sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Terça-feira

Sabe que fiquei com aquela frase na cabeça?
"Tem gente que nasceu pra certas coisas na vida. Eu fui nascida para perdoar."
Deus meu, agora penso que é a concentração da essência de uma mulher. Perdoar. Por entender cada traço de culpa em cada tonelada de Arrependimento, mais do que é humanamente conhecido, mais do que é ocidentalmente tragável. Perdoar. Porque aquele assaltante chegaria em casa de noite, sentaria no chão e veria que a correntinha se arrebentou e já não vale muito. E que só consegue comer por jogar na cara dos outros o maior temor que assola um ser, humano, que é o de não mais poder se mostrar como queria. Perdoar desejando. Voltar no tempo para dar-lhe o pingente de cristal caído entre os seios quando ele puxou.

[é que assim ganharia uns trocados e a Ilusão: viver da submissão de transeuntes vale a pena. é que nem a pior das criaturas merece, ainda que num instante inconsciente, morrer de dó de si mesmo, meu bem...]

e eu desculpo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Filosofia parte II

Ora, parece que mais uma vez tudo se esvaiu.
À primeira vista, Sofia era um tango - arrancava desejo e suspiros doce e sutilmente. Acontece que, à segunda vista, era apenas uma melodia de sala de aula, quadrada como ela só, e os vestígios de dor remanesceram justamente porque são quadradas: os quatro ângulos retos as tornam dolorosamente necessárias.
Parece que sua participação terminou aí.
Sofia veio como um presente. Cedeu um pouco de luz. Enxergada. Então, foi-se embora quando já não havia mais reação ou face para irradiar.
E os vestígios de dor remanesceram justamente porque essa ida deu-se bem na hora em que a bailarina estava por um triz de se doar como nunca. Ficaram mais de dez folhas manuscritas de pura entrega do lado de lá, e respira aliviada por não ter ficado raiva, não.
Um presente. Ela havia guiado a bailarina num momento decisivo; estado de sítio do lado de dentro. "Seria regredir e achar que aquilo era vida ou seria apoderar-me da quietude e do compasso do tempo para espalhar ao mundo?" ...É, Sofia, ela escolheu viver e muito obrigada. Agora acaricia os manuscritos e aceita... Você nunca imaginaria (e muito obrigada).
É que te ama. Poderia usar daqueles conceitos teus para amenizar, porém não! Ama do seu jeito. Sem demandar tempo. E você existe no planeta Terra exatamente na mesma hora que ela até um dos dois morrer, e não fazer algo dessa simultaneidade seria calar a boca e ah, minha querida, o que move aquela existência é o tanto que tem a dizer... acreditaria se dissesse que é maior que a gratidão?
Linhas do teu rosto em todo lugar, e que você agora seja a música de alguém mais são e que a alegria seja real. O que alimenta aquela existência é a necessidade de crença num segundo de paz sem as sapatilhas: se os pés não puderem ficar descalços jamais, como a bailarina vai envelhecer um dia? Que seja real porque a paz É tua alegria.
Ela ama. Entendeu enfim que amar não é depositar os medos e as esperanças no outro em troca de leveza, é apenas fundir duas porções de solidão naturalmente, com disposição para suportar os extremos que trazem consigo de forma inevitável, tendo consciência de si para dali haver beleza em maioria.
Na última página que segura nas mãos, "Este capítulo é pra dizer que sinto que nos separaremos. Você irá embora do quarto e eu vou rodopiar n'outro corredor. É o que subentendi da nossa última conversa, é a razão do pedido de desculpas. Sinto muito se causei caos na tua liberdade... o caos sou eu, não adianta, mas a simples chance de comprometer tua liberdade me faria muito pior. Preciso daqueles que têm algo pra acreditar profundamente para continuar. Sei lá quando ou se voltarei a escrever isto. Eu gostaria muito"...
... Só não quer atrapalhar.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Breu

Na madrugada de sexta para sábado, coloquei as sapatilhas na mala. Eu não dançaria, mas senti que precisava. Foi um ato quase mecânico, movimento involuntário. Um treinamento para o dia em que precisarei mesmo delas perdidas no monte de roupas bagunçado... ele se aproxima e me arranca lágrimas toda tarde.
Assim que me prometi que não abriria mão deste estilo de vida só por estar no último ano de escola, pude mergulhar e segurar em arte e alma como nunca. Vieram epifanias desenfreadamente e uma vontade vísivel de contá-las - com as palavras, com o corpo, fotografando gente desconhecida naquela tarde de sábado (o fato de estarem ali os imprimia também em mim e dizia que ouviriam, sim. E desde então me apaixonei pelos velhinhos com cara e cheiro de vó).
Levei as sapatilhas e não as folhas em branco. Cansei de, ultimamente, me referir à própria vida como se fosse um narrador onisciente e sem o que fazer d'um conto de Machado. Temi que fosse fazê-lo novamente. Não as levei, embora não estivesse diminuída a vontade de contar confessando que havia fragmentos meus em cada rua onde pensei que o vi. Talvez eu tenha contado, porém quieta, e talvez tenha sido o silêncio da confissão quem me disse ontem que estou absurdamente só, de uma maneira indolor e benévola, necessária, escolhida: o silêncio ainda basta no auge de vários e vários sentimentos, todos sabem. Foi um grande vazio.
Quase 21h e 30 min a hora que saí do Grande Teatro. Uma coisa foi, há três ou quatro anos, chegar ali pela primeira vez e conhecer o Grupo Corpo e não ter o que dizer. Outra foi voltar, ano após ano, enquanto ou lia ou conversava com ou sobre aqueles bailarinos, até chegar 2007 e eu saber o nome de cada um e pedaços de histórias de vida. Outra coisa por ser mais iluminado, na certeza de que para aquilo, o Corpo em questão não é o estético, é o conjunto. E sem um quê de loucura (e vontade de contar) nada acontece e ele não é corpo, apenas órgãos maravilhosamente organizados sem função divina. Iluminei-me eu.
Depois achei que fosse morrer. Não, não é uma hipérbole.... sempre que volto de algum lugar inundada de certeza, acho que vou morrer ali mesmo pro mundo seguir sem saber de nada. Sei lá se foi deus ou só razão modificada para o belo, sei que me inclinei para tal por um momento: não morreria como platéia, nem com os pedaços espalhados nas ruas. Eu chegaria em casa, veria as fotos em tamanho maior e recordaria minha solidão. Então, viveria mais que ontem pelas avós, pelos desconhecidos, pelos traços de inocência em tudo quanto vi, pela reciprocidade inesperada na contemplação de sei-lá-o-que, dada a mim por aquele venezuelano da praça. À flor da pele pelo aplauso, viveria tentando ser Inteiro e continuar inteira.
No tamanho, na plenitude: foi um grande vazio.

sábado, 25 de agosto de 2007

Chaveirinho,

De repente ficou tudo um pouco menor.
Viver é tão estranho, menina. Numa hipocrisia tremenda, nos rendemos a preceitos esdrúxulos, a rótulos dos quais sempre juramos que fugiríamos... vivemos tanto essa hipocrisia, que qualquer possível pedido de ajuda parece distante e não é. Foi tudo por tanto tempo uma super estimação de mim e de ti, que se você pediu ajuda em silêncio num momento ou outro não ouvi. Juro, se soubesse que chegaria a esse ponto, eu teria crescido primeiro só pra tentar te mostrar o caminho e deixá-lo mais iluminado. Eu o teria enfeitado de estrela e de flor. Mas foi tão bonito crescer junto contigo, menina... tão bonito, e agora, apesar de alcançar meu paraíso cada dia mais e aos poucos, morre parte de mim ao te ver estagnada no meio do caminho, já escuro. Sai daí. Sei que você pode, não teria cedido minha alma e minhas crenças a ti em quase todo momento de nossa vida caso não acreditasse na tua força.
E morre parte de mim vendo você dopada desses remédios. Queria estapear teus pais e te carregar no bolso pra todo canto, menina. Não posso por ainda ser minúscula demais. Arriscar tudo agora seria correr o risco de parar no meio da estrada com você, todavia tenho de continuar e é por nós duas. Porque se morro vendo você se dissolver aos pouquinhos, quero viver sempre que você sorri. E eu quis viver quando me dissera que não terminou o corte por não querer me deixar. Não me deixa, menina. Não me deixa, viver sem te ter no final do espetáculo aplaudindo de pé seria jogar uma existência no lixo. Não me deixa, não posso viver pela metade só por você jamais ter acreditado na tua luz. E como brilha, meu deus. Entrou pro meu mundo tão quieta, tão monossilábica, apreensiva... agora é cada letra de verso na parede, é cada hora em que volto a ser criança, é cada hora que não deixei de ser.
Como brilha a menina que me permitiu ser, entendeu e foi também. Não me deixa, pequena. A gente nem sequer tirou uma foto bonita juntas ainda, lembra? A gente ainda não virou mochileira, não comemorou aniversário dançando a noite inteira, não foi andar a cavalo na fazenda da tua . A gente ainda não envelheceu por fora.
Pega aqui o que sobrou p'reu fazer por ti. Vem cá, pequena, revira aqui dentro: você é mais atenta e ainda deve ter algo lá. Me ajuda a encontrar, agarra e leva embora - quem sabe algumas margaridas não brotam no caminho?
Sai desse quarto e abre a janela. Estende os braços pro teu passado e pro que construímos - vai, menina, vai ficar arrepiada de si própria. Dá pra mim algo a oferecer além do colo e do tapa. Meu amor é maior que isso, ele abraça cada partícula no espaço sentimental entre consolar e bater. Imenso. O espaço, o amor. Não me deixa, vai dormir e devolve meu sono só hoje.
Tranca esses comprimidos na gaveta. Toma as lembranças doces e os sonhos no lugar. Toma as frases daqueles filmes, os trechos de livro e as nossas lágrimas derramadas de esperança, menina. Eles alucinam, só que é pra te fazer cintilar pelo caminho.
E enxergar as margaridas...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Filosofia

Ela observava. Havia quem dissesse que se cruzaram antes e, olha, era verdade. Mas tinha vergonha: a bailarina, naquela manhã de maio, de aparência um pouco pior devido à noite mal dormida de ansiedade, estava desesperada demais querendo ser compreendida. E, como sempre, ela se rendeu ao primeiro revelado como um pouco mais profundo que os outros e os esqueceu - tanto aqueles de fato superficiais, quanto quem poderia tê-la compreendido caso tivesse sido visto. Acontece que o frio os havia tornado transparentes.
Sofia não dançava. Ou pelo menos não admitia. Nem sequer era adepta daquela idéia maluca de o mundo ser um palco e a existência, uma improvisação teatral absurda na qual uns momentos de glória aqui e acolá dão o clímax e o sentido completo. Sofia era tão diferente! A bailarina ainda era muito perdida quando soube a razão, sentindo-se, inclusive, menor. Havia nessa diferença uma praticidade recheada de personalidade e boas ações. Era isso! Sofia não era poeta: era a ação sobre a qual se escreveria, sobre a qual se pensaria e seria, enfim, admirada e guardada como esperança. E tudo isso de uma forma mais presente que o mundo ao redor.
Ela observava. E já fazia tempo! Entre nada mais que monossílabos, "oi, tudo bem?!" e um desejo verdadeiro que de estivessem sim, foi desejando e desejando até Sofia virar também parte da música que dançava.

[Continua. Eu acho.]

Impossível de catorze dias

Estou me dando conta agora. Picada e fora de ordem, até conseguir fundir o palpável com a bagunça aqui dentro: Moça, você estava namorando uma Possibilidade e há que ser certeza, nem que por um segundo.
Doeu demais ficar alheia a nós e poder ver que o "Sim, namoro você" era uma manifestação delicada de não-saber extremo. E era, Possibilidade. O amor de Túlio deixou de ser meu e não sabia direito o que fazer com isso, sendo tão mais perdida aí, que encarei você - primeiro humano desconhecido caído na minha tarde de junho - como se fosse um tipo de dádiva do contexto. E não era, Possibilidade... era apenas você.
Quis me desculpar, como quis. Todavia, no alheamento só de mim vi tuas chances e tua indiferença e, sabe, teríamos de ter passado por ele ao mesmo tempo. Não passamos. Ainda que estivesse você num estado de lucidez maior.
Conheça-te, Possibilidade, que envolver a alma dos outros em nós mesmos só vale a pena se for leve e se for livre. Quis então que, sim, você fosse feliz... e se me perguntassem o porque do término, diria sem excitação alguma ter sido por esse meu querer de te ver feliz além de independente, ser longínquo. Não nos enganemos de novo... Não quis envolver tua alma e mim hora nenhuma e você sentia. Deixou de lado por reconhecer que era possibilidade e só e, meu deus, a intensidade com que viramos súditos da Chance me derrubou e parei de querer te olhar nos olhos...
Longínqua e independente - e eu não podia mais.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Don't know why

E era apenas uma menina quando ele ficou hipnotizado por seu sorriso pela primeira vez. Estavam os dois sentados naquele banco por que ela sempre passa, um de frente para o outro. Não se sabe ao certo, mas parece que sim, havia estrelas no céu e fazia um pouco de frio... e a garota pôde ignorar qualquer possível desconforto físico para olhá-lo nos olhos e tentar se espremer dentro. Conseguiu: estavam personificadas no sorriso as milhares de afinidades que iam se mesclando aos poucos para cobrir os buracos do passado e da vergonha deles. E cobriram até a manhã seguinte.
O coração na boca a fazia ponto de interrogação de uma maneira como jamais esteve, e até fez com que brotasse nela uma santidade quase mantida em segredo. Blogger: verdadeira solidão - Criar postagem
Desculpa, moço. A santidade dela são se manteve censurada porque queria dá-la a você a qualquer preço. Desde o dia em que as metáforas foram brincar de esconde-esconde e o Amor escorregou cru te espancando doce, ela só queria te deixar saber que te daria a mão esquerda e com a direita carregaria todos os teus medos, gritando silenciosa "Ei, você pode ser o que quiser!"
Foi sendo menina e só até os braços saírem pelas janelas do quarto e as pernas praticamente serem amassadas enquanto amontoavam-se nas portas, também afogada por toda história de vida flutuante no cômodo com velocidade da luz. Não era extensa, mas atingia tão diretamente e várias vezes que agora inexistia um espaço físico que comportasse a garota, as interrogações e o volume de sua santidade frustrada (este, sim, era astronômico).
Ali a única indagação palpável era como, pelos deuses, o quarto ficara minúsculo se os olhos dele a enxergavam cada vez mais nítida e até sentiam-na, dependendo da sobriedade dos dois. Foi quando se deu conta de estar começando a viver a complexidade no seu auge, por ser alheia. E viveu, meu bem. Viveu carregando com a mão direita e esquerda grudadas, num equilíbrio que por vezes pareceu não se suportar e superou a si mesmo, por fim. Atualmente habita a compaixão dela e é inquebrável.
My heart is dressed in wine...
"
Tem sido assim pra você viver mais". Ia repetindo e repetindo baixinho sempre que cada "olá" trocado com ele provocava dor.
But you'll be on my mind forever...
As cartas não-entregues poluindo o caderno de Matemática não mentem... se dói é porque é bonito e ela pede pra não te preocupar não, moço, que amando a dor também é doce e não se estende a ti.

terça-feira, 24 de julho de 2007

E a vejo certa de que encontrou o amor de sua vida.
(Ele toca o interfone e saímos nós duas - ela num estágio de euforia desesperada que me faz trocar olhares com as paredes e o chão... É verdade, encontrou o amor de sua vida.
Seu Orfeu de olhar cansado faz monólogos dos seus problemas, esconde-os e, como jamais ousei tentar, transforma o ar dela: agora cheira a algodão doce.
Meio-sorriso em mim. Meia-volta. Quero achar bonito mais de longe e sem interferir no arco-íris infinito que cabe no mínimo de espaço entre aqueles dois.
Assento na escada e o teto me chama... e me lembra da voz tão igual à do meu primo que, entre um monossílabo e outro, soube se fazer viva em mim como aquele arrepio a cada"eu te amo" inevitável e proibido que trocamos.
É, ainda que eu vá ficar envergonhada e tomada pela quietude oriunda dessa minha necessidade absurda e frequente de sentir saudades até quando estamos conversando, queria esbarrar com ele por aí e lhe falar.
O acúmulo de saudade me fez mais derretível e certa de que não temo relacionamentos como antes, por tê-lo tido pra querer ficar comigo pra sempre. E eu sei, qualquer instante de transe leva parte de mim pro lado dele e sussurra assim: "Você pode beber demais, desaparecer, ocupar a reitoria da universidade que for, que sempre vou cuidar de ti e nada toma teu lugar".
Enquanto poso de santa pra ter a chance de ser silenciosa do teu lado, continuo achando os dois bonitos no portão sendo silenciosos juntos, cientes da grandeza do ato.
Enquanto o pensamento é fixo em você, sorrio e ignoro o óbvio... estamos nós quatro ainda meio em pedaços.
Enquanto o pensamento é fixo em você, sou só Nostalgia e viro uma poça de suor.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Desabafo que muitos já cansaram de ouvir...

Mas é que também cansei de ouvir de uma das pessoas mais importantes na minha vida que a dança não leva a nada...

Eu me recuso a crer que vivi uma mentira por anos.
E como a Mari diz, caso tenha vivido, não me arrependo porque das mentiras, a arte é a mais verdadeira.
Se falo em "viver", é porque só fui fazer isso direito no dia que acordei e fui dançar. Nunca vai me doer falar isso.
Há alguns dias, alguém que admiro muito veio me procurar e dizer que estava orgulhosa de mim. Desde esse dia, me provei mais uma vez que jamais precisava duvidar do quão longe eu posso ir... ter meu amor, fascínio, estilo de vida declarado e notado assim, sem precisar palavrear nada, mais que um objetivo, foi algo que fiz pouco a pouco, respeitando meu tempo e conciliando corpo e alma. Ninguém me tira isso... podem me chamar de louca e inconseqüente e o resto, que ser o que sou hoje por ter olhado pra mim mesma e me escutado está acima de qualquer incompreensão dos outros.
Você, pai, me disse que eu não seria bailarina da forma mais rasgada do mundo. Me deu o choro, a dor de cabeça... mando minha revolta pro inferno e o que te dou de volta, são os vestígios dela manifestados nessas linhas e a garantia de que será a última vez que se manifestam.
Sei que estávamos ocupados demais. Enquanto eu criava maneiras de ir me desprendendo de ti, você se ocupava de dar toda sua compreensão pra filhos de outras pessoas. Sei que não nos conhecemos como poderíamos, hoje eu quis mudar isso ... só não quero mais porque te dar a oportunidade de me ver claramente seria murchar um pouco... Seria abandonar tudo aquilo que concluí e em que me agarrei sem precisar tanto de ti, porque estaria absorvendo a sua maneira de pensar, e ela é mais intolerante que a minha.
Não posso.
É uma vontade maior que eu a de continuar me ouvindo e motivar quem se aproxima a se ouvir também... uma vontade imensa de agarrar a oportunidade de ser o que quiser, e não resumir uma vida em faculdade de direito e medicina, 8 horas de trabalho previsível, casamento com o sexo oposto (claro, desde que seja cristão, mais rico e racional) e filhos que brincarão de video-game, passearão na Disney e um dia fumarão maconha pra experimentar.
Queria muito me sentir culpada por criar laços com os únicos, perdidos, que já enfiaram o dedo num pote de tinta prá colorir a vida e ainda enquanto crianças, já haviam ouvido atentamente os traços de compaixão, amor e saudade nas situações restritas a seus mundos ainda pequenos (que, mais tarde, fizeram-lhes compreensivos, abertos, fortes e inquebráveis)... só que não dá, não... você desculpa a minha falta de culpa? =)
Porque eu te amo além da sua falta de crença.
Talvez daqui a alguns anos eu vá ver que seja, sim, falta de humildade, rebeldia, ignorância da minha parte... mas é que agora, soa como ...
vontade de ver florescer.
Só não me desculpo MESMO é por sonhar apesar de.

terça-feira, 10 de julho de 2007

A cabeça meio baixa encostada no ombro com o meio sorriso.

Porque quando a gente sentiu, sentiu e sentiu sentindo sem gritar pro mundo, quando finalmente decidimos dividir, vem um receio, até meio doce ele, sabe?!

E por isso não consegui distinguir um bobo e um apaixonado de mim.

Percebo que meus posts vão assim, ficando cada vez menores enquanto vou me esticando verticalMENTE, até que consiga me dobrar um segundo, voltar pra mim por dois, me explicar de novo. Tento:

Boba, apaixonada e eu. Como nunca.

Só tinha de ser com você. Por você, quem sabe.

Só tinha de ser com ela, no pas de trois simultâneo à minha tentativa de declaração de amor eterno por gestos, sentidos e olhares.

Só tinha de ser com aquela vontade, estampada na lente, que sufocava e era maior que a respiração cansada que já me doía na hora do aplauso. Por ela, com toda a certeza do mundo.

Tudo feito de azul, então.

Com um sorriso no rosto, morando nesse azul: eu sem nunca mais querer tocar o chão.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Só tinha de ser com você

Porque a moça no palco ontem não era a amiga do Otávio, nem da Mariana.
Nem a que briga com a força muscular todo dia, não era a que sempre quis uma declaração daquelas ao pé do ouvido e quando teve, não se permitiu.
A moça de ontem se fez Vento pela melodia e se fez melodia pelo toque num casamento consigo mesma, solando por todo(s) o(s) seu(s) eu(s) e por todos.




E foi musa do Tom...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Sabe, Túlio

Depois desse tempo todo, escrever teu nome assim, cru e sem metáforas me dá um frio na espinha.
Sei que disse que pararia de publicar as cartas, porém, essa é a última.
A cada vez que converso contigo, um sentimento extremo desponta em mim... às vezes, saio rodando, rindo, rezando (pra você cair do céu nos meus braços), só que em nosso último diálogo (de um só, talvez) senti desgaste.
Sabe, Túlio, preciso de alguém que, em plena noção de si mesmo, não planeje relações inter-pessoais, nem estabeleça critérios para viver com alguém. Eu preciso, meu bem, é de qualquer pessoa que saiba se entregar de corpo e alma, que saiba criar sorrisos através da rendenção aos próprios sentimentos. Preciso de alguém que ria da graça da surpresa e ache lindo quando uma pessoa vem do nada e nos marca a vida pra sempre, nos faz perder a cabeça. Sem pressa, sem cessar. Paixão exalada dos poros, à medida em que cada respiração vai fazendo mais e mais sentido e cada segundo se tornando denso por causa dele... (e da sua respiração também! Tangente a minha...).
E eu te agradeço. Tanto...
Amando você, fiz parte do meu mundo dançar junto, cantar meu canto... e nessa sintonia divina que se deu só porque existimos ao mesmo tempo, cheguei a lugares onde aprendi até mesmo que letrinhas andam de bicicleta.
Só não te agradeço mais porque você me enganou... sim, me levando a crer por todos esses meses que fui feita pra ficar sozinha quando, na verdade, foi você.
Sempre existi às avessas e por carregar isso comigo há dezessete anos, qualquer um a quem eu conquiste, ganha minha história e então, minha essência e então, meus contrários grudados. E você, meu bem, tornou-se Avesso por tudo aquilo que ainda não conseguiu superar e, conseqüentemente, não sabe transformar em doçura. E por isso, encara flores como flores, seres humanos como animais e os animais, como microbióticos... enquanto pra mim são fragmentos do corpo por completo, que num mutualismo infinito, vivem comigo de mãos dadas. São todos espelhos. Íris.
Sabe, Túlio, que seja Tudo que pode ser. Que sobreviva: nunca vou te abandonar, mas, conforme Ritinha bem me ensinou, o que disse que te dava, nem a mim pertence mais.

sábado, 2 de junho de 2007

Três. Menininhas-quase-mulheres, com seus problemas peculiares, gritos e desequilíbrios que isolam cada uma em cada canto.

Olha, minha menina número 1: te juro que se fosse médica, mandava da maneira que fosse um jeito pro teu tio ficar bem. Eu realmente não sabia do quanto você era importante prá mim até hoje. Fora de página escrita ou após um diálogo denso na tela, ninguém tinha me arrancado lágrimas só ficando parado procurando respostas. Mas você fez. Como disse Cecília, havia uma ausência tão presente em você, que eu entendi tudo através das asas que ganhou naquela hora. Então se você quiser chorar de novo comigo, liga aqui, viu?! Sempre estive disposta a esquecer tudo de ruim que me contaram de você, e depois de hoje, estou disposta até a não acreditar em nada. Você é linda e precisa de força. Não digo prá tirar essa força de mim, seria me superestimar até a alma, mas qualquer coisa, jura que liga aqui. Eu vôo.

Menina número 2: eu te amo incondicionalmente. E vamos que vamos, entre promessas de amores, moicanos, cantando Wish you were here com alguém no violão. Sempre lá, prá te lembrar da tua beleza e falar com jeito quando a bebida subir demais e você quiser contactar amores mal-resolvidos passados. ('Eu te amo'' olho-no-olho entontece mais e eu te desejo toda a intensidade do mundo).

Menina número 3: Não, cresce, não, bailarina. E abraça tudo aí que der, porque você agora sabe, que nunca antes foi tão feliz assim.


Eu precisava.
À nós. Três meninas-quebra-cabeça, que se juntam e se completam e a existência das outras duas basta para um choro de felicidade, um sorriso bobo por causa da lua e para se fazer luz.
Hoje o universo dentro de cada uma é almofadado e hoje tudo ficará bem, minhas queridas.
Bem e cheio de estrelas.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Ode ao desapego

Às meninas pelas metades, ao Tu que li ontem e aos terráqueos terrivelmente cientes disso.

Sabem, é isso. Uma entrega e uma luz que vem de dentro que me derruba e faz maior. Pela melodia, pela letra e pelo não dito: permaneço. E vou me entregando assim, exatamente. Luz da lua, da lágrima, da amelice. Luz em mim, em fim.
E vocês aí d'outro mundo, não tentem me fazer diminuir! O mundo de vocês precisa é de mais "vocês", posso trazê-los, achar bonito, só que acho de longe. Não quero fazer parte. O meu precisa é de silêncio, e eu de pó de breu prá deslizar sem pressa. Daí só quero a beleza... para chorar, chorar de rir, chorar comigo.
Cada momento é uma lembrança de alguém a quem poderia estar unida, e acontece que não quero mais, não, moça.
Não vou pertencer e não me interessa ter forma. Quero continuar partícula carregada prá cá e prá lá pelo que eu vejo. E como o que vejo é praticamente o que sou, vou continuar sendo minha própria fonte de energia. [Como já disse várias vezes] Sendo fantasma de tão viva, sendo muito sendo nada. E sendo sempre e sendo só.

(E a ti meu bem, desejo boa viagem. Que tuas irmãs te façam ver o quanto és lindo, e que entendas que te amo, e que me mantenho MuitoeSó também para ver-te sorrindo na maior parte dos dias - terrestres, que os meus já são puramente o teu sorriso mais sincero... contados em conchinhas!)

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Pugno, ergo sum.

tu, li o teu corpo e arrepiei,
que do teu todo não sei
...mas a multiplicidade me encanta.
[e mata. e justifica.]

sábado, 19 de maio de 2007

Jornada da Alma

Entrei lá cheia de Sabina Spielrein e saí cheia de saudade.
Entre várias palavras, espontaneamente bem cuidadas, foi tão lindo que nos abraçamos verbalmente e um quis ver o outro... me perguntei porque só fica tão claro quando ele bebe um pouco e quando eu dormi bem na noite passada. E já que sono também é entorpecente, quis muito saber porque os dois precisam de estar bêbados para pertencer.
Confessei que por vezes, queria ser uma pedra, mas ele não gostou, prefere os cometas.
Perdidos em confissões abstratas e é claro que me rendi:
Hoje quis ser o mar. Por ser um mundo que ele teme, mas que tocaria com os pés se estivesse mais perto.


quarta-feira, 16 de maio de 2007

Da dor estática no lado de dentro:

Como minha alma está também nas tuas palavras, quando são lançadas e colidem comigo é alma².
Espaço insuficiente para tanto eu!
Aí ocorre uma explosão: lágrimas salgadas e meus lábios franzidos em queda livre até outra gravidade maior abraçar.

sábado, 12 de maio de 2007

Sobre o tempo não-das-horas...

... Mas sobre o tempo gelado que faz sol.
É lindo demais.
Gosto de acordar com a cara amassada, com sono e com a luz do sol bem amarela e bem nos olhos. Gosto de precisar de um moletom apesar da luz, porque sempre disseram que sol e frio não se gostavam, daí vejo que não é verdade, prá sorrir pensando em todas as vezes que defendi os "opostos que andam junto" (era assim o texto?!).
Aliás, essa semana me rendeu um fato engraçado por causa desse post antigo.
Creio que já comentei com alguéns, mas agora admito a todos que, quando tenho que escrever por obrigação, encontram-se trechos de postagens antigas espalhadas. Não é pelo fato de minha inspiração ter hora, mas é que é tão estranho ler para quem não sente, que tento me simplificar com o que já existe. Com o que já existe em mim.
A proposta era remontar poeticamente um desses textos clichês, cujo autor não se sabe e é mais fácil falar que é de Shakespeare... lidos por pessoas que se emocionam com eles no momento, até o último ponto final, quando elas saem da sala para continuar sendo o mesmo tédio de antes.
Não montei nada. Quebrei. Quebrei cada verso a partir desse ponto de vista sobre os leitores de shakespearesgratuitos, finalizando a quebra com frações dos meus limites, meios, opostos que andam junto.
A graça?!
Involuntariamente, insultei mais da metade da sala de aula no meu quebrar (e mais da metade desse mundo, meu deus), entretanto, ganhei mil aplausos e parabéns pela criaç... reafirmação da alma.
Foi aí.
Aí que eu me desprendi.
Não vivo mais o que já morreu... não vivo mais as pessoas como um todo. Vivo as desconhecidas, e só quando há paz em mim, por ter me apaixonado pelo frio que vai chegar, ou pelo mar de julho, ou pela flor cor-de-rosa nova do jardim. Vivo-as quando há espera ou amor maior que eu pelo que já existe e não é humano.
E na tristeza, só vivo quando, já com as sapatilhas nos pés, começo a tocar o chão com elas e sentir as bolhas e ainda assim continuo a tocar, até tirar e ver que os dedos sangram. Vivo por saber que dessa dor não morro. E a escolhi. É, aí eu vivo: é a única coisa que realmente tenho prá perder e não vou. Por sentir que os pés não suportam só as duas pernas, o tronco, a cabeça, os cílios alongados com máscara: suportam também o peso da dor que não se dança.
Aí eu fico aqui. Encantada com o frio que abraçou o sol e com o último texto da Menina ao Meio, embaixo do cobertor de pijamas aguardando julho prá ver o mar.
De pijamas, com os pés cheios de band-aids e esparadrapos... por essa semana eu ter vivido mais que suportava realmente.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Última carta compartilhada

"(...) aos montes.

... Em troca, prometo parar de publicar o que te escrevo. Desde quando falei que te daria Eu. Se antes não era de todo verdade, porque qualquer alma um pouco mais doce entendia e me alcançava as palavras, agora é.
Aqui, ó: meus verbos, segundas, terceiras pessoas, reticências, subjuntivos.
Um dia, talvez lhe entregue mesmo. Nesse mesmo dia, vou começar a rezar para que tais palavras te ajudem a se entregar aos quatro ventos, conforme condiz com teu merecimento. E condiz, sim viu?!"

... Agora virou diálogo de um só.

sábado, 5 de maio de 2007

Letrinhas, bourées.

" E ouvi de uma Poulain para ouvir a mim. Estive lá... nem que tenha sido apenas com letrinhas.
É teu.
O alfabeto inteiro é teu.

Caso algum dia, você volte a achar que foi um peso prá alguém, me chama.
Talvez, da próxima, eu tenha coragem de te dizer que não tem como ser verdade. Não tem, querido... você e esse silêncio que você carrega... sem mudar nada de lugar, são êxtase, dor, perfeição. História. Sentimento. Pode ter certeza de que, caso sentimento e história pesem, quem respira pode carregar sozinho, ou seria pó e cinzas.
E quando estiver sem tempo, me chama, porque te mostro que tempo é a coisa mais subjetiva do universo, então eu posso te dar, junto com o que sobrou de mim."

quinta-feira, 3 de maio de 2007

"Direta. Sem atemporalidades...

... e só não digo sem subjetivismo porque aí não seria eu dizendo.
E o que quero dizer, agora, na verdade, é sem propósito. Arte(?) pela arte. Escrita pela escrita. Saudade por si, em si.

Não ligo pro que você faz, só tenho medo de você ter fugido e ninguém me dito nada. (Duas semanas... duas semanas!). Sinto falta da tua pessoa.
Encaremos os fatos: não sou deste mundo e nem você.
Preciso te falar pra ver Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera, porque ninguém mais me deixa extravazar, ninguém entende! Aliás, nada garante que você também deixa... mas é você o raro absoluto dentro de mim. Então, garanto eu. E me entrego.
Em meio a sonhos interrompidos, Nietzsche e cartas de amor não sei de você, só que é tudo você. Sim, nunca te disse que você é um sonho? É um sonho e é meu... porque jamais compreendi ou soube o rumo dos meus sonhos, e sempre fui fascinada por eles. Queria tocar.
Além do mais, o mais profundo de mim sabe que, eventualmente, vou sonhar tudo de novo. Vou sonhar você de novo... é só aparecer e dizer "oi" que te mostro.
É Nietzsche por... pelas versões e distorções, por não deixar claro nenhum existencialismo ou metafísica e acabar sendo esse tanto de sei-la-o-quê que adotei de uma forma ou de outra. Adotei o "Ciclo do Mesmo", um niilismo aqui e ali...talvez numa tentativa implícita de te achar, porque te adotei como saudade. Por si, em si.
Queria que o telefone não tivesse tocado pra eu acordar. Nessa altura, queria que você não tivesse me tocado prá acordar acabando o que mal começamos naquele dia.
Que fôssemos uma mera questão estética. Que não soubéssemos de nós mesmos."

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Atemporalidade (mas nem tanto) - carta III

" Dreamland, faz uma semana que te vi e que me derreti no seu abraço.

Sabe o que me encanta?

O que nos liga transcende a dor, a história e o contexto. Nós dois somos promessas.

É isso.

Eu quero olhar nos teus olhos e dizer que sou mais feliz desde que você entrou na minha vida, porque nós somos duas promessas.

Promessas de cinema, de dança, de eclipses, de amores mal-resolvidos, dos futuros, de letras, de casos, de família, de faculdade, de fotografia, de pontos de vista e de reencontro.

A gente é tão um pouco de tudo que é nada sendo muito. Ao ser muito, a gente se confunde e faz pouco. Somos culpados. Culpa é dor, e dor nos torna mais ainda.

Nesse ciclo, no auge do meu cansaço, quando eu mais que nunca quis transformar isso em paz, eu te vi. Não foi preciso querer de novo porque a paz veio no fim daquela noite.

E no teu “feliz aniversário” tímido.

Na tua fotografia tocando violão. E naquela com tuas irmãs.

No teus segredos poucos que eu sei.

Naquele dia em que eu liguei e você foi.

Agora que a calma chegou aqui, sigo fazendo o bem pros outros com o que consigo dar de mim.

Geralmente é sorriso. É texto. Só é intocável quando é dança e quando é poesia.

Mas pra você ... eu me dou inteira. O tocável e o metafísico. E você nem sabe.

Leminski disse pra você pensar e te parecer, ou vou te inventar pela eternidade.

Então pense e te (a)pareça, porque não ouso te inventar . Acredite, nem sequer chegaria aos pés da realidade, pela primeira vez em toda a minha vida..."

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Dezesseis. Dezessete. Mais um. Mais outro. Dois.

Abril é lindo.

Todo dia 16 eu faço mais um ano como bailarina.

Todo dia 16 é mais um mês que conheci quem me dá inspiração para escrever posts como os dois últimos.

Todo dia 18 eu faço aniversário.

Todo dia 29 é dia da dança.

O que eu tenho pra dizer é que tenho orgulho de mim e que me amo.

Sabe, eu costumava ser um pedaço de gente que se perguntava demais e era apaixonada por tudo e tinha vergonha de sorrir, já que os dentes da frente eram separados. O que hoje me faz olhar pra trás e querer me encontrar criança, só pra dar um abraço, é o tanto de vida que cabia entre os intervalos das minhas perguntas, da minha paixão e da minha vergonha.

Agora eu sei. O que me tachava de incomum e até de lerda era a minha solidão, a solidão que eu assumo hoje.

A verdadeira, como Clarice sabe bem. Aquela que só quer o bem dos outros, a solidão cuja quietude é um não-saber imenso ... você fica tão grande que não sabe o que fazer consigo e fica ali. Parada. Achando tudo lindo. Achando lindo ou morrendo de dor. Os dois quando dá sorte ... pra se encontrar em algum momento e ir dançar tudo mais tarde. Ou escrever. Os dois quando você se encontra e se perde e te cabe.

Eu me perdi.

E por ter me perdido, a minha quietude é livre. Minha liberdade é quieta. O meu não-saber é puro eu.

O orgulho que tenho de mim está na vez que eu não contei pro meu pai do meu primeiro namorado, porque me dei conta do amor que sentia (pelo pai, é claro, eu tenho cara de quem ama quem interpreta silêncio como depressão?), que qualquer situação que poderia fazê-lo sentir um pouco menor, eu chutei do mundo dele.

Está no dia em que comecei a dançar ballet sem ninguém saber. Porque a força que eu adquiri, a cada dia em que eu rodopiava quando não devia e morria um pouco enquanto poderia estar vendo tv, fez o peso de eu não ter nascido para ser mais uma, uma alegria enorme.

Está em tudo que eu faço só pensando no meu sonho, enquanto eu vou catando e esbarrando em pessoas pelo caminho até me tornar frações de cada uma.

Gosto de mim porque sou Nathália e agora tenho dezessete. Eu mordo, abraço, choro de rir e minha vida é um grande musical amelístico, cheio de bolinha de sabão e chocolate, não só por eu ser devota do que eu fui , mas porque nunca deixei de ser.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Atemporalidade - carta II

"Dreamland, o mês é o mesmo e choveu ontem. Acho que a aula é de Física. Parece que um campo elétrico é capaz de realizar trabalho...

Te ver de novo foi dúbio.
Há tempos não segurava o choro daquele jeito, há tempos não me perguntava se as lágrimas seriam de desespero ou êxtase da felicidade pura.
Nunca um abraço me doeu tanto e "tanto", é uma intensidade que nunca havia sido perfeita para descrever minha espera por um abraço. Agora é insuficiente.
Você existe, aí, do seu jeito. Respira, dorme e qualquer esforço seu me prende. Quero ficar na sua vida para sempre, seja como for. Como a menina que por vezes tenta esquecer que você vive e não consegue achar, além da sala de dança, espaço mais lindo para cabê-la que seus olhos. E seu meio-sorriso. E seus momentos de silêncio.
Você existe aí e do seu jeito, assim como eu, é um poço de dúvidas. É perdido e é minha perdição. Por mais que as chances de você admitir, num estado sóbrio, ao menos, que quer me tocar de novo sejam nulas... obrigada por me deixar te olhar.
Olho e me apaixono pela suaexistênciadoseujeito, seu sono, sua respiração e seus erros.
Olho e não te vejo por inteiro, Eu do Lado Avesso. Mas todo e cada pedacinho seu... eu amo."


sexta-feira, 6 de abril de 2007

Atemporalidade - carta

"Dreamland, algum dia do mês do meu aniversário, era pra ser outono e o ano não importa.

Já posso dizer que te amo, embora quisera não poder.
Deveria ser igual das outras vezes: enquanto tenho você perto faço o oposto, e quando tenho longe, não faço nada.
Não é.
Sabe, eu queria te agradecer. Não simplesmente porque você existe nesse mundo e no meu, mas por você ter me ensinado a amar da forma mais solitária que experimentei. Da forma mais quieta. Toda a minha indiferença nas suas provocações não é tristeza, não é dependência, é simplesmente uma manifestação do meu desejo de te deixar ir. Eu quero que você vá e receba todo tipo de intensidade que se conhece, só para você voltar maior, tão grande que vai querer me contar sua vida, finalmente.
Eu te amo da forma mais quieta porque tudo que bastou para eu me apaixonar coube em alguns segundos... e você nem disse nada, só olhou. Eu te amo quando não entendo o tempo e quando tudo o que eu espero, espero só de mim.
Não quero parar. Imagine que nada do que me transmite é doce demais, é só um ponto de interrogação, reticências, talvez, e isso é suficiente para querer te abraçar uns quinze minutos.
Agora te vejo nas melodias, nas letras, nos roteiros, no ócio, no álcool e na história do Pierrot e da Colombina. E o que eu queria mesmo... ah, era te ver por inteiro, Eu do Lado Avesso."

sexta-feira, 30 de março de 2007

Era só mais um dia qualquer e eu estava lá, na sala de espera da médica, enquanto imaginava o alívio instantâneo que seria me trancar numa geladeira.

E eu peguei uma dessas revistas nas quais o homem quer mostrar inteligência e acaba, nas entrelinhas, mostrando toda a sua falta de tudo. E enquanto ia me tornando mais niilista e entediada a cada página, vi aquela fotografia pequenininha no canto esquerdo.

Instantâneo foi o meu envolvimento.

O momento exato foi captado, o momento em que um homem de uns cinqüenta anos chorava como uma criança após ser verbalmente insultado por um político, simplesmente porque exerceu seu direito (e por que não prazer?) de discordar.

Sabe quando você sai na rua e tudo é movimentado e normal e bagunçado, até que alguma forma de vida merece sua atenção e, de repente, você se pega analisando cada detalhe ao redor dela e vendo a grandeza daquele pequeno pedaço de nada?

Era isso. A fotografia era um pedaço lírico de vida medíocre. Paralisada. E quando eu aproximava a página de mim, dava para ver as lágrimas se formando nos olhos dele, verdes. Na verdade eu não sei, mas eu gosto da idéia de seus olhos serem verdes. E mais que disso, eu gosto da idéia de alguém que sobreviveu a mais da metade da vida tendo alguma emoção para expressar por inteiro sem se desculpar.

Foi nisso que tenho pensado desde esse dia, na nossa fragilidade. Em como alguém que já sentiu quase toda intensidade de dor e perda se doou tanto para uma pessoa que também é um pedaço de nada, mas minúsculo, do tamanho de um quark.

Ficou claro para mim o que separa um recém-nascido de um adulto: a fragilidade do recém-nascido existe porque existe, e a fragilidade do adulto é cansaço.

Fiquei me perguntando se as coisas são como são por causa daquelas horas nas quais deveríamos ter nos calado e cuidado do próprio estado de alma, ao invés de nos deixarmos ser detestáveis. Quis apagar muitos dos meus diálogos.

Desejei que nunca me perguntassem mais nada, para que não me dessem tão de graça a chance de assassinar a auto-estima alheia. Desejei parar de achar e não acabar com o que eu não aniquilei quando não calei a boca. Desejei o máximo de silêncio possível o tempo todo.

O que me matou foi o fato de aquela fotografia estar ali, crua e intensa, e a reportagem só falar de quarks.

O que me matou mesmo foi o fato da minha fragilidade ser cansaço, quando sou mais recém-nascida que adulta.

domingo, 25 de março de 2007

Cor-de-rosa. Bebida. Talvez. Vermelho. Sexualidade. Vadia. De novo. Memórias. Areia. "Ela e o mar".

Tudo de que me lembro é de quando comecei a chorar ontem.
Eu me lembro porque durou além das lágrimas. Olhe agora, por exemplo, não há lágrimas e estou chorando.
Deus sabe pelo que estou passando e ele (ela? aquilo?) é provavelmente o único. Nem eu sei.
Sou tão fascinada com o que não compreendo que não paro de me olhar no espelho a toda hora. Não posso tocar o que vejo e talvez eu tema o que eu vejo, mas sinto a sua profundidade.
E me apaixono pela minha vida. A minha própria.
Quero dançar para morrer depois. Ler para morrer depois. Acordar para morrer depois. E todas essas pequenas mortes diárias deveriam me deixar num estado absoluto de morbidez, e me deixam em êxtase no lugar. Ou fora do lugar?
Eu morro para explodir depois, para morrer depois e explodir até a morte. O que deveria ser oposto anda junto, não só a falta de existência e o etéreo, como também tudo no meio deles.
E sabe qual a graça? Eu não sou o meio de nada. Sou o limite. E meu limite está cheio de "meios" que deveriam se contradizer, quando também são metades uns dos outros.
Meu limite é incompleto, apesar de eu estar, literalmente, tão cheia de tudo até a alma e seu desequilíbrio.
Estou tão viva que sou um fantasma.

terça-feira, 20 de março de 2007

Verdadeira Solidão

Enquanto procuram respostas nos deuses, te procuro e te acho, Clarice.

Foi te encontrando que vi que a solidão dele não era solidão. Era o auge da patética auto-afirmação misturada no mais alto grau de frieza, medo e dúvida. É isso, era o extremo... do que eu tento fugir.

O extremo do meu alcance, ao que tudo indica, está é em você. No espelho, naquele filme também... mas em você da forma mais encantadora, porque foi concreta. Da maneira mais intocável e subjetiva desse mundo, você existiu, respirou e mais que ter sentido minha ambigüidade, você foi a minha ambigüidade.

O que eu estou aprendendo é a me desapegar, e a ser tão devota de mim que a minha solidão, a verdadeira, ganha causa. É causa. Causa.

Quando tentam me tirá-la em algum momento, eu também morro. Mas não porque ela é a única coisa a que ainda me apego, e sim porque ela sou eu.

Acho que você também é.

A ambigüidade, meu Buda, minha felicidade clandestina, meu movimento, minha santidade. Poesia. Profundidade.

quinta-feira, 8 de março de 2007

O que torna tudo tão complicado é que as pessoas existem.
E como se não bastasse, cada uma delas carrega todo um universo dentro de si.

domingo, 4 de março de 2007

Pós-eclipse

Mais perigoso que lembrar de você por causa da lua, é me ver em você a ponto de interpretá-la como um detalhe cruel demais, quando contemplado por uma pessoa só.
Aliás, mais que isso só temo o fato de me ver em você a todo o tempo agora a ponto de quase esquecer que existe lua.
Queria fazer parte da sua vida por completo, pro seu medo me fazer mais sentido.
E queria fazer parte do seu passado, pra dizer tudo sem receio, e dizer que eu deixo você gostar de mim.
Porque deixo. Deixo, e às vezes até preciso.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

"Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

O que doeu mais foram aqueles segundinhos em que e a gente se olhou sem falar nada. Porque eu pude memorizar cada linha do seu rosto prá depois saber que eu realmente poderia ter te amado. Eu juro.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Depois de um tempo eu não sei se você se sentiu obrigado a se apaixonar por mim. Ou se só dizia. E se foi obrigado a dizer porque sabia que o que eu sentia era forte demais. Me conta seu jeito de se importar? É que na minha visão de menininha ele é muito frio e eu não compreendi sozinha...
Você pega os meus planos, distorce e os torna seus e nem sabe. E além de acreditar cegamente que sempre foram seus, você também não sabe que eu existo. Quer que eu te mostre que dói ainda que não devesse?
E você desapareceu, e eu mudei. Só não mudei no quesito de só poder contar comigo mesma. Comigo em mim e comigo em outras pessoas. Outras poucas.
Espero que uma delas possa te odiar, me devolver as palavras que eu te escrevi e pisar em cada peculiaridade sua.
Eu em mim não posso, não quero sujar as sapatilhas.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Divagações da semana

- Precisar de alguém assim dói, menino. E eu nem sabia.
- Eu odeio que tentem me copiar ouvindo as minhas músicas e vendo meus filmes tentando pregar o que eu acho. Vocês nunca vão entender, idiotas.
- Ó, meu filósofo do dia 19, você passou no vestibular?

Tô viciada naquele remédio e to ficando muito mais chata.
Morram.

sábado, 27 de janeiro de 2007

“É, fazia tempos que não escrevia em papel. Nesse momento, to estreando minha caneta nova e minhas folhas que cheiram chocolate, tentando entender porque os bichos estranhos da Sanrio não têm boca enquanto assisto Amélie pela segunda vez em 48 horas. Um dia qualquer, no colégio, o estresse do último ano quase vai me fazer esquecer de quem sou e eu vou achar esse rascunho no caderno. Vou me lembrar de mim e sorrir uma meia hora. Creio que meu subconsciente sabe disso e eis a razão pra eu estar escrevendo à moda antiga... agora to me chutando por ter revelado o mistério por trás. Então, que me permitam agarrar à chatice e achar que escrevo por pura preguiça de parar o filme mesmo.
Finalmente entendi o Cinema, ainda que não fosse preciso. Entendi a liberdade nele, e enlouqueci por ter sido a Arte em que mais demorei pra ver. É um mundo em que as pessoas só precisam saber o que basta para torná-las um todo. Não encontro estereótipos, só a beleza. É belo porque tudo fala, tudo combina e tudo comunica, porque o não-importante não importa, de fato. E é tudo tão belo que o que separa a ilusão da realidade é uma linha tênue que te permite orbitar os dois opostos simultaneamente.
Daí, o mundo pertence a algum louco por algumas horas. A essência desse louco também basta para o decorrer os fatos e para as conseqüências, daí até a dor dói menos: cabe em quem sente, e é auto-explicativa.
Queria eu também caber em mim.”

domingo, 21 de janeiro de 2007

Eu devia parar de mandar Pablo Neruda para todos por quem eu me apaixono.
Aí eu poderia guardar tudo pra mim e sentí-los através de motivos que fossem só meus.
Pior que falam demais prá se restringirem a enfeitar a primeira página da agenda até que algum curioso me pedisse prá ler.
Sei lá porque to escrevendo sobre isso. Achei o post passado tão sem nexo que precisava escrever de novo... imaginem que eu comecei a escrever aquilo no auge da inspiração, toda tomada pelo conceito de "beleza" que o cinema ("enquanto arte", eu lembro ter dito) falava em mim.
Daí comecei a ficar chateada. Não compreendo nunca a minha mania ridícula de achar que todo mundo que me ama tem que adivinhar meu estado de espírito, é triste e patético.
E acabei em lágrimas copiando os poemas dele na agenda. Talvez tenha sido por isso.
Sabe do que eu lembro?! Da última vez que eu amei. A cada dia do mês que ele completava mais um tempo na minha vida eu deixava um poema de Neruda, começando por:

“Tu eras também uma pequena folha
Que tremia no meu peito
O vento da vida pôs-te ali
A princípio não te vi: não soube que ias comigo
Até que tuas raízes
Atravessaram meu peito,
Se uniram aos fios do meu sangue,
Falaram pela minha boca,
Floresceram comigo.”


...Não durou muito, mas não é isso que importa hoje. É o poeta por si só.
Suas “lágrimas sórdidas”, além de ele provavelmente ter sido a única outra pessoa do mundo que viu magia em contemplar os pés dos outros. E que sofreu exatamente a minha ambigüidade. A única que soube me mostrar alegria e silêncio da mesma forma, como sinônimos, como se um fosse causa do outro e como um SENDO causa do outro, por fim. Que conseguiu personificar a Poesia ainda melhor que Florbela quase que afastando de mim o medo de escrevê-las. É, eu tenho medo de escrever poesia porque minhas poucas linhas sempre dizem o contrário pra quem não me ama... e quem me ama não adivinha meu estado de espírito... as linhas não diriam nada. E sabe o que mais?! Neruda também não me amava. Mas adivinhou boa parte de mim quando escreveu Pedras Antárticas e quando acrescentou “uma canção desesperada” ao título do livro.
Esse ano eu abri com

“...E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua
Hangares cruéis que se despediam
Perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo
Caído, abandonado e decaído
Tudo era inalienavelmente alheio,

Tudo era dos outros de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas invadiram o outono.”


A diferença? O pouquinho que eu cresci ontem tornou o motivo desse poema plenamente meu e meu, teve certeza de que é passageiro mas não se importou.
O motivo, por sua vez, ficou concreto, invadiu e hoje não preciso voar pra mostrar sentimento. Respirar já basta.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Por que eu sofro prá escrever textos coerentes?
Porque eu me perco nas minhas próprias filosofias.
E horas e horas de divagações sobre beleza, estilo de vida e tudo que eu fui ainda não são suficientes para prever reações. Não sei quando vou me morder de ciúmes e não sei quando vou consumir altruísmo. Nem o quanto vai doer quando tiver consciência do que eu preciso.
Tenho quase certeza de que to triste.
E queria voar pra te mostrar.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Soundtrack: Portishead, “Beautiful”

É, não que eu tenha muito o que dizer. Mas talvez viver uma vida sem sentido por dois meses não seja tão ruim assim, é deveras menos complicado respirar sem filosofia, quotes de filmes que me fazem sentir menos sozinha e sem princípios. A ironia é que eu me sinto menos livre, quando deveria ser o contrário.
As horas mortas me deixam tão sem o que fazer que me preocupo com o que normalmente não me preocuparia. De alguma forma passei a ligar pro guarda roupa todo bagunçado e pro sapato que eu não acho e todas essas coisas que não contribuem em nada pro que eu sou. Minha dualidade se complica tanto que eu me mordo de ciúmes quando uma das pessoas que mais amo finalmente achou alguém pra desencalhar e eu deveria estar muito muito feliz. E tá se matando de chorar agora porque ela deixou bem claro que escolheu o outro ao invés de você e normalmente a minha quase-arrogância mandaria ele se matar, com vontade. É que eu fico possessiva também, queria a pessoa pra mim, queria todas como se alguma me pertencesse. E eu me sinto sozinha mesmo com pessoas muito queridas dizendo que me amam todo dia. Talvez eu tenha me perdido tanto no tédio que já já vou cobrar muito mais “eu te amos” delas só pra não derreter. E cobrar amor é patético. Nas férias eu sou patética porque faço parte do mundo como um todo, sem resumi-lo a nada nem ninguém e é tão monótono porque em um certo ponto do meu nada, eu espero que alguém resumisse o seu mundo em mim. A verdade é que todo mundo tem mais o que fazer.
De qualquer forma, obrigada Otávio, que te abraçar ontem me fez sentir mais viva.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

O mais estranho quando você sente que está crescendo é ver que você está se adaptando.
Não dói.
Eu passei tantos anos imaginando o que eu iria me tornar que estou pronta... e não dói!
Vou ser testada. O ano em que vou ignorar tudo que os que acham me conhecer falam prá ir embora dançar e estudar Filosofia. Em que vou provar pra mim mesma que aquela bobagem de que na vida não se faz o que quer foi criado por uma tia feia e sem emoção que morava numa caixinha escura.
Eu cresci tanto que passei a virada do ano bebendo e fazendo todas as idiotices dos programas da MTV americana que eu achava o máximo, ao invés de passar assistindo algum musical idiota nostálgica, pensando no que vivi.
E eu choro, porque parte de mim FICOU aqui em casa. Assistia e cantava, abraçando cada momento que me fez ter orgulho do que estou me tornando.
Eu escrevi uma carta de amor. Nunca tive resposta mas também não tive medo.
Eu ouvi Eu te Amo de todas as pessoas que beijei na vida.
Eu guardei as coisas mais preciosas do mundo numa caixinha. Um dia vou achá-la por trás do azulejo e me sentir incrivelmente idealista e completa.
Eu arrumei meu mural de fotos, finalmente.
Recebi um olhar que me tirou o fôlego.
A amiga de mais de dez anos que jurou que sempre estaria comigo se mudou para longe e não me avisou e eu acho que entendi porque.
Tirei minhas bonecas do armário e arrumei todas de novo.
Baixei a discografia do Smiths. Me apaixonei numa prova de vestibular. Não sabia o nome dele. Viajei sozinha. Comprei um vestido de zebrinha. Perdi ônibus e sapateei no meio da rua. Mordi a Sílvia. Apertei o Otávio. Me casei com o Dan, com o Pedro, com a Ju e com o Marcus. Aprendi sobre mim com a Camila.
Me vi em tanta coisa até não ter mais dúvidas. Poemas sem sentido, filmes água com açúcar, gente incompreendida. Todas eram arte.
Que eu seja arte prá sempre. E esse ano... E tudo que me cerca.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Eu vi o mundo mas preferi o meu.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Soundtrack: Adriana Calcanhotto, “Esquadros”

voltando pra mim mesma e escrevendo porque preciso...

E para tal, será preciso ignorar o post em que “pessoas são só pessoas”.
A vantagem-mor de quando se conhece tanta gente pela internet é que quando se tem a chance de vê-las esse fascínio te toma e te deixa tão... sem nome. A idéia de que você pôde agarrar cada pedacinho delas. O quanto é engraçado só olhar de longe e por um segundo não ter consciência de quantos pedacinhos são formadas.
E a idéia de que foi assim que ganhei amores, amigos, pessoas de quem preciso e pessoas que em certo ponto me dedicaram trechos de suas vidas, é isso que me fez voltar...
A verdade é que pessoas são fascinantes.
Algumas cabem num potinho e algumas são tão delicadas que te deixam cuidar delas quando se é você mesmo. Algumas são espelhos, futuro e passado e quando a gente aprende a conviver com essas aí nada é assustador demais. Porque se for, a gente muda estilo de vida, orientação sexual, dieta, companhias, curso da faculdade, religião, de filme preferido, de cor de cabelo e de endereço de blog .
O fato é que eu acho que aprendi essa convivência. Parei com aquela mania de eleger alguma fase da minha vida como a melhor de todas. Parei de querer me chamar Clementine, ter o cabelo azul e querer apagar a memória, porque o lado que pegou um trem até Viena para amar de todas as formas em um dia sabe que seria como dançar sem música. Incompleto e ineficaz.
E agora eu posso viver tudo de novo a hora que quiser. Posso escolher quem vou ser pra sempre e não quero ser outra pessoa.
O que faltava?... Me apaixonar. Por tudo.
Estou me apaixonando devagar e urgentemente.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Soundtrack: Everything But The Girl, "Missing"

E então, nas minhas semanais maratonas de filme me vi em Y tu mamá tambien, na personagem de Maribel Verdú. Não porque já viajei de carro com o intuito de dormir com o Gael Garcia Bernal (isso eu concretizo depois) mas porque... todo esse ponto de interrogação ambulante que eu sou hoje vem de eu ter me calado tanto tempo.
O ponto de exclamação ambulante que já estou me tornando é conseqüência de eu ter cansado disso, e agora falar tudo. Tudo ou boa parte. Fazer tudo ou boa parte.
Estamos na torcida para que eu não me resuma a pontos e riscos e seja uma pessoa que possa transcender pontos e riscos. E esperamos que eu não vire um livro aberto porque ele seria só “arte pela arte” e não faria sentido algum... e de falta de sentido o mundo já basta por si só.
Acho difícil por enquanto as duas coisas... O máximo de emoção que tive nessas férias foi quando quis pular na cama elástica do parque de diversões e o tiozinho disse que não e eu fiquei bem puta da vida. E isso SÃO riscos... voillà: ¬¬.
E toda pessoa que tenta saber demais de mim eu bloqueio no msn.
Ai que tédio.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Talvez já não consiga dizer muito porque a essência sempre me fez tratar pessoas como interpretações e sentimentos. E dava forma às palavras com onirismo, enchendo-as de lua. Via deuses na chuva.
Volto aos textos antigos, critico a mim mesma e junto poesias isoladas de cada um para me acordar. Não adianta.
Não sei se sou eu que, de tanto me prender a mim para não derreter, parei de ver valor nos outros, ou se já estão tão corrompidos que parei de me entregar.
Preciso de não ler todos os livros do mundo ao mesmo tempo, de não me perder em todos eles sem alcançar algum lugar. Preciso de estabilidade, reciprocidade, altruísmo e toque e não sei como buscar.
É como uma guerra... a luta é árdua e na verdade não existe glória: antes, durante e depois do caos, pessoas são só pessoas.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Soundtrack: "Voyeur"

A gente é realmente muito mais forte que parece. Existe uma revolução dentro de mim, um coração dividido em três, uma parte da alma que quer ir embora, lágrimas seguradas, um pouco de medo e as conseqüências da Indiferença e ainda assim eu consegui fazer alguém se arrepiar.
Definitivamente, a certeza por trás dos cílios alongados e da sombra azul e prata é o melhor consolo que existe. Sempre foi.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

NATHÁLIA E O FILÓSOFO: O ENCONTRO


Depois de querer prestar Unicamp desde os treze anos, finalmente chegou o dia.
Como treineira, mas chegou e eu já nem dormia direito.
Foi uma manhã tranqüila de The Smiths, milkshake de ovomaltine e de Ju, Drica e Djou.
Até que chegando no colégio onde seria realizada a prova, essa criatura que caiu de não sei onde, vira para trás e me olha nos olhos e vira para frente de novo.
E foi só.
Sentada na escada com uma das minhas melhores amigas a gente comenta de todo mundo por ali que tinha "cara de filosofia". É claro que ele tinha: Os cabelos longos e a barba legal... e comentamos isso. Mas foi tão estranho, foi quando realmente notei a presença daquela pessoa e ela fez diferença.
E eu chego na sala e me choco:
800 pessoas fazendo prova. Quem se senta na minha frente? Quem está tentando Filosofia MESMO? Além de novela mexicana e musical, minha vida acabou de ganhar o posto de "PARÁFRASE PIORADA DE MACHADO DE ASSIS": "Quem conhece a técnica do destino adivinha logo": era o próprio.
A única coisa que consegui transmitir foi meu meio-sorriso idiota já conformado com as ironias, que agora são confortáveis, de fato. Até engraçadinhas.
Ele começa a conversar comigo e eu me derreto.
É, acho que seria uma história de amor peculiar... A sem noção que se apaixonou no dia do vestibular por um concorrente do mesmo curso.
Mas, meus caros, a tal sem noção sou eu... então a última peculiaridade é a que mata:
EU NÃO SEI O NOME DELE.
Durante todaaa aquela conversa, risadinhas e perguntas eu não tirei 5 segundos para perguntar o nome dele.
Não olhei na carteira onde estava escrito, nem sei o número da inscrição.
Só que era charmoso, sociável, mora numa cidade próxima daqui, vai tentar UFMG, USP e Unesp além de Campinas e quer ir pra São Paulo capital, ficou surpreso quando soube que eu realmente gostava de Filosofia e perguntou se eu iria voltar pra casa ainda naquele dia, me desejando "boa sorte" com a cara mais fofa do mundo.
É, pessoa da cadeira quatro da sala 21 você não me sai da cabeça, além de parecer heterossexual... casa comigo?

quinta-feira, 16 de novembro de 2006



A beleza de cada pedacinho meu pertencer à sentimentos completamentente distintos é que quando eu danço eles se juntam, e por único momento eu pertenço a algo por completo.
A dor vem do "por completo" em si: me faz tão viva que me separa do resto do mundo...

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Soundtrack: The Smiths, "The boy with the thorn on his side"
Foi de ontem a noite...

É tão estranho, quando eu escrevo de verdade, que alguém sempre me pergunte em quem de especial eu estava pensando. Será que algum dia vou entender essa mania de todo mundo de achar que a felicidade está nas pessoas?
Não creio.
Hoje, a tarde foi tão de quando eu era criança. O mesmo cheiro, a mesma intensidade, o mesmo filme e a mesma maneira de estar sozinha. Contexto. E ao ousar sair: as mesmas florezinhas amarelas no chão, próximas das árvores com as mesmas folhas. A mesma grama. Luz.
Às vezes eu penso que Ela está é nos lugares. Ou seria no que eu fiz deles?

domingo, 29 de outubro de 2006

FELICIDADE


Ninguém tinha cabelos crespos, não que eu me lembre. Nem eram ruivos. Não havia nenhuma gorda, baixa e sardenta. A não ser dentro de cada um. Sabia disso.
Sobre as histórias devoradas, não sei de onde vinham. Talvez de minutos emprestados de quem só as contava porque tinha que contar. Mas prevaleceram.
O que eu implorava era que alguém por perto também respirasse aquilo tudo... acho que sempre quis ser compreendida pela realidade e o que me alcançou foi o contrário. E era tão estranho o quanto eu estava ocupada demais, respirando, a ponto de realmente não ligar para isso.
Um dia eu acordei e pareceu que não só o talento para a crueldade, mas também o silêncio e a apatia já haviam invadido. E mais que nunca eles eram cadáveres, eram corpos sem vida com alma eterna. É isso, o silêncio, a crueldade e apatia invadiram a alma deles, que nem lutaram.
De fato, não sei se apatia em algum momento impõe algum anseio, algum desejo. Só que parecia tanto que esse desejo era a necessidade do meu sofrimento, que eu aceitei.
Ainda não sei bem que horas eram quando comecei a viver, porque o tempo sempre foi indefinido. Quem sabe eram eles que o controlavam? Eu só lembro que foi quando comecei a me sentir. Daí todas aquelas explosões, que fossem por nada, não importa, souberam virar coisas bonitas. Foi quando elas começaram a fazer sentido, não quando eles começaram a compreender. Isso nunca aconteceu. Foi quando isso deixou de fazer falta.
Aquelas histórias viraram liberdade, guerras de balão d'água e esperança de alegria. E eu fiquei estonteada quando soube. Segurei com tanta força e, por vezes, iludi a mim mesma como se não existissem só para sorrir depois, quando me lembrasse que existiam sim. Se Ela foi clandestina não é mais, porque eu pude tocá-la. Pressentia que um dia tocaria e esse pressentimento me fez viver no ar. Desde sempre.
Quandoa colocava diante de mim não era mais uma menina em êxtase.
Era uma mulher com seu amante, pelo tempo que quisesse.

sábado, 21 de outubro de 2006

Soundtrack: Blackmore's Night, "Beyond the Sunset"

Não pintei o cabelo. Nem de um tom mais dourado, nem as mechas cor-de-rosa. Não o cortei pra cima do ombro.
Tive vontade de parar de escrever, porque prá escrever você tem que se conhecer demais e às vezes isso dói.
Dói em cada linha quando se está triste e dói quando você teve que abandonar o último blog por causa de um filho da mãe que quis invadir a sua vida.
Ao mesmo tempo é tão inútil estar falando isso tudo, porque foi o escrever por si só que me ensinou que eu nunca vou parar, que na verdade essa vontade nunca existiu.
Mas eu só precisava dizer.
Dizer escrevendo.
Ciclo vicioso, não?
Hoje eu descobri que o blog da minha pré-adolescência ainda existe. Os comentários. Tudo intacto... talvez um dia eu realmente tenha coragem de ler aquilo tudo.
Sobre aquela anja, 11 anos mais velha que eu, garantindo ser meu eu futuro: ela já não escreve. Virou futura veterinária, tem um relacionamento estável, sentimentos estáveis também (e sem graça), não dança mais.
O Kieran morreu.
A minha amiga que achava lindo tudo o que eu fazia, que vivia uma vida parecida com a minha nesse intervalo de tempo já tentou se matar, namorou um dos meus melhores amigos até descobrir que não gostava tanto dele, parou com os estudos, não vai mais ao psiquiatra e cuida da mãe dependente química.
O Senhor dos Sonhos não sonha. Não vive uma vida sonhada por outros. Nem sonha com outra vida em que ele possa sonhar com pessoas sonhando com ela. E ele me abandonou.
O dono do "te amo, te odeio" é meu irmão e parei de querer tirá-lo da minha vida há tempos. Essencial. Mais tarde vou enchê-lo de palavras lindas agradecendo o fato de ele existir. De não ter ouvido minha frieza que gritou alto por muitos meses.
O louco com nick de rpg que eu mal conhecia agora é meu confidente. Entrou na faculdade e depois das confissões de sempre, anteontem, disse que a gente vai casar. E é claro que parte de mim acha que a gente vai terminar juntos, mesmo. Claro que acha. E claro que vocês sabem disso.
O dono do coração que jurava que era eu quem guardaria se foi. Porque não respeitou meu tempo. Ele se foi da maneira mais estúpida, mas a que melhor mostrava o quanto eu era Mais. Hoje ele finalmente tem uma horda de black metal (!!).
Eu.
Ainda tenho os cachos negros até a cintura. Esses anos não me fizeram menos sensível. Menos melancólica, sim. Agora menos sensível... estou quase saindo de casa e ainda me mato de rir e chorar por nada. Alguns dizeres se repetem. Já fiz aquela viagem sobre a qual escrevi com tanto entusiasmo, já voltei, já sinto saudades. E estava sentindo saudades desde o primeiro dia em que cheguei lá, desde o primeiro momento.
Alguns ainda dizem que tenho asas (por muito tempo era só o que me importava).
Agora, eu...
Eu digo que não mais tenho tanto medo de voar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Sobre amor. Não é para as pessoas pensarem como de costume. É desabafo. Corra daqui enquanto ainda pode.



Agora Sr. do Post do dia 15 me persegue em sonhos também. Voa, começa comigo, mas não termina.
E depois de MESES sem aparecer, justamente na tarde seguinte ao sonho ele aparece. Frio. Cai da internet.
E eu penso em ligar mas lembro do aviso prévio que eu teria de dar para fazer isso, por causa da outra que entrou na vida dele sem mágica nenhuma.
Não, nem é post de dor de cotovelo. A dona da não-magia é um detalhe que não poderia ser a causa disso sozinha. É, não poderia ser. A gente nunca teve nada, nada que fosse além do sentimento em si. Abstrato.
Pena que eu sou do tipo de pessoa que ainda perde tempo com sentimentos e vive por eles.
Do que eu realmente sinto falta... hoje foi da música. Eu me lembro como sempre quis ter uma amizade que fosse, completa o suficiente para ter uma música e daí eu consegui. Hoje, depois de um ano, ouvi "On the coldest winter night" de novo e lembrei de como a gente sempre cantava os versinhos.
Daí lembrei de como conheci, de como era meu anjo. Parece que não quer ser mais. De como eu me encantava com as fotografias, com as ligações. Nem quis procurá-las para não me sentir idiota ao fazer uma coisa que ele não faz.
"How could you find me here
You, of all have crossed my way
Unexpectedly...from where
I feel like I am dreaming
Hold me close
Tomorrow may be gone..."

Até agora quando são descartáveis ainda servem. Ironia.
Como sempre.
Algumas coisas nunca mudam....
Tudo não muda.
Feliz dia das crianças.

sábado, 7 de outubro de 2006

Soundtrack: The Smiths, "How soon is now?"

Poderia escrever sobre o sábado chuvoso passado a cookies e Bela Adormecida.
Sobre como não consegui ver As Horas sem parar duas vezes.
Sobre o maldito relógio de filme de vampiro que soa no corredor seguindo um intervalo de tempo paralelo e como me mata de susto.
Mas foi tudo tão insignificante comparado com a tristeza de alguém que conheço... é uma tristeza diferente. Que invadiu o espaço dele mas não o matou, transformou-se em admiração pelas pessoas.
E em troca da admiração eu faço ele sorrir... e a sensação é de outro mundo.
Foi insignificante comparado os eu te amos que eu ganhei. Um foi emprestado de culto de igreja, o outro do nada, o outro de uma fala e dois do passado.
Todos sinceros.
Insignificante comparado com as minhas queixas de necessidade de amor que me mata de vez em quando, que me mata agora e com o fato de quem mais me ama estar indo embora e eu ironicamente nem ligar. Só porque esse amor contradiz um conceito ultrapassado, irreal mas que me fez o que eu sou hoje e não largo.
E eu me pergunto se estou abrindo mão de amor pela minha essência. Ou por um motivo não tão belo, por medo.
É tudo tão maior que eu que nem cabe na minha caixinha.
Mas é tudo tão eu que eu nem caibo na minha caixinha.
Nem em lugar algum.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Da série "divagações na aula de matemática"



Contra quem usa frases pseudo-filosóficas no nick do msn

É. Aquelas mesmo, tipo "a felicidade é o caminho, logo, não há caminho para felicidade". Ou pior. Aposto que você tem umas cinco eqüidnas na lista que fazem isso.
O ato de aderir a elas em si não é insuportável. Caso fosse eu poderia me isolar do mundo e ser feliz. O que é ridículo é que os wannabes de Buda ignoram tais frases quando se deveria usá-las para a vida ficar cor-de-rosa e pokemons poderem saltitar alegremente duas vezes por dia. O que é ridículo e me mata é o fato de eu não saber deletar essas pessoas... da minha vida.
Os futuros autores de Minutos de Sabedoria têm uma resposta fofinha para cada conflito que exige que mandemos alguém para a puta que pariu, pregando a virtude da paciência. Acontece que quando são levadas aos seus limites agem como se tivessem o mal da vaca-louca.
Eles te julgam. Condenam. Te enviam textos plagiados de Shakespeare por algum autor contemporâneo e acham que Paulo Coelho é literatura. E como essas não fossem razões suficientes para criarmos um mundo paralelo, oh meu deus do céu, eles não sabem o que é mente aberta embora isso conste nos slides Power Point que te mandaram por e-mail ontem!!!!!!!!!
Sonhos? Realistas. Metas? Dinheiro. Tentativas de ser único? Frustradas. Auto-descrição? De personalidade. Descrição de alguem com Q.I acima de 30? Clichê. Opiniões? Clichê. Estilo de vida? Clichê. Amor? Clichê. CLICHÊ, CLICHÊ, CLICHÊ! AAAAAAAAAAAieeeee!
Então, queridos, saibam que frases pseudo-filosóficas são para gente burra. As que fazem sentido pela beleza são para legítimos sonhadores que sabem que falar uma coisa e fazer outra também é coisa de gente burra.
Logo, parem com esta porra. Ou se matem.
Obrigada.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Soundtrack: Depeche Mode, "Precious"

Things get damaged,
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle...


Sabe o que é passar segundos, minutos, horas e dias e meses e agora anos precisando ver uma pessoa?
TOCAR quem te entenda sem ser só com palavras lançadas para o cosmo e para ninguém, até que sejam encontradas por alguém que acha tudo fácil demais e as responda de uma maneira qualquer.
Tocar. Tocar, mesmo.
Agora há, finalmente, alguma chance de esse encontro acontecer e aquela tão pessoa tão desejada não tem certeza da reciprocidade da minha vontade de vê-la por causa de um passado.
Eu realmente não me importo com o que sua namorada acharia. E realmente não me importo caso a história se invertesse e se fosse ela quem encontrasse uma paixão antiga. Se eu me apaixonei por você algum dia foi porque você deixou. Já ouvi em alguma dessas linhas lançadas para o cosmo, mas que não encontraram alguém que acha tudo fácil demais e sim a mim, que sempre existe aquele momento em que você se permite entregar ou sair fora. Se eu escolhi a primeira opção foi porque tive razões, se elas existiram foi você quem me deu, nunca fui idiota.
Nunca fui tanto que não temo passado nenhum... até mesmo porque o que o marcou não existe mais. O que é existe é amor puro. Aquele altruísta e que quer sua felicidade de que eu sempre falo.
Aquele eterno...

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

A saga de Nathalia em busca de um lugar na platéia do Grupo Corpo


O pior de tudo... estes são fatos verídicos!!!!!!!!!!!!!

O Grupo Corpo é minha companhia de dança preferida desde que vi a obra Lecuona ano passado. Nunca havia encontrado nenhuma outra com uma movimentação com que eu me identificasse por completo... até aquele dia.
Prometi pra mim mesma desde aquele ano que jamais perderia algum espetáculo deles. Pena que para cumprir, foi difícil, viu..
Primeiro:
Anunciada a tournee pelo Brasil que começaria no dia 8 de setembro, antes do meio do ano. Agilizei em juntar a turma e combinar de ir. Combinamos.
Uma semana antes do grande dia: nossa motorista desistiu.
No dia seguinte tento organizar uma excursão com alguns bailarinos de onde eu danço. Minha professora de ballet diz que vai organizar.
Ela esquece.
Conto para minha amiga que se comove (?) com a minha história e diz que a mãe dela nos levaria e que ela compraria ingressos no dia seguinte.
Não comprou. E a mãe dela não ia levar ninguém.
Meu amigo tira onda dizendo que ele vai poder ir ver o espetáculo sem pagar nada e eu não, porque ele tinha "contatos".
Dou a idéia novamente para minha professora. Ela gosta.
E não faz nada DE NOVO!
Conto toda a história para a Juliana, que rapidamente se anima e convence a mãe dela de ir também e nos levar (reparou que se eu tivesse procurado ela logo no início eu não precisaria de passar por nada disso que eu escrevi aí em cima?)
Juliana deposita dinheiro do ingresso para o tio dela poder comprá-los pra gente.
Ingressos esgotados para todos dias.
Tudo estava perdido quando... Palácio das Artes abre seção extra na terça-feira!
Consegui o melhor lugar do Teatro.
Meu amigo me conta que não pode ir de graça e só conseguiu ingressos pelo dobro do preço que eu paguei.
Adivinha quem tirou onda aquele dia? *sorriso muito sádico*
Ele diz que vai de táxi.
Terça, dia do espetáculo: a mãe da Ju desiste de ir.
Terça a tarde: rezei e convenci a todos que eu poderia ir a Belo Horizonte a noite de ônibus.
Resultado: vamos no ônibus das 18h.
Chego a rodoviária e ela não estava lá.
Acontece que minha amiga Ju mora em outra cidade próxima, e no caminho ela pegou estrada em obras e dois caminhões imeeeeeensos a sua frente.
Perdemos o ônibus.
Ela chega a rodoviária e eu quase tendo um colapso nervoso.
A moça que trabalha lá disse que o próximo ônibus era às 19h e que não poderia trocar as nossas passagens pelo ônibus de 18h30min porque era de outra empresa.
Eu faço minha cara de piedade e começo a chorar (poxa, é o GRUPO CORPO!).
A moça troca as passagens finalmente.
No meio do conflito, quem aparece lá do nada? MEU AMIGO!!!!!!!!!!!!
Eu saio correndo em direção dele e ele me deu um abraço e me levantou e me rodou e foi igual cena de filme.
Somos 3 adolescentes saltitantes.
Na hora de entrar no ônibus, o motorista não aceita nossas passagens trocadas.
Torramos a paciência dele até ele ir lá falar com um outro cara que nos deixou ir, sim.
Já na estrada, até mesmo depois da cidade da minha amiga, quem sobre no tal ônibus??? o Cláudio!!!! Ele dançou comigo por anos e foi o mágico do meu espetáculo no ano passado! Não sei de onde ele surgiu até agora!
Ele vira e diz que se a gente tivesse ficado para o ônibus da 19h (e lembrando que isso implicaria em: trocar as passagens sem preocupações, não ter problemas com motoristas de ônibus, eu não passar vergonha com a mocinha da rodovíaria) a gente chegaria mais rápido, porque o caminho era diferente.
¬¬'.
20 minutos antes do espetáculo: "Três criaturas eufóricas vs. Tráfico da Avenida Afonso Pena Em Plena Capital do Estado" correndo desesperadamente para entrar na grande fundação Clóvis Salgado.
15 minutos antes: WE DID IT!!! \o/
10: nossos ingressos eram para a fila A, nós a encontramos e um infeliz disse que aquela era a fila B. Pior: eu conhecia esse cara da minha antiga escola... sim, numa outra cidade com MILHÕES de habitantes num espaço com MILHARES de lugares, eu vou me sentar ao lado de um jovem do meu passado que não sabe como o alfabeto funciona.
5: descobrimos que a fila B era a A, olhamos torto para o rapaz e nos sentamos.

Aí começou... o espetáculo e o post de hoje!!!

Companhia: Grupo Corpo
Espetáculos: Missa do Orfanato e Onqotô

A coreografia "Missa do Orfanato" é uma remontagem da peça original criada há dezessete anos, cuja trilha é a obra de Mozart escrita por ele aos doze anos.
É um espetáculo denso.... "bailarinos ritualizam o desamparo, o temor, o afligimento e a solidão inerentes à natureza inapelavelmente terrena e transitória da espécie humana".
Claro, são totalmente perceptíveis as peculiaridades do Rodrigo Pederneiras ainda assim e a surpresa vem exatamente daí: é preciso um GÊNIO para se fazer uma movimentação contemporânea dentro de uma musicalidade que, normalmente, não pediria isso e conseguir coerência e beleza.
A interpretação da Danielle Ramalho estava IMPECÁVEL...
Após Missa eu já estava extasiada. Sem saber o que iria me aparecer depois do intervalo...
O espetáculo Onqotô é a criação mais nova da companhia. A trilha foi feita pelo famoso cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso... e é simplesmente uma das obras mais lindas que eu já vi.
A abertura é um sapateado com todo o elenco e no cenário, criativo, maravilhoso como sempre, dava para ver as sombras deles atrás... o efeito foi MÁGICO. Havia momentos em que parecia que os bailarinos estavam surgindo do nada (obs: eles devem conhecer o Cláudio e esse surgimento não iria se distanciar muito da temática caso fosse real, haha).
Os questionamentos que todo mundo se faz em algum momento, sobre a grandiosidade (ou a falta dela) de cada um de nós diante do Universo.. estão todos ali, em cada gesto mínimo, e em cada olhar que fosse...
Uma parte surreal foi quando um bailarino, nu, sentado fazia movimentos com as costas e por mais simples que isso soe era impossível desvendar aquilo. Enxergava-se um mundo numa parte de corpo... não tem explicação.
E os dois duos, um masculino e feminino e outro feminino, que desafiavam a lei da gravidade, força, com a expressão mais sutil que existe...





Primeiro ingresso que guardei na minha caixa a la Amélie Poulain ;)

domingo, 10 de setembro de 2006

Eu quero uma piscina de bolinhas, uma cama elástica, o Matthew MacFadyen, ser a Pocahontas do primeiro filme da Disney, ter a voz de uma diva norte-americana, pegar um trem para Viena e encontrar o amor da minha vida, morar na Inglaterra do século XIX, passar uma tarde na praça de frente ao Teatro Guaíra olhando o tempo, um estoque vitalício de milkshake de ovomaltine e brigadeiro, conhecer o Baryshnikov, ficar trancada numa loja de brinquedos, falar a língua dos elfos, fazer um milhão de origamis, estar em dois lugares ao mesmo tempo e que crentes parassem de tentar me converter.
Obrigada.

domingo, 3 de setembro de 2006

Soundtrack: Björk, "All is full of love"

Já vi sentido naquele cara que disse que as transformações do mundo físico não passam de um processo mental e que nada se transforma de fato.
Não sei se o Universo começa de novo mesmo. Duvido da teoria do tempo linear mas não entendo o tempo cíclico também.
Ignorei tudo que a Física disse.
Sempre questionei sobre o tempo. Sempre soube que eu não cabia num intervalo determinado. E nunca ousei imaginar do que esse determinação me aproxima.
É claro, claro que acabei me agarrando ao subjetivismo de novo e negando uma realidade. E por isso nunca defini o tempo.
Só que... quando sua maior preocupação no momento é que tom de rosa colocar no cabelo e você acaba de saber que uma amiga, com seus mesmos 16 anos, está grávida...
Então o tempo é traiçoeiro.

domingo, 27 de agosto de 2006

Glory Box by Portishead.

tirei o vídeo daqui porque o youtube tirou primeiro, haha

I'm so tired of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play

For I've been a tempteress too long

Yes
Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman

From this time unchained
We're all looking at a different picture
Through this new frame of mind
A thousand flowers could bloom
Move over and give us some room, yeah

Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman

So don't you stop being a man
Just take a little look from outside when you can
Sow a little tenderness
No matter if you cry

Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman
It's all I wanna be, it's all, a woman

For this is the beginning of forever and ever

It's time to move over
So I wanna be

I'm so tired of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play

For I've been a tempteress too long...

domingo, 20 de agosto de 2006

Soundtrack: Kath Bloom, “Come here”

Sabe, é tão engraçado quando você acha coisas velhas e de valor sentimental por acaso.
Não, não é engraçado. Você chora e pensa.
Só então ri: se naquele seu rascunho de post escrito quando você tinha treze anos havia a conclusão de que você filosofa demais, seu “eu mocinha” ia ficar completamente pasmo se te visse agora, encontrando-se a si mesma em Nietzsche, Platão, Schopenhauer e na Celine de Antes do Amanhecer.
Você vê quase quatro páginas de caderno de matemática tentando contar porque você é o que é e por um instante acha patético. E logo vê que é aquilo ali, mesmo... que você existe na cena final de Dirty Dancing e porque se matava de dançar o clipe da Jennifer Lopez quando tinha nove anos. Você vê o convite a todos os leitores para irem te ver dançar no festival dia 14 de dezembro de 2003 (quando apresentaram O Quebra Nozes e você passou mal de chorar ouvindo Tchaikovsky da cochia) realizado pela escola de dança que era um sonho, e que agora nem te cabe mais. Você vê as expressões que inventou usadas no texto, que outrora fizeram seus amigos gargalharem e você vê o nome deles lá, mas nem sabe quantos da lista ainda lembram do seu.
Ainda é dependente da programação de fim de ano da Directv.
Ainda é solitára como a Lucy de “Enquanto você dormia” só que ainda não impediu nem uma pessoazinha de ser atropelada por um trem.

domingo, 13 de agosto de 2006

Soundtrack: Julie Delpy, "Je ta'ime tant"

VOCÊ É BAILARINO CONTEMPORÂNEO QUANDO....

Você dorme profundamente sempre que assiste Les Sylphides.
Você vive em crise existencial.
Você consegue montar uma coreografia com pontas em música eletrônica.
Você conseque dançar uma coreografia com pontas em música eletrônica.
Você acha que a aula de ballet clássico de hoje poderia ser de pilates.
Você acha que as bailarinas do Bolshoi são uns postes e nunca quis ter o físico delas.
Você quem limpa o chão de casa. Com seu corpo. Rastejando por ele.
Você acha um absurdo existirem posições de braço, porque o braço é seu e você coloca onde achar que deve.
Você acabou de ler um conto de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, levantou e aprendeu a contá-lo se contorcendo.
Seu olhar é a coisa mais intrigante desse mundo, prende qualquer um e fala mais que lavadeira.
Você é meio Nietzscheano.
Você dança ao som das buzinas do engarrafamento lá fora, do vento batendo nas folhas e até com o barulho da máquina de lavar.
E o silêncio também é música.
Isadora Duncan é deus.
Você consegue rebolar e sapatear ouvindo Mozart.
Você fez uma análise do comportamento de Odette/Odile, relacionou com a flexibilidade do rabo da lagartixa e montou um novo Lago dos Cisnes, que ficou muuuuuuito melhor que o existente.
Você tem um cd original do Dead Can Dance, Enigma ou Delerium.
Você já fez teatro, oficina circense, capoeira, sabe pilates, yoga... e manda bem em tudo!
Você anda com a postura ereta quando dá vontade, você pára em primeira posição en dehors hoje, mas amanhã você deve ficar na quinta.
Talvez na quarta.
Talvez você fique sentado o dia todo.
Você se sentiu limitado na primeira aula de ballet mas aprendeu a ser livre, mesmo acreditando que isso não é possível.
Você sabe saltar grand jeté com os pés em flex.
Você defende as citações da Martha Graham até a morte.
Você assiste STV na dança toda semana.
Você já leu a Enciclopédia da Dança duas vezes, livros sobre composição coreográfica, leu mil pontos de vista, tudo sobre a formação do balé brasileiro para usar na monografia da sua faculdade (de dança)
Você tem vergonha de falar "eu te amo", mas dança o "eu te amo" numa boa!
Você venderia sua mãe para não perder um espetáculo do Corpo.
Você vê complexidade até em olhar pra cima.
Sua panturrilha é foda!
Você sabe que não é nada sem a dança clássica, mas queria que isso não fosse verdade.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Soundtrack: Elis Regina, "Só tinha de ser com você"

É tão estranho, estúpido quando você está vivendo aqueles dias de "é... preciso de um namorado" e pensa no passado e vê o quanto foi idiota.
Você vê que se pudesse ter tido alguma pista sobre si mesma aos 14 anos (além do seu amor pela dança, claro) teria vivido um grande amor. Agora que cresceu um pouquinho, enxerga que seus princípios eram fictícios. E as razões para o término disso tudo não eram razões. O único conforto é saber que talvez ele fosse um filho da puta mesmo.
Aí você volta para o ano de 2006 e vê a pessoa que é dona do seu amor mais puro e mais verdadeiro e personagem principal da época mais maravilhosa de sua vida cogitando se a namorada está grávida ou não... e não existe um sentimento complexo, completo, necessário entre aqueles dois e isso dói. Dói porque trai os princípios fictícios que você nem tem mais e as razões que não eram razões. Trai quem você foi no passado. E no passado, você foi a pessoa mais importante da vida de quem tem seu amor mais puro e verdadeiro até hoje.
Você não se entregou ao saudosismo dessa vez e foi se apaixonar de novo. Aí? Aí quando já estava quase concreto, descobre que o "novo ele" além de ter namorada, é bissexual e está quase traindo a moça com um cara chamado João.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Soundtrack: Depeche Mode, "Home"

Até a tristeza é mais bonita por lá.
Eles sabem disso tão bem que ignoram sua miséria (ou talvez só aceitem) para sorrir e ser feliz... a beleza? A beleza existe porque eles sabem que sorririam e seriam felizes exatamente daquele modo em qualquer lugar, em qualquer situação.
Saudade das pegadas que eu deixei na areia molhada e do olhar que ele me deu um dia (e eu não sei nem o nome... onde mora... nada), o qual me fez sentir a moça mais linda desse mundo.
De chegar a noite e ver o porteiro ouvindo jogo de futebol no rádio e acordar com os raios de sol atravessando a porta. Da água gelada e do vento bagunçando o cabelo e das conchas na beira do mar. Das lentes de óculos embaçadas. Das baleias. Da água gelada da piscina e das ondas.
Mas principalmente das pegadas.






E daquele olhar...

sábado, 8 de julho de 2006

Soundtrack: Trilha sonora do espetáculo "Nazareth", Zé Miguel Wisnik

Mais do que arte para sorrir e transceder minha Dualidade? Não.
Mais que nunca. Hoje som de piano seca lágrima. Alivia dor.
Os elos de Anéis e toda a entrega em Lecuona:
então o Mundo é Perfumado...