho dela exigia sacrifícios. Reviu todas aquelas cores de Almodovar e ouviu de novo a trilha sonora daqueles dramas densos de fins de semana num segundo, e ela se achou nos trechos mais medíocres e tristes de cada um. Refletiu sobre a amiga que estava enfrentando problemas de gente grande e sobre si mesma, que estava sozinha dentre outros milhões de problemas, mas de gente que pensa demais. Rezou para que o fim de semana chegasse logo, só para que ela pudesse se acomodar no chão e chorar sem nenhuma voz interna gritar que é preciso estudar Física. Ela imaginou a vida da menininha cuja mãe bateu em casa à noite pedindo um cobertor, que mesmo vivendo uma vida sem perspectiva e vazia à primeira vista, não perdia o sorriso inocente. Não perdia o sorriso. A menininha sorria... sorria por dentro, pareceu.
Pensou em onde está e para onde está indo e só obteve silêncio. E pensou em como tudo que tem feito, parece ser apenas uma tentativa frustrada de deixar as pessoas ao redor cientes de que ela é real.
Ela é real e não quer acordar.

terça-feira, 18 de abril de 2006

E aí eu acordei e vi que não tinha mais 15 anos e por um momento, pareceu que só eu sabia.
E o dia começou infeliz, junto com as decepções e as descobertas que têm me perseguido... só que agora eu encontrei motivos que superam isso tudo.
Sabem, muita gente vê amor como aquele amor que leva duas pessoas a se casarem, ao ciúme besta, por aí. Agora eu entendi que não é bem isso.
Amor é quando você se sente extasiado ao saber que o outro tá feliz e quando mesmo com a distância, é possível cuidar um do outro e sentir o que está acontecendo.
Ele se dá quando duas pessoas se conhecem mesmo, parece que podem ler pensamentos. Quando você sabe que a maior chance é que ele termine casado com outra, mas sabe que você não vai ter saído da sua vida e sorri.
É eterno. Altruísta. Incentiva amor próprio e incentiva o sonho, não a resignação.
E eu achei que tivesse perdido isso. Nah. Meu amor de verdade é outro.
Começou há 7 anos atrás e me arranca sorrisos até hoje, felicidade, intensidade. Força. Não demanda entrega, porque já é por si só.
E passa tranquilidade, trazendo graça e indiferença para a minha decepção... é muito maior que isso, que eu. Incrível como uma das minhas maiores conquistas não foi construída só pela minha pessoa.

Bom, feliz aniversário pra mim.
Não foi fácil chegar até aqui, principalmente por eu sempre ter tido um caos e solidão por dentro.
E não foi fácil não perder minha identidade.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Soundtrack: Oswaldo Montenegro, "Entre uma balada e um blues"

É, desculpem o sumiço...
Acontece que estou cansada, não tanfo fisicamente, mas cansada das pessoas.
Por vezes de mim.
Nunca esperei tanto por um feriado, pra ter a chance de sair um pouco daqui e ver quanta coisa vale mais a pena que viver pela vontade dos outros.
Não que eu precise de sair da cidade para entender meu pensamento, mas preciso de um tempo para colocá-los de volta no lugar e ver que eu não estou errada.
(Eu já teria morrido por dentro há tempos caso tivesse.)
E não que eu viva completamente pela vontade dos outros.
Mas todos vivemos um pouco, sim, por que EU iria fugir disso?
Por mais que eu consiga às vezes, indo contra a vontade de todo mundo e acreditando em todo-mundo-sabe-o-que.
Nem isso diminui meu cansaço agora.

domingo, 26 de março de 2006

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás também
O que nos juntou
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só pra saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
Ainda espero
Resposta
Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar que ninguém mais pisou
Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno sei que ainda estão
Os versos seus
Tão meus
Que peço
Nos versos meus
Tão seus
Que esperem
Que os aceite
Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais
Eu fico onde estou
Prefiro continuar distante...

quinta-feira, 16 de março de 2006

Soundtrack: Tchaikovsky, "Swan Lake"

Sou alguém com medo de ser tão auto suficiente quanto me julgam, e com medo de precisar de alguém além da conta.
Eu nunca soube fazer por mim mesma algo maior que usar meus pés, chorar, e sair procurando algum detalhe ou beleza que me pudesse dar uma dica de quem eu era.
Vejo pouco sentido em permanecer aqui, mas volto ao passado por um instante. E vejo ainda que esse pouco tem uma força tão grande, que se eu existo é por causa dele.
Daí vejo também todos os sorrisos, lágrimas e sentimentos contidos nesse "pouco",
Que como não bastasse ser só forte, é completo...

terça-feira, 14 de março de 2006

Lembro como se fosse ontem quando Você entrou no meu icq conversando em francês...
Como eu demorei meses pra descobrir que Você morava em outra cidade, outro estado...
Como nem demorou pra Você ter se tornado uma das pessoas mais especiais e raras que eu conheci...
De tudo que eu te disse, de tudo que eu quis, de como você entendeu. Do pedido de casamento e das confissões.
Das conversas diárias...
Da sua ansiedade. Lembro do dia em que Você me ligou no colégio pra contar que tinha entrado na USP. Lembro que fiz mais festa que Você.
Tudo isso ainda tá em mim... eu nem sabia que sua amizade me fazia essa falta toda, nem pensava que te amava tanto.
Você não faz idéia de como eu chorei quando Você disse no msn "tinha que tar na aula, mas entrei pra dar oi..."
Saudades ATÉ A ALMA...