sábado, 27 de janeiro de 2007

“É, fazia tempos que não escrevia em papel. Nesse momento, to estreando minha caneta nova e minhas folhas que cheiram chocolate, tentando entender porque os bichos estranhos da Sanrio não têm boca enquanto assisto Amélie pela segunda vez em 48 horas. Um dia qualquer, no colégio, o estresse do último ano quase vai me fazer esquecer de quem sou e eu vou achar esse rascunho no caderno. Vou me lembrar de mim e sorrir uma meia hora. Creio que meu subconsciente sabe disso e eis a razão pra eu estar escrevendo à moda antiga... agora to me chutando por ter revelado o mistério por trás. Então, que me permitam agarrar à chatice e achar que escrevo por pura preguiça de parar o filme mesmo.
Finalmente entendi o Cinema, ainda que não fosse preciso. Entendi a liberdade nele, e enlouqueci por ter sido a Arte em que mais demorei pra ver. É um mundo em que as pessoas só precisam saber o que basta para torná-las um todo. Não encontro estereótipos, só a beleza. É belo porque tudo fala, tudo combina e tudo comunica, porque o não-importante não importa, de fato. E é tudo tão belo que o que separa a ilusão da realidade é uma linha tênue que te permite orbitar os dois opostos simultaneamente.
Daí, o mundo pertence a algum louco por algumas horas. A essência desse louco também basta para o decorrer os fatos e para as conseqüências, daí até a dor dói menos: cabe em quem sente, e é auto-explicativa.
Queria eu também caber em mim.”

domingo, 21 de janeiro de 2007

Eu devia parar de mandar Pablo Neruda para todos por quem eu me apaixono.
Aí eu poderia guardar tudo pra mim e sentí-los através de motivos que fossem só meus.
Pior que falam demais prá se restringirem a enfeitar a primeira página da agenda até que algum curioso me pedisse prá ler.
Sei lá porque to escrevendo sobre isso. Achei o post passado tão sem nexo que precisava escrever de novo... imaginem que eu comecei a escrever aquilo no auge da inspiração, toda tomada pelo conceito de "beleza" que o cinema ("enquanto arte", eu lembro ter dito) falava em mim.
Daí comecei a ficar chateada. Não compreendo nunca a minha mania ridícula de achar que todo mundo que me ama tem que adivinhar meu estado de espírito, é triste e patético.
E acabei em lágrimas copiando os poemas dele na agenda. Talvez tenha sido por isso.
Sabe do que eu lembro?! Da última vez que eu amei. A cada dia do mês que ele completava mais um tempo na minha vida eu deixava um poema de Neruda, começando por:

“Tu eras também uma pequena folha
Que tremia no meu peito
O vento da vida pôs-te ali
A princípio não te vi: não soube que ias comigo
Até que tuas raízes
Atravessaram meu peito,
Se uniram aos fios do meu sangue,
Falaram pela minha boca,
Floresceram comigo.”


...Não durou muito, mas não é isso que importa hoje. É o poeta por si só.
Suas “lágrimas sórdidas”, além de ele provavelmente ter sido a única outra pessoa do mundo que viu magia em contemplar os pés dos outros. E que sofreu exatamente a minha ambigüidade. A única que soube me mostrar alegria e silêncio da mesma forma, como sinônimos, como se um fosse causa do outro e como um SENDO causa do outro, por fim. Que conseguiu personificar a Poesia ainda melhor que Florbela quase que afastando de mim o medo de escrevê-las. É, eu tenho medo de escrever poesia porque minhas poucas linhas sempre dizem o contrário pra quem não me ama... e quem me ama não adivinha meu estado de espírito... as linhas não diriam nada. E sabe o que mais?! Neruda também não me amava. Mas adivinhou boa parte de mim quando escreveu Pedras Antárticas e quando acrescentou “uma canção desesperada” ao título do livro.
Esse ano eu abri com

“...E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua
Hangares cruéis que se despediam
Perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo
Caído, abandonado e decaído
Tudo era inalienavelmente alheio,

Tudo era dos outros de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas invadiram o outono.”


A diferença? O pouquinho que eu cresci ontem tornou o motivo desse poema plenamente meu e meu, teve certeza de que é passageiro mas não se importou.
O motivo, por sua vez, ficou concreto, invadiu e hoje não preciso voar pra mostrar sentimento. Respirar já basta.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Por que eu sofro prá escrever textos coerentes?
Porque eu me perco nas minhas próprias filosofias.
E horas e horas de divagações sobre beleza, estilo de vida e tudo que eu fui ainda não são suficientes para prever reações. Não sei quando vou me morder de ciúmes e não sei quando vou consumir altruísmo. Nem o quanto vai doer quando tiver consciência do que eu preciso.
Tenho quase certeza de que to triste.
E queria voar pra te mostrar.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Soundtrack: Portishead, “Beautiful”

É, não que eu tenha muito o que dizer. Mas talvez viver uma vida sem sentido por dois meses não seja tão ruim assim, é deveras menos complicado respirar sem filosofia, quotes de filmes que me fazem sentir menos sozinha e sem princípios. A ironia é que eu me sinto menos livre, quando deveria ser o contrário.
As horas mortas me deixam tão sem o que fazer que me preocupo com o que normalmente não me preocuparia. De alguma forma passei a ligar pro guarda roupa todo bagunçado e pro sapato que eu não acho e todas essas coisas que não contribuem em nada pro que eu sou. Minha dualidade se complica tanto que eu me mordo de ciúmes quando uma das pessoas que mais amo finalmente achou alguém pra desencalhar e eu deveria estar muito muito feliz. E tá se matando de chorar agora porque ela deixou bem claro que escolheu o outro ao invés de você e normalmente a minha quase-arrogância mandaria ele se matar, com vontade. É que eu fico possessiva também, queria a pessoa pra mim, queria todas como se alguma me pertencesse. E eu me sinto sozinha mesmo com pessoas muito queridas dizendo que me amam todo dia. Talvez eu tenha me perdido tanto no tédio que já já vou cobrar muito mais “eu te amos” delas só pra não derreter. E cobrar amor é patético. Nas férias eu sou patética porque faço parte do mundo como um todo, sem resumi-lo a nada nem ninguém e é tão monótono porque em um certo ponto do meu nada, eu espero que alguém resumisse o seu mundo em mim. A verdade é que todo mundo tem mais o que fazer.
De qualquer forma, obrigada Otávio, que te abraçar ontem me fez sentir mais viva.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

O mais estranho quando você sente que está crescendo é ver que você está se adaptando.
Não dói.
Eu passei tantos anos imaginando o que eu iria me tornar que estou pronta... e não dói!
Vou ser testada. O ano em que vou ignorar tudo que os que acham me conhecer falam prá ir embora dançar e estudar Filosofia. Em que vou provar pra mim mesma que aquela bobagem de que na vida não se faz o que quer foi criado por uma tia feia e sem emoção que morava numa caixinha escura.
Eu cresci tanto que passei a virada do ano bebendo e fazendo todas as idiotices dos programas da MTV americana que eu achava o máximo, ao invés de passar assistindo algum musical idiota nostálgica, pensando no que vivi.
E eu choro, porque parte de mim FICOU aqui em casa. Assistia e cantava, abraçando cada momento que me fez ter orgulho do que estou me tornando.
Eu escrevi uma carta de amor. Nunca tive resposta mas também não tive medo.
Eu ouvi Eu te Amo de todas as pessoas que beijei na vida.
Eu guardei as coisas mais preciosas do mundo numa caixinha. Um dia vou achá-la por trás do azulejo e me sentir incrivelmente idealista e completa.
Eu arrumei meu mural de fotos, finalmente.
Recebi um olhar que me tirou o fôlego.
A amiga de mais de dez anos que jurou que sempre estaria comigo se mudou para longe e não me avisou e eu acho que entendi porque.
Tirei minhas bonecas do armário e arrumei todas de novo.
Baixei a discografia do Smiths. Me apaixonei numa prova de vestibular. Não sabia o nome dele. Viajei sozinha. Comprei um vestido de zebrinha. Perdi ônibus e sapateei no meio da rua. Mordi a Sílvia. Apertei o Otávio. Me casei com o Dan, com o Pedro, com a Ju e com o Marcus. Aprendi sobre mim com a Camila.
Me vi em tanta coisa até não ter mais dúvidas. Poemas sem sentido, filmes água com açúcar, gente incompreendida. Todas eram arte.
Que eu seja arte prá sempre. E esse ano... E tudo que me cerca.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Eu vi o mundo mas preferi o meu.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Soundtrack: Adriana Calcanhotto, “Esquadros”

voltando pra mim mesma e escrevendo porque preciso...

E para tal, será preciso ignorar o post em que “pessoas são só pessoas”.
A vantagem-mor de quando se conhece tanta gente pela internet é que quando se tem a chance de vê-las esse fascínio te toma e te deixa tão... sem nome. A idéia de que você pôde agarrar cada pedacinho delas. O quanto é engraçado só olhar de longe e por um segundo não ter consciência de quantos pedacinhos são formadas.
E a idéia de que foi assim que ganhei amores, amigos, pessoas de quem preciso e pessoas que em certo ponto me dedicaram trechos de suas vidas, é isso que me fez voltar...
A verdade é que pessoas são fascinantes.
Algumas cabem num potinho e algumas são tão delicadas que te deixam cuidar delas quando se é você mesmo. Algumas são espelhos, futuro e passado e quando a gente aprende a conviver com essas aí nada é assustador demais. Porque se for, a gente muda estilo de vida, orientação sexual, dieta, companhias, curso da faculdade, religião, de filme preferido, de cor de cabelo e de endereço de blog .
O fato é que eu acho que aprendi essa convivência. Parei com aquela mania de eleger alguma fase da minha vida como a melhor de todas. Parei de querer me chamar Clementine, ter o cabelo azul e querer apagar a memória, porque o lado que pegou um trem até Viena para amar de todas as formas em um dia sabe que seria como dançar sem música. Incompleto e ineficaz.
E agora eu posso viver tudo de novo a hora que quiser. Posso escolher quem vou ser pra sempre e não quero ser outra pessoa.
O que faltava?... Me apaixonar. Por tudo.
Estou me apaixonando devagar e urgentemente.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Soundtrack: Everything But The Girl, "Missing"

E então, nas minhas semanais maratonas de filme me vi em Y tu mamá tambien, na personagem de Maribel Verdú. Não porque já viajei de carro com o intuito de dormir com o Gael Garcia Bernal (isso eu concretizo depois) mas porque... todo esse ponto de interrogação ambulante que eu sou hoje vem de eu ter me calado tanto tempo.
O ponto de exclamação ambulante que já estou me tornando é conseqüência de eu ter cansado disso, e agora falar tudo. Tudo ou boa parte. Fazer tudo ou boa parte.
Estamos na torcida para que eu não me resuma a pontos e riscos e seja uma pessoa que possa transcender pontos e riscos. E esperamos que eu não vire um livro aberto porque ele seria só “arte pela arte” e não faria sentido algum... e de falta de sentido o mundo já basta por si só.
Acho difícil por enquanto as duas coisas... O máximo de emoção que tive nessas férias foi quando quis pular na cama elástica do parque de diversões e o tiozinho disse que não e eu fiquei bem puta da vida. E isso SÃO riscos... voillà: ¬¬.
E toda pessoa que tenta saber demais de mim eu bloqueio no msn.
Ai que tédio.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Talvez já não consiga dizer muito porque a essência sempre me fez tratar pessoas como interpretações e sentimentos. E dava forma às palavras com onirismo, enchendo-as de lua. Via deuses na chuva.
Volto aos textos antigos, critico a mim mesma e junto poesias isoladas de cada um para me acordar. Não adianta.
Não sei se sou eu que, de tanto me prender a mim para não derreter, parei de ver valor nos outros, ou se já estão tão corrompidos que parei de me entregar.
Preciso de não ler todos os livros do mundo ao mesmo tempo, de não me perder em todos eles sem alcançar algum lugar. Preciso de estabilidade, reciprocidade, altruísmo e toque e não sei como buscar.
É como uma guerra... a luta é árdua e na verdade não existe glória: antes, durante e depois do caos, pessoas são só pessoas.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Soundtrack: "Voyeur"

A gente é realmente muito mais forte que parece. Existe uma revolução dentro de mim, um coração dividido em três, uma parte da alma que quer ir embora, lágrimas seguradas, um pouco de medo e as conseqüências da Indiferença e ainda assim eu consegui fazer alguém se arrepiar.
Definitivamente, a certeza por trás dos cílios alongados e da sombra azul e prata é o melhor consolo que existe. Sempre foi.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

NATHÁLIA E O FILÓSOFO: O ENCONTRO


Depois de querer prestar Unicamp desde os treze anos, finalmente chegou o dia.
Como treineira, mas chegou e eu já nem dormia direito.
Foi uma manhã tranqüila de The Smiths, milkshake de ovomaltine e de Ju, Drica e Djou.
Até que chegando no colégio onde seria realizada a prova, essa criatura que caiu de não sei onde, vira para trás e me olha nos olhos e vira para frente de novo.
E foi só.
Sentada na escada com uma das minhas melhores amigas a gente comenta de todo mundo por ali que tinha "cara de filosofia". É claro que ele tinha: Os cabelos longos e a barba legal... e comentamos isso. Mas foi tão estranho, foi quando realmente notei a presença daquela pessoa e ela fez diferença.
E eu chego na sala e me choco:
800 pessoas fazendo prova. Quem se senta na minha frente? Quem está tentando Filosofia MESMO? Além de novela mexicana e musical, minha vida acabou de ganhar o posto de "PARÁFRASE PIORADA DE MACHADO DE ASSIS": "Quem conhece a técnica do destino adivinha logo": era o próprio.
A única coisa que consegui transmitir foi meu meio-sorriso idiota já conformado com as ironias, que agora são confortáveis, de fato. Até engraçadinhas.
Ele começa a conversar comigo e eu me derreto.
É, acho que seria uma história de amor peculiar... A sem noção que se apaixonou no dia do vestibular por um concorrente do mesmo curso.
Mas, meus caros, a tal sem noção sou eu... então a última peculiaridade é a que mata:
EU NÃO SEI O NOME DELE.
Durante todaaa aquela conversa, risadinhas e perguntas eu não tirei 5 segundos para perguntar o nome dele.
Não olhei na carteira onde estava escrito, nem sei o número da inscrição.
Só que era charmoso, sociável, mora numa cidade próxima daqui, vai tentar UFMG, USP e Unesp além de Campinas e quer ir pra São Paulo capital, ficou surpreso quando soube que eu realmente gostava de Filosofia e perguntou se eu iria voltar pra casa ainda naquele dia, me desejando "boa sorte" com a cara mais fofa do mundo.
É, pessoa da cadeira quatro da sala 21 você não me sai da cabeça, além de parecer heterossexual... casa comigo?

quinta-feira, 16 de novembro de 2006



A beleza de cada pedacinho meu pertencer à sentimentos completamentente distintos é que quando eu danço eles se juntam, e por único momento eu pertenço a algo por completo.
A dor vem do "por completo" em si: me faz tão viva que me separa do resto do mundo...

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Soundtrack: The Smiths, "The boy with the thorn on his side"
Foi de ontem a noite...

É tão estranho, quando eu escrevo de verdade, que alguém sempre me pergunte em quem de especial eu estava pensando. Será que algum dia vou entender essa mania de todo mundo de achar que a felicidade está nas pessoas?
Não creio.
Hoje, a tarde foi tão de quando eu era criança. O mesmo cheiro, a mesma intensidade, o mesmo filme e a mesma maneira de estar sozinha. Contexto. E ao ousar sair: as mesmas florezinhas amarelas no chão, próximas das árvores com as mesmas folhas. A mesma grama. Luz.
Às vezes eu penso que Ela está é nos lugares. Ou seria no que eu fiz deles?

domingo, 29 de outubro de 2006

FELICIDADE


Ninguém tinha cabelos crespos, não que eu me lembre. Nem eram ruivos. Não havia nenhuma gorda, baixa e sardenta. A não ser dentro de cada um. Sabia disso.
Sobre as histórias devoradas, não sei de onde vinham. Talvez de minutos emprestados de quem só as contava porque tinha que contar. Mas prevaleceram.
O que eu implorava era que alguém por perto também respirasse aquilo tudo... acho que sempre quis ser compreendida pela realidade e o que me alcançou foi o contrário. E era tão estranho o quanto eu estava ocupada demais, respirando, a ponto de realmente não ligar para isso.
Um dia eu acordei e pareceu que não só o talento para a crueldade, mas também o silêncio e a apatia já haviam invadido. E mais que nunca eles eram cadáveres, eram corpos sem vida com alma eterna. É isso, o silêncio, a crueldade e apatia invadiram a alma deles, que nem lutaram.
De fato, não sei se apatia em algum momento impõe algum anseio, algum desejo. Só que parecia tanto que esse desejo era a necessidade do meu sofrimento, que eu aceitei.
Ainda não sei bem que horas eram quando comecei a viver, porque o tempo sempre foi indefinido. Quem sabe eram eles que o controlavam? Eu só lembro que foi quando comecei a me sentir. Daí todas aquelas explosões, que fossem por nada, não importa, souberam virar coisas bonitas. Foi quando elas começaram a fazer sentido, não quando eles começaram a compreender. Isso nunca aconteceu. Foi quando isso deixou de fazer falta.
Aquelas histórias viraram liberdade, guerras de balão d'água e esperança de alegria. E eu fiquei estonteada quando soube. Segurei com tanta força e, por vezes, iludi a mim mesma como se não existissem só para sorrir depois, quando me lembrasse que existiam sim. Se Ela foi clandestina não é mais, porque eu pude tocá-la. Pressentia que um dia tocaria e esse pressentimento me fez viver no ar. Desde sempre.
Quandoa colocava diante de mim não era mais uma menina em êxtase.
Era uma mulher com seu amante, pelo tempo que quisesse.

sábado, 21 de outubro de 2006

Soundtrack: Blackmore's Night, "Beyond the Sunset"

Não pintei o cabelo. Nem de um tom mais dourado, nem as mechas cor-de-rosa. Não o cortei pra cima do ombro.
Tive vontade de parar de escrever, porque prá escrever você tem que se conhecer demais e às vezes isso dói.
Dói em cada linha quando se está triste e dói quando você teve que abandonar o último blog por causa de um filho da mãe que quis invadir a sua vida.
Ao mesmo tempo é tão inútil estar falando isso tudo, porque foi o escrever por si só que me ensinou que eu nunca vou parar, que na verdade essa vontade nunca existiu.
Mas eu só precisava dizer.
Dizer escrevendo.
Ciclo vicioso, não?
Hoje eu descobri que o blog da minha pré-adolescência ainda existe. Os comentários. Tudo intacto... talvez um dia eu realmente tenha coragem de ler aquilo tudo.
Sobre aquela anja, 11 anos mais velha que eu, garantindo ser meu eu futuro: ela já não escreve. Virou futura veterinária, tem um relacionamento estável, sentimentos estáveis também (e sem graça), não dança mais.
O Kieran morreu.
A minha amiga que achava lindo tudo o que eu fazia, que vivia uma vida parecida com a minha nesse intervalo de tempo já tentou se matar, namorou um dos meus melhores amigos até descobrir que não gostava tanto dele, parou com os estudos, não vai mais ao psiquiatra e cuida da mãe dependente química.
O Senhor dos Sonhos não sonha. Não vive uma vida sonhada por outros. Nem sonha com outra vida em que ele possa sonhar com pessoas sonhando com ela. E ele me abandonou.
O dono do "te amo, te odeio" é meu irmão e parei de querer tirá-lo da minha vida há tempos. Essencial. Mais tarde vou enchê-lo de palavras lindas agradecendo o fato de ele existir. De não ter ouvido minha frieza que gritou alto por muitos meses.
O louco com nick de rpg que eu mal conhecia agora é meu confidente. Entrou na faculdade e depois das confissões de sempre, anteontem, disse que a gente vai casar. E é claro que parte de mim acha que a gente vai terminar juntos, mesmo. Claro que acha. E claro que vocês sabem disso.
O dono do coração que jurava que era eu quem guardaria se foi. Porque não respeitou meu tempo. Ele se foi da maneira mais estúpida, mas a que melhor mostrava o quanto eu era Mais. Hoje ele finalmente tem uma horda de black metal (!!).
Eu.
Ainda tenho os cachos negros até a cintura. Esses anos não me fizeram menos sensível. Menos melancólica, sim. Agora menos sensível... estou quase saindo de casa e ainda me mato de rir e chorar por nada. Alguns dizeres se repetem. Já fiz aquela viagem sobre a qual escrevi com tanto entusiasmo, já voltei, já sinto saudades. E estava sentindo saudades desde o primeiro dia em que cheguei lá, desde o primeiro momento.
Alguns ainda dizem que tenho asas (por muito tempo era só o que me importava).
Agora, eu...
Eu digo que não mais tenho tanto medo de voar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Sobre amor. Não é para as pessoas pensarem como de costume. É desabafo. Corra daqui enquanto ainda pode.



Agora Sr. do Post do dia 15 me persegue em sonhos também. Voa, começa comigo, mas não termina.
E depois de MESES sem aparecer, justamente na tarde seguinte ao sonho ele aparece. Frio. Cai da internet.
E eu penso em ligar mas lembro do aviso prévio que eu teria de dar para fazer isso, por causa da outra que entrou na vida dele sem mágica nenhuma.
Não, nem é post de dor de cotovelo. A dona da não-magia é um detalhe que não poderia ser a causa disso sozinha. É, não poderia ser. A gente nunca teve nada, nada que fosse além do sentimento em si. Abstrato.
Pena que eu sou do tipo de pessoa que ainda perde tempo com sentimentos e vive por eles.
Do que eu realmente sinto falta... hoje foi da música. Eu me lembro como sempre quis ter uma amizade que fosse, completa o suficiente para ter uma música e daí eu consegui. Hoje, depois de um ano, ouvi "On the coldest winter night" de novo e lembrei de como a gente sempre cantava os versinhos.
Daí lembrei de como conheci, de como era meu anjo. Parece que não quer ser mais. De como eu me encantava com as fotografias, com as ligações. Nem quis procurá-las para não me sentir idiota ao fazer uma coisa que ele não faz.
"How could you find me here
You, of all have crossed my way
Unexpectedly...from where
I feel like I am dreaming
Hold me close
Tomorrow may be gone..."

Até agora quando são descartáveis ainda servem. Ironia.
Como sempre.
Algumas coisas nunca mudam....
Tudo não muda.
Feliz dia das crianças.

sábado, 7 de outubro de 2006

Soundtrack: The Smiths, "How soon is now?"

Poderia escrever sobre o sábado chuvoso passado a cookies e Bela Adormecida.
Sobre como não consegui ver As Horas sem parar duas vezes.
Sobre o maldito relógio de filme de vampiro que soa no corredor seguindo um intervalo de tempo paralelo e como me mata de susto.
Mas foi tudo tão insignificante comparado com a tristeza de alguém que conheço... é uma tristeza diferente. Que invadiu o espaço dele mas não o matou, transformou-se em admiração pelas pessoas.
E em troca da admiração eu faço ele sorrir... e a sensação é de outro mundo.
Foi insignificante comparado os eu te amos que eu ganhei. Um foi emprestado de culto de igreja, o outro do nada, o outro de uma fala e dois do passado.
Todos sinceros.
Insignificante comparado com as minhas queixas de necessidade de amor que me mata de vez em quando, que me mata agora e com o fato de quem mais me ama estar indo embora e eu ironicamente nem ligar. Só porque esse amor contradiz um conceito ultrapassado, irreal mas que me fez o que eu sou hoje e não largo.
E eu me pergunto se estou abrindo mão de amor pela minha essência. Ou por um motivo não tão belo, por medo.
É tudo tão maior que eu que nem cabe na minha caixinha.
Mas é tudo tão eu que eu nem caibo na minha caixinha.
Nem em lugar algum.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Da série "divagações na aula de matemática"



Contra quem usa frases pseudo-filosóficas no nick do msn

É. Aquelas mesmo, tipo "a felicidade é o caminho, logo, não há caminho para felicidade". Ou pior. Aposto que você tem umas cinco eqüidnas na lista que fazem isso.
O ato de aderir a elas em si não é insuportável. Caso fosse eu poderia me isolar do mundo e ser feliz. O que é ridículo é que os wannabes de Buda ignoram tais frases quando se deveria usá-las para a vida ficar cor-de-rosa e pokemons poderem saltitar alegremente duas vezes por dia. O que é ridículo e me mata é o fato de eu não saber deletar essas pessoas... da minha vida.
Os futuros autores de Minutos de Sabedoria têm uma resposta fofinha para cada conflito que exige que mandemos alguém para a puta que pariu, pregando a virtude da paciência. Acontece que quando são levadas aos seus limites agem como se tivessem o mal da vaca-louca.
Eles te julgam. Condenam. Te enviam textos plagiados de Shakespeare por algum autor contemporâneo e acham que Paulo Coelho é literatura. E como essas não fossem razões suficientes para criarmos um mundo paralelo, oh meu deus do céu, eles não sabem o que é mente aberta embora isso conste nos slides Power Point que te mandaram por e-mail ontem!!!!!!!!!
Sonhos? Realistas. Metas? Dinheiro. Tentativas de ser único? Frustradas. Auto-descrição? De personalidade. Descrição de alguem com Q.I acima de 30? Clichê. Opiniões? Clichê. Estilo de vida? Clichê. Amor? Clichê. CLICHÊ, CLICHÊ, CLICHÊ! AAAAAAAAAAAieeeee!
Então, queridos, saibam que frases pseudo-filosóficas são para gente burra. As que fazem sentido pela beleza são para legítimos sonhadores que sabem que falar uma coisa e fazer outra também é coisa de gente burra.
Logo, parem com esta porra. Ou se matem.
Obrigada.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Soundtrack: Depeche Mode, "Precious"

Things get damaged,
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle...


Sabe o que é passar segundos, minutos, horas e dias e meses e agora anos precisando ver uma pessoa?
TOCAR quem te entenda sem ser só com palavras lançadas para o cosmo e para ninguém, até que sejam encontradas por alguém que acha tudo fácil demais e as responda de uma maneira qualquer.
Tocar. Tocar, mesmo.
Agora há, finalmente, alguma chance de esse encontro acontecer e aquela tão pessoa tão desejada não tem certeza da reciprocidade da minha vontade de vê-la por causa de um passado.
Eu realmente não me importo com o que sua namorada acharia. E realmente não me importo caso a história se invertesse e se fosse ela quem encontrasse uma paixão antiga. Se eu me apaixonei por você algum dia foi porque você deixou. Já ouvi em alguma dessas linhas lançadas para o cosmo, mas que não encontraram alguém que acha tudo fácil demais e sim a mim, que sempre existe aquele momento em que você se permite entregar ou sair fora. Se eu escolhi a primeira opção foi porque tive razões, se elas existiram foi você quem me deu, nunca fui idiota.
Nunca fui tanto que não temo passado nenhum... até mesmo porque o que o marcou não existe mais. O que é existe é amor puro. Aquele altruísta e que quer sua felicidade de que eu sempre falo.
Aquele eterno...

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

A saga de Nathalia em busca de um lugar na platéia do Grupo Corpo


O pior de tudo... estes são fatos verídicos!!!!!!!!!!!!!

O Grupo Corpo é minha companhia de dança preferida desde que vi a obra Lecuona ano passado. Nunca havia encontrado nenhuma outra com uma movimentação com que eu me identificasse por completo... até aquele dia.
Prometi pra mim mesma desde aquele ano que jamais perderia algum espetáculo deles. Pena que para cumprir, foi difícil, viu..
Primeiro:
Anunciada a tournee pelo Brasil que começaria no dia 8 de setembro, antes do meio do ano. Agilizei em juntar a turma e combinar de ir. Combinamos.
Uma semana antes do grande dia: nossa motorista desistiu.
No dia seguinte tento organizar uma excursão com alguns bailarinos de onde eu danço. Minha professora de ballet diz que vai organizar.
Ela esquece.
Conto para minha amiga que se comove (?) com a minha história e diz que a mãe dela nos levaria e que ela compraria ingressos no dia seguinte.
Não comprou. E a mãe dela não ia levar ninguém.
Meu amigo tira onda dizendo que ele vai poder ir ver o espetáculo sem pagar nada e eu não, porque ele tinha "contatos".
Dou a idéia novamente para minha professora. Ela gosta.
E não faz nada DE NOVO!
Conto toda a história para a Juliana, que rapidamente se anima e convence a mãe dela de ir também e nos levar (reparou que se eu tivesse procurado ela logo no início eu não precisaria de passar por nada disso que eu escrevi aí em cima?)
Juliana deposita dinheiro do ingresso para o tio dela poder comprá-los pra gente.
Ingressos esgotados para todos dias.
Tudo estava perdido quando... Palácio das Artes abre seção extra na terça-feira!
Consegui o melhor lugar do Teatro.
Meu amigo me conta que não pode ir de graça e só conseguiu ingressos pelo dobro do preço que eu paguei.
Adivinha quem tirou onda aquele dia? *sorriso muito sádico*
Ele diz que vai de táxi.
Terça, dia do espetáculo: a mãe da Ju desiste de ir.
Terça a tarde: rezei e convenci a todos que eu poderia ir a Belo Horizonte a noite de ônibus.
Resultado: vamos no ônibus das 18h.
Chego a rodoviária e ela não estava lá.
Acontece que minha amiga Ju mora em outra cidade próxima, e no caminho ela pegou estrada em obras e dois caminhões imeeeeeensos a sua frente.
Perdemos o ônibus.
Ela chega a rodoviária e eu quase tendo um colapso nervoso.
A moça que trabalha lá disse que o próximo ônibus era às 19h e que não poderia trocar as nossas passagens pelo ônibus de 18h30min porque era de outra empresa.
Eu faço minha cara de piedade e começo a chorar (poxa, é o GRUPO CORPO!).
A moça troca as passagens finalmente.
No meio do conflito, quem aparece lá do nada? MEU AMIGO!!!!!!!!!!!!
Eu saio correndo em direção dele e ele me deu um abraço e me levantou e me rodou e foi igual cena de filme.
Somos 3 adolescentes saltitantes.
Na hora de entrar no ônibus, o motorista não aceita nossas passagens trocadas.
Torramos a paciência dele até ele ir lá falar com um outro cara que nos deixou ir, sim.
Já na estrada, até mesmo depois da cidade da minha amiga, quem sobre no tal ônibus??? o Cláudio!!!! Ele dançou comigo por anos e foi o mágico do meu espetáculo no ano passado! Não sei de onde ele surgiu até agora!
Ele vira e diz que se a gente tivesse ficado para o ônibus da 19h (e lembrando que isso implicaria em: trocar as passagens sem preocupações, não ter problemas com motoristas de ônibus, eu não passar vergonha com a mocinha da rodovíaria) a gente chegaria mais rápido, porque o caminho era diferente.
¬¬'.
20 minutos antes do espetáculo: "Três criaturas eufóricas vs. Tráfico da Avenida Afonso Pena Em Plena Capital do Estado" correndo desesperadamente para entrar na grande fundação Clóvis Salgado.
15 minutos antes: WE DID IT!!! \o/
10: nossos ingressos eram para a fila A, nós a encontramos e um infeliz disse que aquela era a fila B. Pior: eu conhecia esse cara da minha antiga escola... sim, numa outra cidade com MILHÕES de habitantes num espaço com MILHARES de lugares, eu vou me sentar ao lado de um jovem do meu passado que não sabe como o alfabeto funciona.
5: descobrimos que a fila B era a A, olhamos torto para o rapaz e nos sentamos.

Aí começou... o espetáculo e o post de hoje!!!

Companhia: Grupo Corpo
Espetáculos: Missa do Orfanato e Onqotô

A coreografia "Missa do Orfanato" é uma remontagem da peça original criada há dezessete anos, cuja trilha é a obra de Mozart escrita por ele aos doze anos.
É um espetáculo denso.... "bailarinos ritualizam o desamparo, o temor, o afligimento e a solidão inerentes à natureza inapelavelmente terrena e transitória da espécie humana".
Claro, são totalmente perceptíveis as peculiaridades do Rodrigo Pederneiras ainda assim e a surpresa vem exatamente daí: é preciso um GÊNIO para se fazer uma movimentação contemporânea dentro de uma musicalidade que, normalmente, não pediria isso e conseguir coerência e beleza.
A interpretação da Danielle Ramalho estava IMPECÁVEL...
Após Missa eu já estava extasiada. Sem saber o que iria me aparecer depois do intervalo...
O espetáculo Onqotô é a criação mais nova da companhia. A trilha foi feita pelo famoso cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso... e é simplesmente uma das obras mais lindas que eu já vi.
A abertura é um sapateado com todo o elenco e no cenário, criativo, maravilhoso como sempre, dava para ver as sombras deles atrás... o efeito foi MÁGICO. Havia momentos em que parecia que os bailarinos estavam surgindo do nada (obs: eles devem conhecer o Cláudio e esse surgimento não iria se distanciar muito da temática caso fosse real, haha).
Os questionamentos que todo mundo se faz em algum momento, sobre a grandiosidade (ou a falta dela) de cada um de nós diante do Universo.. estão todos ali, em cada gesto mínimo, e em cada olhar que fosse...
Uma parte surreal foi quando um bailarino, nu, sentado fazia movimentos com as costas e por mais simples que isso soe era impossível desvendar aquilo. Enxergava-se um mundo numa parte de corpo... não tem explicação.
E os dois duos, um masculino e feminino e outro feminino, que desafiavam a lei da gravidade, força, com a expressão mais sutil que existe...





Primeiro ingresso que guardei na minha caixa a la Amélie Poulain ;)