"Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
O que doeu mais foram aqueles segundinhos em que e a gente se olhou sem falar nada. Porque eu pude memorizar cada linha do seu rosto prá depois saber que eu realmente poderia ter te amado. Eu juro.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
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domingo, 11 de fevereiro de 2007
Depois de um tempo eu não sei se você se sentiu obrigado a se apaixonar por mim. Ou se só dizia. E se foi obrigado a dizer porque sabia que o que eu sentia era forte demais. Me conta seu jeito de se importar? É que na minha visão de menininha ele é muito frio e eu não compreendi sozinha...
Você pega os meus planos, distorce e os torna seus e nem sabe. E além de acreditar cegamente que sempre foram seus, você também não sabe que eu existo. Quer que eu te mostre que dói ainda que não devesse?
E você desapareceu, e eu mudei. Só não mudei no quesito de só poder contar comigo mesma. Comigo em mim e comigo em outras pessoas. Outras poucas.
Espero que uma delas possa te odiar, me devolver as palavras que eu te escrevi e pisar em cada peculiaridade sua.
Eu em mim não posso, não quero sujar as sapatilhas.
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sábado, 10 de fevereiro de 2007
Divagações da semana
- Precisar de alguém assim dói, menino. E eu nem sabia.
- Eu odeio que tentem me copiar ouvindo as minhas músicas e vendo meus filmes tentando pregar o que eu acho. Vocês nunca vão entender, idiotas.
- Ó, meu filósofo do dia 19, você passou no vestibular?
Tô viciada naquele remédio e to ficando muito mais chata.
Morram.
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sábado, 27 de janeiro de 2007
“É, fazia tempos que não escrevia em papel. Nesse momento, to estreando minha caneta nova e minhas folhas que cheiram chocolate, tentando entender porque os bichos estranhos da Sanrio não têm boca enquanto assisto Amélie pela segunda vez em 48 horas. Um dia qualquer, no colégio, o estresse do último ano quase vai me fazer esquecer de quem sou e eu vou achar esse rascunho no caderno. Vou me lembrar de mim e sorrir uma meia hora. Creio que meu subconsciente sabe disso e eis a razão pra eu estar escrevendo à moda antiga... agora to me chutando por ter revelado o mistério por trás. Então, que me permitam agarrar à chatice e achar que escrevo por pura preguiça de parar o filme mesmo.
Finalmente entendi o Cinema, ainda que não fosse preciso. Entendi a liberdade nele, e enlouqueci por ter sido a Arte em que mais demorei pra ver. É um mundo em que as pessoas só precisam saber o que basta para torná-las um todo. Não encontro estereótipos, só a beleza. É belo porque tudo fala, tudo combina e tudo comunica, porque o não-importante não importa, de fato. E é tudo tão belo que o que separa a ilusão da realidade é uma linha tênue que te permite orbitar os dois opostos simultaneamente.
Daí, o mundo pertence a algum louco por algumas horas. A essência desse louco também basta para o decorrer os fatos e para as conseqüências, daí até a dor dói menos: cabe em quem sente, e é auto-explicativa.
Queria eu também caber em mim.”
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Eu devia parar de mandar Pablo Neruda para todos por quem eu me apaixono.
Aí eu poderia guardar tudo pra mim e sentí-los através de motivos que fossem só meus.
Pior que falam demais prá se restringirem a enfeitar a primeira página da agenda até que algum curioso me pedisse prá ler.
Sei lá porque to escrevendo sobre isso. Achei o post passado tão sem nexo que precisava escrever de novo... imaginem que eu comecei a escrever aquilo no auge da inspiração, toda tomada pelo conceito de "beleza" que o cinema ("enquanto arte", eu lembro ter dito) falava em mim.
Daí comecei a ficar chateada. Não compreendo nunca a minha mania ridícula de achar que todo mundo que me ama tem que adivinhar meu estado de espírito, é triste e patético.
E acabei em lágrimas copiando os poemas dele na agenda. Talvez tenha sido por isso.
Sabe do que eu lembro?! Da última vez que eu amei. A cada dia do mês que ele completava mais um tempo na minha vida eu deixava um poema de Neruda, começando por:
“Tu eras também uma pequena folha
Que tremia no meu peito
O vento da vida pôs-te ali
A princípio não te vi: não soube que ias comigo
Até que tuas raízes
Atravessaram meu peito,
Se uniram aos fios do meu sangue,
Falaram pela minha boca,
Floresceram comigo.”
...Não durou muito, mas não é isso que importa hoje. É o poeta por si só.
Suas “lágrimas sórdidas”, além de ele provavelmente ter sido a única outra pessoa do mundo que viu magia em contemplar os pés dos outros. E que sofreu exatamente a minha ambigüidade. A única que soube me mostrar alegria e silêncio da mesma forma, como sinônimos, como se um fosse causa do outro e como um SENDO causa do outro, por fim. Que conseguiu personificar a Poesia ainda melhor que Florbela quase que afastando de mim o medo de escrevê-las. É, eu tenho medo de escrever poesia porque minhas poucas linhas sempre dizem o contrário pra quem não me ama... e quem me ama não adivinha meu estado de espírito... as linhas não diriam nada. E sabe o que mais?! Neruda também não me amava. Mas adivinhou boa parte de mim quando escreveu Pedras Antárticas e quando acrescentou “uma canção desesperada” ao título do livro.
Esse ano eu abri com
“...E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua
Hangares cruéis que se despediam
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo
Caído, abandonado e decaído
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas invadiram o outono.”
A diferença? O pouquinho que eu cresci ontem tornou o motivo desse poema plenamente meu e meu, teve certeza de que é passageiro mas não se importou.
O motivo, por sua vez, ficou concreto, invadiu e hoje não preciso voar pra mostrar sentimento. Respirar já basta.
Postado por Nathália. às 7:13 PM 1 comentários
sábado, 20 de janeiro de 2007
Por que eu sofro prá escrever textos coerentes?
Porque eu me perco nas minhas próprias filosofias.
E horas e horas de divagações sobre beleza, estilo de vida e tudo que eu fui ainda não são suficientes para prever reações. Não sei quando vou me morder de ciúmes e não sei quando vou consumir altruísmo. Nem o quanto vai doer quando tiver consciência do que eu preciso.
Tenho quase certeza de que to triste.
E queria voar pra te mostrar.
Postado por Nathália. às 9:15 PM 1 comentários
domingo, 14 de janeiro de 2007
Soundtrack: Portishead, “Beautiful”
É, não que eu tenha muito o que dizer. Mas talvez viver uma vida sem sentido por dois meses não seja tão ruim assim, é deveras menos complicado respirar sem filosofia, quotes de filmes que me fazem sentir menos sozinha e sem princípios. A ironia é que eu me sinto menos livre, quando deveria ser o contrário.
As horas mortas me deixam tão sem o que fazer que me preocupo com o que normalmente não me preocuparia. De alguma forma passei a ligar pro guarda roupa todo bagunçado e pro sapato que eu não acho e todas essas coisas que não contribuem em nada pro que eu sou. Minha dualidade se complica tanto que eu me mordo de ciúmes quando uma das pessoas que mais amo finalmente achou alguém pra desencalhar e eu deveria estar muito muito feliz. E tá se matando de chorar agora porque ela deixou bem claro que escolheu o outro ao invés de você e normalmente a minha quase-arrogância mandaria ele se matar, com vontade. É que eu fico possessiva também, queria a pessoa pra mim, queria todas como se alguma me pertencesse. E eu me sinto sozinha mesmo com pessoas muito queridas dizendo que me amam todo dia. Talvez eu tenha me perdido tanto no tédio que já já vou cobrar muito mais “eu te amos” delas só pra não derreter. E cobrar amor é patético. Nas férias eu sou patética porque faço parte do mundo como um todo, sem resumi-lo a nada nem ninguém e é tão monótono porque em um certo ponto do meu nada, eu espero que alguém resumisse o seu mundo em mim. A verdade é que todo mundo tem mais o que fazer.
De qualquer forma, obrigada Otávio, que te abraçar ontem me fez sentir mais viva.
Postado por Nathália. às 6:11 PM 3 comentários
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
O mais estranho quando você sente que está crescendo é ver que você está se adaptando.
Não dói.
Eu passei tantos anos imaginando o que eu iria me tornar que estou pronta... e não dói!
Vou ser testada. O ano em que vou ignorar tudo que os que acham me conhecer falam prá ir embora dançar e estudar Filosofia. Em que vou provar pra mim mesma que aquela bobagem de que na vida não se faz o que quer foi criado por uma tia feia e sem emoção que morava numa caixinha escura.
Eu cresci tanto que passei a virada do ano bebendo e fazendo todas as idiotices dos programas da MTV americana que eu achava o máximo, ao invés de passar assistindo algum musical idiota nostálgica, pensando no que vivi.
E eu choro, porque parte de mim FICOU aqui em casa. Assistia e cantava, abraçando cada momento que me fez ter orgulho do que estou me tornando.
Eu escrevi uma carta de amor. Nunca tive resposta mas também não tive medo.
Eu ouvi Eu te Amo de todas as pessoas que beijei na vida.
Eu guardei as coisas mais preciosas do mundo numa caixinha. Um dia vou achá-la por trás do azulejo e me sentir incrivelmente idealista e completa.
Eu arrumei meu mural de fotos, finalmente.
Recebi um olhar que me tirou o fôlego.
A amiga de mais de dez anos que jurou que sempre estaria comigo se mudou para longe e não me avisou e eu acho que entendi porque.
Tirei minhas bonecas do armário e arrumei todas de novo.
Baixei a discografia do Smiths. Me apaixonei numa prova de vestibular. Não sabia o nome dele. Viajei sozinha. Comprei um vestido de zebrinha. Perdi ônibus e sapateei no meio da rua. Mordi a Sílvia. Apertei o Otávio. Me casei com o Dan, com o Pedro, com a Ju e com o Marcus. Aprendi sobre mim com a Camila.
Me vi em tanta coisa até não ter mais dúvidas. Poemas sem sentido, filmes água com açúcar, gente incompreendida. Todas eram arte.
Que eu seja arte prá sempre. E esse ano... E tudo que me cerca.
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Soundtrack: Adriana Calcanhotto, “Esquadros”
voltando pra mim mesma e escrevendo porque preciso...
E para tal, será preciso ignorar o post em que “pessoas são só pessoas”.
A vantagem-mor de quando se conhece tanta gente pela internet é que quando se tem a chance de vê-las esse fascínio te toma e te deixa tão... sem nome. A idéia de que você pôde agarrar cada pedacinho delas. O quanto é engraçado só olhar de longe e por um segundo não ter consciência de quantos pedacinhos são formadas.
E a idéia de que foi assim que ganhei amores, amigos, pessoas de quem preciso e pessoas que em certo ponto me dedicaram trechos de suas vidas, é isso que me fez voltar...
A verdade é que pessoas são fascinantes.
Algumas cabem num potinho e algumas são tão delicadas que te deixam cuidar delas quando se é você mesmo. Algumas são espelhos, futuro e passado e quando a gente aprende a conviver com essas aí nada é assustador demais. Porque se for, a gente muda estilo de vida, orientação sexual, dieta, companhias, curso da faculdade, religião, de filme preferido, de cor de cabelo e de endereço de blog .
O fato é que eu acho que aprendi essa convivência. Parei com aquela mania de eleger alguma fase da minha vida como a melhor de todas. Parei de querer me chamar Clementine, ter o cabelo azul e querer apagar a memória, porque o lado que pegou um trem até Viena para amar de todas as formas em um dia sabe que seria como dançar sem música. Incompleto e ineficaz.
E agora eu posso viver tudo de novo a hora que quiser. Posso escolher quem vou ser pra sempre e não quero ser outra pessoa.
O que faltava?... Me apaixonar. Por tudo.
Estou me apaixonando devagar e urgentemente.
Postado por Nathália. às 9:45 PM 0 comentários
domingo, 17 de dezembro de 2006
Soundtrack: Everything But The Girl, "Missing"
E então, nas minhas semanais maratonas de filme me vi em Y tu mamá tambien, na personagem de Maribel Verdú. Não porque já viajei de carro com o intuito de dormir com o Gael Garcia Bernal (isso eu concretizo depois) mas porque... todo esse ponto de interrogação ambulante que eu sou hoje vem de eu ter me calado tanto tempo.
O ponto de exclamação ambulante que já estou me tornando é conseqüência de eu ter cansado disso, e agora falar tudo. Tudo ou boa parte. Fazer tudo ou boa parte.
Estamos na torcida para que eu não me resuma a pontos e riscos e seja uma pessoa que possa transcender pontos e riscos. E esperamos que eu não vire um livro aberto porque ele seria só “arte pela arte” e não faria sentido algum... e de falta de sentido o mundo já basta por si só.
Acho difícil por enquanto as duas coisas... O máximo de emoção que tive nessas férias foi quando quis pular na cama elástica do parque de diversões e o tiozinho disse que não e eu fiquei bem puta da vida. E isso SÃO riscos... voillà: ¬¬.
E toda pessoa que tenta saber demais de mim eu bloqueio no msn.
Ai que tédio.
Postado por Nathália. às 10:27 PM 1 comentários
sábado, 9 de dezembro de 2006
Talvez já não consiga dizer muito porque a essência sempre me fez tratar pessoas como interpretações e sentimentos. E dava forma às palavras com onirismo, enchendo-as de lua. Via deuses na chuva.
Volto aos textos antigos, critico a mim mesma e junto poesias isoladas de cada um para me acordar. Não adianta.
Não sei se sou eu que, de tanto me prender a mim para não derreter, parei de ver valor nos outros, ou se já estão tão corrompidos que parei de me entregar.
Preciso de não ler todos os livros do mundo ao mesmo tempo, de não me perder em todos eles sem alcançar algum lugar. Preciso de estabilidade, reciprocidade, altruísmo e toque e não sei como buscar.
É como uma guerra... a luta é árdua e na verdade não existe glória: antes, durante e depois do caos, pessoas são só pessoas.
Postado por Nathália. às 10:15 PM 3 comentários
terça-feira, 28 de novembro de 2006
Soundtrack: "Voyeur"
A gente é realmente muito mais forte que parece. Existe uma revolução dentro de mim, um coração dividido em três, uma parte da alma que quer ir embora, lágrimas seguradas, um pouco de medo e as conseqüências da Indiferença e ainda assim eu consegui fazer alguém se arrepiar.
Definitivamente, a certeza por trás dos cílios alongados e da sombra azul e prata é o melhor consolo que existe. Sempre foi.
Postado por Nathália. às 6:29 PM 2 comentários
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Depois de querer prestar Unicamp desde os treze anos, finalmente chegou o dia.
Como treineira, mas chegou e eu já nem dormia direito.
Foi uma manhã tranqüila de The Smiths, milkshake de ovomaltine e de Ju, Drica e Djou.
Até que chegando no colégio onde seria realizada a prova, essa criatura que caiu de não sei onde, vira para trás e me olha nos olhos e vira para frente de novo.
E foi só.
Sentada na escada com uma das minhas melhores amigas a gente comenta de todo mundo por ali que tinha "cara de filosofia". É claro que ele tinha: Os cabelos longos e a barba legal... e comentamos isso. Mas foi tão estranho, foi quando realmente notei a presença daquela pessoa e ela fez diferença.
E eu chego na sala e me choco:
800 pessoas fazendo prova. Quem se senta na minha frente? Quem está tentando Filosofia MESMO? Além de novela mexicana e musical, minha vida acabou de ganhar o posto de "PARÁFRASE PIORADA DE MACHADO DE ASSIS": "Quem conhece a técnica do destino adivinha logo": era o próprio.
A única coisa que consegui transmitir foi meu meio-sorriso idiota já conformado com as ironias, que agora são confortáveis, de fato. Até engraçadinhas.
Ele começa a conversar comigo e eu me derreto.
É, acho que seria uma história de amor peculiar... A sem noção que se apaixonou no dia do vestibular por um concorrente do mesmo curso.
Mas, meus caros, a tal sem noção sou eu... então a última peculiaridade é a que mata:
EU NÃO SEI O NOME DELE.
Durante todaaa aquela conversa, risadinhas e perguntas eu não tirei 5 segundos para perguntar o nome dele.
Não olhei na carteira onde estava escrito, nem sei o número da inscrição.
Só que era charmoso, sociável, mora numa cidade próxima daqui, vai tentar UFMG, USP e Unesp além de Campinas e quer ir pra São Paulo capital, ficou surpreso quando soube que eu realmente gostava de Filosofia e perguntou se eu iria voltar pra casa ainda naquele dia, me desejando "boa sorte" com a cara mais fofa do mundo.
É, pessoa da cadeira quatro da sala 21 você não me sai da cabeça, além de parecer heterossexual... casa comigo?
Postado por Nathália. às 9:53 PM 3 comentários
quinta-feira, 16 de novembro de 2006

A beleza de cada pedacinho meu pertencer à sentimentos completamentente distintos é que quando eu danço eles se juntam, e por único momento eu pertenço a algo por completo.
A dor vem do "por completo" em si: me faz tão viva que me separa do resto do mundo...
Postado por Nathália. às 7:46 PM 2 comentários
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
Soundtrack: The Smiths, "The boy with the thorn on his side"
Foi de ontem a noite...
É tão estranho, quando eu escrevo de verdade, que alguém sempre me pergunte em quem de especial eu estava pensando. Será que algum dia vou entender essa mania de todo mundo de achar que a felicidade está nas pessoas?
Não creio.
Hoje, a tarde foi tão de quando eu era criança. O mesmo cheiro, a mesma intensidade, o mesmo filme e a mesma maneira de estar sozinha. Contexto. E ao ousar sair: as mesmas florezinhas amarelas no chão, próximas das árvores com as mesmas folhas. A mesma grama. Luz.
Às vezes eu penso que Ela está é nos lugares. Ou seria no que eu fiz deles?
Postado por Nathália. às 10:53 AM 1 comentários
domingo, 29 de outubro de 2006
Ninguém tinha cabelos crespos, não que eu me lembre. Nem eram ruivos. Não havia nenhuma gorda, baixa e sardenta. A não ser dentro de cada um. Sabia disso.
Sobre as histórias devoradas, não sei de onde vinham. Talvez de minutos emprestados de quem só as contava porque tinha que contar. Mas prevaleceram.
O que eu implorava era que alguém por perto também respirasse aquilo tudo... acho que sempre quis ser compreendida pela realidade e o que me alcançou foi o contrário. E era tão estranho o quanto eu estava ocupada demais, respirando, a ponto de realmente não ligar para isso.
Um dia eu acordei e pareceu que não só o talento para a crueldade, mas também o silêncio e a apatia já haviam invadido. E mais que nunca eles eram cadáveres, eram corpos sem vida com alma eterna. É isso, o silêncio, a crueldade e apatia invadiram a alma deles, que nem lutaram.
De fato, não sei se apatia em algum momento impõe algum anseio, algum desejo. Só que parecia tanto que esse desejo era a necessidade do meu sofrimento, que eu aceitei.
Ainda não sei bem que horas eram quando comecei a viver, porque o tempo sempre foi indefinido. Quem sabe eram eles que o controlavam? Eu só lembro que foi quando comecei a me sentir. Daí todas aquelas explosões, que fossem por nada, não importa, souberam virar coisas bonitas. Foi quando elas começaram a fazer sentido, não quando eles começaram a compreender. Isso nunca aconteceu. Foi quando isso deixou de fazer falta.
Aquelas histórias viraram liberdade, guerras de balão d'água e esperança de alegria. E eu fiquei estonteada quando soube. Segurei com tanta força e, por vezes, iludi a mim mesma como se não existissem só para sorrir depois, quando me lembrasse que existiam sim. Se Ela foi clandestina não é mais, porque eu pude tocá-la. Pressentia que um dia tocaria e esse pressentimento me fez viver no ar. Desde sempre.
Quandoa colocava diante de mim não era mais uma menina em êxtase.
Era uma mulher com seu amante, pelo tempo que quisesse.
Postado por Nathália. às 9:39 PM 5 comentários
sábado, 21 de outubro de 2006
Soundtrack: Blackmore's Night, "Beyond the Sunset"
Não pintei o cabelo. Nem de um tom mais dourado, nem as mechas cor-de-rosa. Não o cortei pra cima do ombro.
Tive vontade de parar de escrever, porque prá escrever você tem que se conhecer demais e às vezes isso dói.
Dói em cada linha quando se está triste e dói quando você teve que abandonar o último blog por causa de um filho da mãe que quis invadir a sua vida.
Ao mesmo tempo é tão inútil estar falando isso tudo, porque foi o escrever por si só que me ensinou que eu nunca vou parar, que na verdade essa vontade nunca existiu.
Mas eu só precisava dizer.
Dizer escrevendo.
Ciclo vicioso, não?
Hoje eu descobri que o blog da minha pré-adolescência ainda existe. Os comentários. Tudo intacto... talvez um dia eu realmente tenha coragem de ler aquilo tudo.
Sobre aquela anja, 11 anos mais velha que eu, garantindo ser meu eu futuro: ela já não escreve. Virou futura veterinária, tem um relacionamento estável, sentimentos estáveis também (e sem graça), não dança mais.
O Kieran morreu.
A minha amiga que achava lindo tudo o que eu fazia, que vivia uma vida parecida com a minha nesse intervalo de tempo já tentou se matar, namorou um dos meus melhores amigos até descobrir que não gostava tanto dele, parou com os estudos, não vai mais ao psiquiatra e cuida da mãe dependente química.
O Senhor dos Sonhos não sonha. Não vive uma vida sonhada por outros. Nem sonha com outra vida em que ele possa sonhar com pessoas sonhando com ela. E ele me abandonou.
O dono do "te amo, te odeio" é meu irmão e parei de querer tirá-lo da minha vida há tempos. Essencial. Mais tarde vou enchê-lo de palavras lindas agradecendo o fato de ele existir. De não ter ouvido minha frieza que gritou alto por muitos meses.
O louco com nick de rpg que eu mal conhecia agora é meu confidente. Entrou na faculdade e depois das confissões de sempre, anteontem, disse que a gente vai casar. E é claro que parte de mim acha que a gente vai terminar juntos, mesmo. Claro que acha. E claro que vocês sabem disso.
O dono do coração que jurava que era eu quem guardaria se foi. Porque não respeitou meu tempo. Ele se foi da maneira mais estúpida, mas a que melhor mostrava o quanto eu era Mais. Hoje ele finalmente tem uma horda de black metal (!!).
Eu.
Ainda tenho os cachos negros até a cintura. Esses anos não me fizeram menos sensível. Menos melancólica, sim. Agora menos sensível... estou quase saindo de casa e ainda me mato de rir e chorar por nada. Alguns dizeres se repetem. Já fiz aquela viagem sobre a qual escrevi com tanto entusiasmo, já voltei, já sinto saudades. E estava sentindo saudades desde o primeiro dia em que cheguei lá, desde o primeiro momento.
Alguns ainda dizem que tenho asas (por muito tempo era só o que me importava).
Agora, eu...
Eu digo que não mais tenho tanto medo de voar.
Postado por Nathália. às 4:35 PM 3 comentários
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Sobre amor. Não é para as pessoas pensarem como de costume. É desabafo. Corra daqui enquanto ainda pode.
Agora Sr. do Post do dia 15 me persegue em sonhos também. Voa, começa comigo, mas não termina.
E depois de MESES sem aparecer, justamente na tarde seguinte ao sonho ele aparece. Frio. Cai da internet.
E eu penso em ligar mas lembro do aviso prévio que eu teria de dar para fazer isso, por causa da outra que entrou na vida dele sem mágica nenhuma.
Não, nem é post de dor de cotovelo. A dona da não-magia é um detalhe que não poderia ser a causa disso sozinha. É, não poderia ser. A gente nunca teve nada, nada que fosse além do sentimento em si. Abstrato.
Pena que eu sou do tipo de pessoa que ainda perde tempo com sentimentos e vive por eles.
Do que eu realmente sinto falta... hoje foi da música. Eu me lembro como sempre quis ter uma amizade que fosse, completa o suficiente para ter uma música e daí eu consegui. Hoje, depois de um ano, ouvi "On the coldest winter night" de novo e lembrei de como a gente sempre cantava os versinhos.
Daí lembrei de como conheci, de como era meu anjo. Parece que não quer ser mais. De como eu me encantava com as fotografias, com as ligações. Nem quis procurá-las para não me sentir idiota ao fazer uma coisa que ele não faz.
"How could you find me here
You, of all have crossed my way
Unexpectedly...from where
I feel like I am dreaming
Hold me close
Tomorrow may be gone..."
Até agora quando são descartáveis ainda servem. Ironia.
Como sempre.
Algumas coisas nunca mudam....
Tudo não muda.
Feliz dia das crianças.
Postado por Nathália. às 9:55 PM 2 comentários
sábado, 7 de outubro de 2006
Soundtrack: The Smiths, "How soon is now?"
Poderia escrever sobre o sábado chuvoso passado a cookies e Bela Adormecida.
Sobre como não consegui ver As Horas sem parar duas vezes.
Sobre o maldito relógio de filme de vampiro que soa no corredor seguindo um intervalo de tempo paralelo e como me mata de susto.
Mas foi tudo tão insignificante comparado com a tristeza de alguém que conheço... é uma tristeza diferente. Que invadiu o espaço dele mas não o matou, transformou-se em admiração pelas pessoas.
E em troca da admiração eu faço ele sorrir... e a sensação é de outro mundo.
Foi insignificante comparado os eu te amos que eu ganhei. Um foi emprestado de culto de igreja, o outro do nada, o outro de uma fala e dois do passado.
Todos sinceros.
Insignificante comparado com as minhas queixas de necessidade de amor que me mata de vez em quando, que me mata agora e com o fato de quem mais me ama estar indo embora e eu ironicamente nem ligar. Só porque esse amor contradiz um conceito ultrapassado, irreal mas que me fez o que eu sou hoje e não largo.
E eu me pergunto se estou abrindo mão de amor pela minha essência. Ou por um motivo não tão belo, por medo.
É tudo tão maior que eu que nem cabe na minha caixinha.
Mas é tudo tão eu que eu nem caibo na minha caixinha.
Nem em lugar algum.
Postado por Nathália. às 11:28 PM 1 comentários
